"De tanto ver triumphar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver prosperar a deshonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Ruy Barbosa

domingo, 1 de março de 2015

Crise do fim do mundo

Enquanto a política econômica dá um cavalo de pau, as versões do governo para sua ação na Lava Jato parecem sem pé nem cabeça e a sociedade se move, as investigações do esquemão na Petrobrás avançam. Só não se sabe para onde.

por Eliane Catanhêde

O 15 de março vem aí, com péssimas condições de tempo e temperatura, o governo fazendo barbeiragens e a oposição instigando as manifestações, mas desautorizando o "Fora, Dilma". E ironizando o "Foi o FHC".

Na economia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acerta ao entregar um superávit de R$ 21 bilhões em janeiro, mas erra feio ao criticar e chamar de "brincadeira" as desonerações feitas pela chefe Dilma Rousseff no primeiro mandato. Não se cutuca a onça com vara curta.

E... o aumento de até 150% nos impostos da indústria vem numa hora de pânico do setor produtivo e não é nada promissor para crescimento, inflação e empregos, que já começam a tremelicar.

Na política, as ameaças ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Entraram na casa dele e isso virou justificativa para seu encontro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um mês depois, justamente às vésperas do anúncio da lista de políticos do PT e do PMDB na Lava Jato. Pior: em 48 horas, o procurador desiste da denúncia de políticos e segue pelo desvio de abrir inquérito. Leia-se: jogar tudo para as calendas.

Janot pode estar enveredando pelo pior dos caminhos: aquele que estanca um basta na corrupção sistêmica, dá na impunidade dos responsáveis pela maior roubalheira descoberta na República e, atenção, pode respingar na sua própria biografia.

Já o ministro da Justiça se encontra com o advogado da UTC, por acaso, ali na porta ao lado do seu gabinete, diz "Oi!, como está você?" e vira as costas. Também recebe a turma da Odebrecht e registra em ata que vai ver direitinho como foi o pedido de dados na Suíça, o que pode resultar em anulação de provas contra as empreiteiras. Depois se reúne com o procurador à noite, numa semana decisiva, para discutir um arrombamento desses que ocorrem às centenas, ou milhares, por dia.

Enquanto a política econômica dá um cavalo de pau, as versões do governo para sua ação na Lava Jato parecem sem pé nem cabeça e a sociedade se move, as investigações do esquemão na Petrobrás avançam. Só não se sabe para onde.

Já eram esperadas as delações premiadas de dois executivos da Camargo Corrêa, o presidente, Dalton Avancini, e o vice, Eduardo Leite (em choque com a própria companhia), que devem reforçar a tese de cartel contra a de esquema político para eternizar o PT no poder.

É o que o governo quer, mas não o que interessa à Odebrecht, onde habitam os maiores amigos de Lula e Dilma no setor. A empresa é a única que não tem nenhum executivo na cadeia e ficou fora da lista que vai pagar multa de R$ 4,5 bilhões, porque seus meandros de financiamento de campanha são muito mais complexos, não se encaixam nas investigações. Mas, se prevalecer a confissão conjunta de "cartel", ela entra na dança.

É mais um choque de interesses, mas o foco continua sendo no grande personagem das investigações: Ricardo Pessoa, o homem bomba da UTC. Tudo depende agora do fator emocional. Digamos que é uma questão de tempo.

Tem-se, assim, que a economia está como está, os ajustes são amargos num momento já de tanta amargura, o PMDB acaba de ir à TV se descolando do governo, cresce a sensação de que o procurador-geral está nas mãos de Dilma e Cardozo e o desfecho da Lava Jato é incerto, depois de tantas revelações escabrosas.

Pois é... e o 15 de março vem aí. Fernando Henrique Cardoso reuniu seus generais na sexta e o recado é: manifestações, sim; incitar o impeachment, não. Lula também reuniu sua tropa e avisou: se necessário, põe nas ruas a "tropa do Stédile" (ou seja, MST e movimentos sociais).

