"De tanto ver triumphar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver prosperar a deshonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Ruy Barbosa

terça-feira, 10 de maio de 2011

História do Filho da Puta



John Frederick Herring (1795 - 1865) foi um conhecido pintor de cenas esportivas e equinas, na Inglaterra. Em 1836, o autor do famoso quadro "Pharaoh's Charriot Horses", avaliado em mais de $500.000, acrescentou "SR" (Senior) à assinatura que apunha em seus quadros por causa da crescente fama de seu filho, então adolescente, que se notabilizou nessa mesma área. Apesar de nunca ter alcançado um valor tão elevado, um outro de seus quadros tem uma história bastante pitoresca.

Em 1815, com apenas 20 anos, Herring, o pai, como era tradição, imortalizou em um quadro a óleo o cavalo ganhador do St Leger Stakes, em Doncaster, na Inglaterra. Até aí, nada de mais. A grande surpresa é o nome do animal: Filho da Puta! É isso mesmo. Filho da puta.

Há pelo menos três versões sobre a origem desse estranho nome. A que parece mais plausível (e também a mais curiosa), dá conta que o embaixador português na Inglaterra, à época, era apaixonado por turfe e também por uma viúva com quem tinha um affair. Pois bem, algum tempo antes da pintura do quadro, o embaixador arrematou em um leilão de potros uma potranca à qual batizou de Mrs. Barnett, que era o nome da sua viúva. Mrs. Barnett (a égua), cumpriu campanha discreta nas pistas inglesas, sofreu uma lesão e não pode mais correr. O intrépido português, então, deu-a de presente a um seu amigo da corte, que era também criador de cavalos.

Passaram-se mais de 12 meses e neste período a viúva aplicou uma bola nas costas do pobre embaixador, mandando-se com um oficial da armada, bem mais jovem. O embaixador, claro, não gostou da traição, mas recolheu sua dor.

Num fim de semana seguinte, ele foi convidado pela amigo criador para uma visita ao haras, visto que "Mrs. Barnett" estava por parir. E lá se foi nosso herói. Efetivamente, Mrs. Barnett, a égua, pariu um lindo potro e o embaixador foi levado a examiná-lo. Era de fato um belo espécime eqüino. Como uma homenagem ao amigo, o Lorde inglês pediu que ele batizasse o potro com um nome típico de Portugal. O Embaixador, ainda engasgado com a perda de sua ex-amada, lascou-lhe o primeiro nome que lhe veio à mente ao ver o potrinho de pé: filho de Mrs. Barnett, só podia se chamar Filho da Puta. E foi assim que o ganhador do St Leger de 1815 passou para a posteridade. Não por ter sido um grande cavalo. Até que foi muito bom, mas não conseguiu dar continuidade a sua linhagem. Sumiu da história do PSI, mas sua pintura ganhou centenas de milhares de reproduções e hoje enfeita paredes em todos os países de língua latina. A gravura de Filho da Puta, em função de seu nome bizarro, transformou-se no maior best seller do turfe mundial.

Um comentário:

cristina disse...

alguém me pode ajudar e dizer em quanto mais ou menos pode estar avaliada uma dessas gravuras que está em preservada e emoldurada? obrigada!