O que talvez os dos dois lados não estejam entendendo é que, desta vez, não se trata de PT versus PSDB. O momento é grave, a situação é complexa e a dinâmica é a de junho de 2013. As manifestações não são de partidos, de governo ou de oposição. São principalmente contra Dilma, mas contra todos eles.

Tenho lido cada uma!

por Percival Puggina, para o Jornal Zero Hora

Numa ponta da meada do Petrolão, lideranças de um governo que afunda de nariz empinado falam como se a Petrobras fosse tesouro de quem o encontrou ao pé de promissor arco-íris. E o dia, durante 12 anos, nasceu feliz. Na outra ponta, até quem manteve as mãos distantes do óleo grosso quer transferir culpas. O sujeito cumprimentou cordialmente um jornalista da praça - "Como vai, fulano?", e este revidou: "E o efeagacê? E o efeagacê?". Calma, rapaz, um simples bom-dia basta.

Não lembro de período com tanta sandice no noticiário. Li que o Ministro da Justiça aferrolhou a porta e conversou com o advogado de uma empreiteira que entrou nervoso e saiu tranquilo. Li exaustiva lista relacionando, com ufania, quatro (!) petistas que teriam desentranhado sua contrariedade com a corrupção em curso. A virtude é assim, tão contagiante? Quatro gotinhas tornam potável a água mais impura? Li que na versão marota do "regime de partilha", na qual 3% dos contratos abasteciam os partidos da base (2% para o PT e 1% para o PMDB e o PP) tudo era feito "em nome da governabilidade". Bom, para o país, não? Li que um grupo de 50 "intelectuais" partiu para o ataque afirmando que: 1) a operação Lava Jato põe em risco nossa soberania e a democracia; 2) seus alvos são a Petrobras e o pré-sal; 3) as investigações estão "dizimando" empresas de alta tecnologia; 4) desenha-se um projeto golpista no país. Com intelectuais assim, quem precisa de tolos?

Ouvi Lula em ato para salvar a Petrobras. Falou como quem mata e vai discursar no velório. Disse que os achados da Lava Jato nas águas profundas do governo são tema de quem quer criminalizar a política. Ensinou História, afirmando que tais ações acabam em ditadura (certamente lembrou de seus amigos do Foro de São Paulo prendendo opositores). Ameaçou com o "exército do Stédile" (MST) quem atacasse o governo nas ruas. E ao final, surtou: "O que nós estamos vendo é a criminalização da ascensão social de uma parte do povo brasileiro". Mas o que é isso, Lula?

Li sobre a campanha por Eleições Limpas. E pergunto à CNBB, que mantém união estável com o PT há 35 anos: por que não começou a limpeza dentro de casa, fazendo com que suas Análises de Conjuntura não propagassem as mentiras desse partido sobre a situação nacional? Li no hino da Campanha da Fraternidade: "Os grandes oprimem, exploram o povo". Marxismo de boteco, em pentagrama. E um velho comunista me escreve: por culpa da direita, a Venezuela era um país rico de povo pobre onde o chavismo veio redimir os pobres. Agora, a Venezuela é um país pobre, de povo pobre. Mas a culpa, insiste ele, continua sendo da direita. Vai entender!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Lula, Lênin e a Petrobras, por Ruy Fabiano

Não se sabe se Lula conhece a palavra de ordem com que Lênin impulsionava sua militância: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”

Até aqui, quando se aborda o escândalo da Petrobras, pergunta-se quem a roubou, quanto e como o fez. A resposta é parcialmente conhecida: o achaque teve o PT no comando, coadjuvado por seus aliados PMDB e PP, e a quantia chegou à estratosférica casa das dezenas de bilhões.

Conhecem-se alguns operadores, empresários cúmplices e os nomes de agentes públicos (parlamentares, governadores, ministros etc.) citados nas delações premiadas. A lista oficial, a ser divulgada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está sendo aguardada para os próximos dias.

Não se sabe se virá como denúncia ou pedido de abertura de inquérito, o que fará toda a diferença. Se denúncia ao STF e STJ (para o caso de governadores), os citados viram réus; se inquérito, o rito pode ser longo e diluir-se no tempo.

O prejuízo, no balanço não auditado da empresa, tem cifras oficiais: R$ 88,6 bilhões. A ex-presidente Graça Foster disse que foi o que se pôde apurar, mas, aprofundando-se as investigações, “certamente é mais”. Alguns argumentam: mas nem tudo aí é roubo; há também o fator incompetência, incluso na mesma rubrica. Tudo bem. Digamos, então, num raciocínio pra lá de moderado, que o fator roubo seja um quarto daquele valor: R$ 22,1 bilhões. Ainda assim, é dinheiro demais, que excede enormemente ambições pessoais e necessidades partidárias.

E aí entra em cena a pergunta que ainda não se fez, mas que inevitavelmente se fará: para onde foi essa grana? Escondê-la é impossível; fragmentá-la de modo a diluir sua rota parece além do talento mesmo de doleiros experimentados.

Outra coisa: como recuperá-la? O ex-gerente Pedro Barusco se dispôs a devolver a parte que lhe coube: US$ 100 milhões (R$ 280,8 milhões ao câmbio de hoje). Considerando-se o seu grau hierárquico, é possível especular quanto coube aos de cima.

E quem são os de cima? Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento – que detalhou os percentuais que cada partido da base recebia -, disse que se situava no nível médio. E que respondia a gente bem mais graúda. Alberto Youssef garantiu que Lula e Dilma eram os graúdos maiores: sabiam de tudo.

Lula e Dilma negaram a acusação, mas, por ato falho, já a confirmaram. Dilma, ao comentar o rebaixamento da empresa pela consultoria Moody’s, considerou-a “desinformada”, o que sugere que ela, presidente – e ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho Administrativo e ex-chefe da Casa Civil -, tem informações que aqueles consultores não têm. Lula, no espantoso ato de “defesa da Petrobras”, na sede da ABI, no Rio, na terça passada, se disse informadíssimo, o que ninguém duvida.

Palavras suas: “Fui o presidente que mais visitou a Petrobras; tenho mais camisas da Petrobras que o mais velho funcionário da empresa. Fui o presidente que mais inaugurou plataformas”. Ora, com tamanha intimidade com a estatal, e tendo nomeado toda a sua diretoria, seria surpreendente que não estivesse a par de tudo o que lá se passava. Tudo.

Não há como sumirem bilhões e bilhões sem que sejam percebidos, sem que uma rede ampla e sofisticada estivesse em ação. E como uma rede dessa, montada pelo presidente da República - e que incluía aquela que viria a sucedê-lo -, passaria despercebida a ambos? A resposta é desnecessária.

A metáfora do queijo, que ele evocou diante de uma militância entusiasmada (“se o rato está acostumado a roubar um pedaço de queijo, que fará diante de um queijo inteiro?”), equivale a uma confissão. E ainda: roubava-se menos porque havia menos dinheiro; como entrou mais dinheiro na Era PT, roubou-se mais.

Resta saber para onde foi esse dinheiro. Há especulações, que, de tão inusitadas, evocam a clássica teoria da conspiração. Mas a própria cifra envolvida, não constasse ela do próprio balanço da empresa, provocaria o mesmo ceticismo. Ocorre que tudo nesse escândalo é inusitado, embora real. Fala-se, por exemplo – e isso acabará tendo que ser apurado –, que parte dessa fortuna teria abastecido os aliados do Foro de São Paulo, coadjuvantes do projeto da Grande Pátria Socialista.

A Venezuela, por exemplo, sem dinheiro até para comprar papel higiênico, renovou a frota de sua Força Aérea; a mesma Venezuela que, no final do ano passado, por meio de seu ministro para Comunas e Movimentos sociais, Elias Jaua, firmou convênio para treinar a militância do MST – “o exército do Stédile”, que Lula quer ver nas ruas contra os “golpistas”.

Não se sabe se Lula conhece a palavra de ordem com que Lênin impulsionava sua militância: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”. Como não é exatamente um estudioso de História – e acha que, por aqui, o PT a inaugurou – é possível que compense a ignorância com seu poderoso instinto político. O certo é que, no ato da ABI, seguiu fielmente a lição de Lênin.

Acusou seus opositores de ter feito com a Petrobras tudo o que de fato ele e o PT fizeram. E os xingou de golpistas. Nada menos. FHC comparou o truque à ação de um punguista que, após bater a carteira da vítima, sai gritando “pega ladrão!”. É por aí.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Por um triz, por Merval Pereira

O que era dito meio às escondidas nas reuniões da equipe econômica com os coordenadores políticos do governo, agora está escancarado nas reuniões com as diversas bancadas da suposta base aliada: se não aprovarem o pacote fiscal, fica mais próxima a perda do grau de investimento do Brasil.

A imagem do país no exterior já derreteu faz tempo, e a surrealista capa da revista inglesa “The Economist”, com uma passista de escola de samba debatendo-se num lodaçal, é o mais recente exemplo disso, depois de artigos os mais críticos possível da revista Time, do Financial Times, e por aí vai.

Não há mais quem acredite nas intenções do governo petista, e a credibilidade do país está suspensa por um fio tênue nas mãos do ministro da Fazenda Joaquim Levy. A grande pergunta dos investidores estrangeiros é até quando Levy agüentará a falta de apoio político do principal partido da base, o PT?

Se por um lado ele se tornou “indispensável”, por outro a presidente Dilma recusa-se a dar-lhe um aval público, mesmo por que ela não tem ascendência sobre a base petista. Essa seria uma tarefa de Lula, mas mesmo ele, fora da presidência e claramente desgastado com a sua criatura, pode muito, mas não pode tudo.

Se Levy saísse antes de completar o serviço, por impossibilidades políticas, seria uma tragédia para o governo. Mas mesmo assim ele não tem cacife político para impor sua visão, e joga com a possibilidade cada vez mais real de o país perder o grau de investimento para tirar do PT compromissos com a austeridade fiscal.

Quem assumiu sua tese foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que explicitou os perigos que espreitam o país caso não se dê uma demonstração de boa vontade com as regras do equilíbrio fiscal. Mas a posição do PMDB depende de que o PT também abrace o projeto do governo. Cunha não pretende assumir sozinho esse ônus, impopular como qualquer pacote de austeridade, os gregos que o digam.

Mas, logo em seguida, Cunha regrediu aos tempos em que os gastos eram incontroláveis, aumentando a remuneração dos senhores deputados, e até mesmo pagando passagens aéreas para os cônjuges, o que soa como escárnio não apenas para a opinião pública, mas para os credores internacionais.

O Brasil está na situação de uma empresa que precisa renegociar suas dívidas, e seus proprietários têm que dar demonstrações de austeridade que garantam a seriedade com que encaram a situação difícil. A nova equipe econômica conseguiu economizar R$ 10,4 bilhões em janeiro, que é o pior resultado para o primeiro mês do ano desde 2009, mas é um feito e tanto se pensarmos que fechamos em dezembro o ano de 2014 com um déficit primário de R$ 17,2 bilhões.

Mas o resultado, ainda insuficiente, foi alcançado à custa de um corte de mais de 30% de investimentos. A austeridade tem que ser de gastos, principalmente, mas também de comportamento. Um governo que recebe o rebaixamento do grau de investimento da sua principal empresa, a Petrobras, e, em vez de assumir sua parte da culpa, limita-se a dizer que a agência de risco tomou a decisão por não ter conhecimento de como a empresa funciona, definitivamente não pode ser levado a sério.

Um governo que lida com as acusações de corrupção contra si tentando constranger os investigadores, juízes e membros do Ministério Público, e organiza no Congresso uma manobra para que a CPI da Petrobras não dê em nada mais uma vez, quer uma solução à sua moda, e não se preocupa com os investidores, nacionais ou estrangeiros.

Um governo que quer que a Petrobras recupere sua credibilidade, mas ao mesmo tempo escolhe um presidente dentre os seus quadros mais confiáveis não do ponto de vista técnico, mas político, e também determina qual deve ser o nível de prejuízo a aparecer no balanço atrasado da companhia, não quer ser levado a sério.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O tíbio e a cara de pau

O que o PT tem de cara de pau o PSDB tem de tíbio. Daí a desastrosa equação histórica a que o país está submetido

A rejeição crescente ao governo petista – e que gerou 51 milhões de votos para Aécio Neves nas eleições presidenciais - não se traduz necessariamente na escolha do PSDB como seu antípoda.

Aécio, que não é neófito em política, sabe que foi beneficiário de uma circunstância. O PSDB, idem. Saber aproveitá-la pode somar à carreira de ambos, mas, até que isso aconteça, o descrédito do sistema partidário coloca a todos no mesmo balaio.

Recente pesquisa do Datafolha mostrou que mais de 80% da população não se sentem representados por nenhuma sigla - e desconfiam de todas. Romper esse estigma depende de algo mais do que contar com a incompetência e o desgaste do adversário.

Depende de determinação e audácia, que têm faltado aos tucanos. Desde as eleições de outubro, o personagem que com mais firmeza enfrentou o PT é da própria base governista: Eduardo Cunha, do PMDB, que tem sido bem mais audaz que Aécio.

O PSDB, ao contrário, tem se mostrado negligente. No imediato pós-eleição, pôs em dúvida o sistema de apuração (chegou a ingressar no TSE com um pedido de auditagem das urnas) e denunciou o uso indevido (criminoso, diga-se) dos Correios em Minas Gerais, comprovado por diversos vídeos e pela confissão do deputado Durval Ângelo (PT-MG), na presença do presidente daquela estatal, Wagner Pinheiro, numa reunião do partido.

Nenhuma dessas denúncias, gravíssimas, prosperou. Não mais delas se falou, o que leva muitos a crer que, mesmo fundamentadas, talvez não o estivessem o suficiente. Ou, então, pior, teriam sido objeto de negociação com os infratores.

Há dias, Aécio disse: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (...) Não acho que exista nenhum fato específico que leve ao impeachment”. E condenou as manifestações de rua, que bradavam por aquela causa, deixando implícito que eram golpistas.

Os depoimentos até aqui conhecidos da Operação Lava-Jato mostram que a Petrobras não apenas foi saqueada numa escala sem precedentes, como seus recursos teriam financiado a campanha da presidente reeleita nas duas eleições (2010 e 2014).

Mesmo assim, o PSDB mede as palavras para se posicionar diante do escândalo. Com isso, os petistas ficam mais ousados – e, reconheça-se, jamais pecaram por tibieza. São peritos, ao contrário dos tucanos, em tomar iniciativas e em exercer o descaro.

Um exemplo: o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco – o tal que se dispôs a devolver 100 milhões de dólares que recebeu como propina ao longo dos governos Lula e Dilma -, informou que o PT, pelas mãos de seu tesoureiro, João Vaccari Neto, levara 200 milhões de dólares de comissão em algumas obras.

Barusco era assessor de Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, nomeado por indicação de José Dirceu. Os três – Vaccari, Duque e Dirceu - estão soltos.

O PT negou, ameaçou processá-lo e desqualificou-o moralmente como informante. Mas bastou que Barusco dissesse que também recebeu propina da empresa holandesa SBM Offshore ao tempo em que o PSDB era governo – mesmo ressalvando que se tratava de transação direta entre ele e a empresa corruptora - para que, subitamente, o PT e a presidente da República passassem a lhe dar crédito.

Dilma, depois de um longo sumiço, valeu-se da declaração de Barusco para afirmar, com uma cara de pau espantosa, que a culpa do que hoje ocorre na Petrobrás – com seus 88,6 bilhões de rombo decorrentes da corrupção, em 12 anos de petismo (Graça Foster diz que é mais) – é responsabilidade, vejam só, dos tucanos.

Se o PSDB, disse ela, tivesse investigado em 1997 aquela gorjeta de que falou Barusco, nada disso teria ocorrido. Ora, e o que, quanto a isso, fez o PT, em seu 12º ano no governo?

Não apenas não investigou, como montou uma estrutura criminosa, sistêmica e explícita, que sugou a empresa numa escala inédita na história humana, segundo o The New York Times.

O que o PT tem de cara de pau o PSDB tem de tíbio. Daí a desastrosa equação histórica a que o país está submetido.

As ruas já o perceberam. Já constataram que, se o país depender da virilidade tucana, nada acontecerá. Vencerá mais uma vez a cara de pau, como aconteceu ao tempo do Mensalão.

A ideia de que impeachment é golpe decorre de um de dois fatores: ou inapetência política em arrostá-lo ou ignorância jurídica - ou ambas. Não pode ser golpe algo que está previsto na Constituição e circunstanciado na legislação ordinária, já tendo sido acionado pelo próprio PT e PSDB contra o governo Collor, sem que o país tenha abdicado da democracia.

Aécio parece mais preocupado em zelar pela imagem de bom moço, rejeitando apoio conservador – embora desse segmento tenha recebido grande parte de seus votos -, que em correr os riscos que o momento histórico impõe. Não só ele, mas seu partido.

A História é implacável com os que não a percebem. Oferece oportunidades, mas é cruel com os que não as aproveitam.

por Ruy Fabiano, jornalista

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A saída é tirá-los de onde foram colocados.

O carnaval mal terminou e vem à tona mais malfeitos, prejuízos e roubalheiras petistas - a fraude milionária no Postalis (fundo de pensão dos Correios), e, de quebra, outra cretinice do atual Ministro da (falta de) Justiça.

O caso Postalis envolve um ex-patrocinador do pólo aquático do Fluminense - o Banco BNY Mellon e a Atlântica Asset Managment, contratada pelo fundo de pensão para investir dinheiro em titulos da dívida brasileira no exterior, o que, em si, já é algo, no mínimo, esquisito. Relatórios da Securities and Exchange Comission (o órgão fiscalizador do mercado financeiro americano) apontam que papéis de instituições financeiras na carteira do Postalis tiveram o valor adulterado causando prejuízos que chegam a US$ 24 milhões (R$ 68 milhões).

Já o ministro Cardozo não cansa de conspirar contra a Lava Jato tendo desaconselhado pessoalmente a UTC a partir para a delação premiada, em reuniões com advogados das empreiteiras envolvidas. O ministro falou até em “costura de um acordo para que todos se safem”. Os encontros foram sigilosos e só vieram a público porque a revista VEJA os revelou.

O que chama a atenção, em ambos os episódios, é que existe um método: em tudo que o PT se mete, tem algum tipo de tramóia. E nenhum representante deste "partido" age republicanamente. Ao contrário, corrompem e corroem as instituções feito cupins. Agem nos bastidores, para safar os seus, sem escrúpulos, sem ética, sem transparência, sem vergonha.

Estamos em uma grande enrascada econômica, graças à incomPeTência e à imbecilidade dessa gente. Mas, os problemas econômicos e financeiros são um mal menor diante da virtual destruição e confusão de valores inculcada na cabeça de uma grande parcela da população, que os vê com olhos de toupeira, e não sabe distinguir o que se lhes apresenta. A verdadeira face do lulo-petismo e da atuação da esquerda no Brasil, se locupletando do poder e manobrando as pessoas, principalmente, as mais humildes e de pouca ou nenhuma educação, não é vista, e esta nuvem é colocada propositalmente, para que não vejam.

Insisto, existem culpas e responsabilidades cristalinas e comprovadas, para tirar o PT do poder. Não se trata de golpismo. Até porque, além de tudo, ainda pairam imensas suspeitas sobre as urnas eletrônicas e os processos de apuração. Acredito que é hora dos homens e mulheres de bem deste país clamarem pela destituição imediata da Dilma e da corja que orbita em torno dela. Dia 15 de março vai ser uma boa oportunidade. Todo mundo em Copacabana exibindo a sua indignação. Pelas nossas vidas, pelas novas gerações, pelo Brasil!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

NÃO ADIANTA DEIXÁ-LA SANGRAR

Após estudo jurídico, o professor Ives Gandra Martins, - um dos maiores juristas do país, emitiu parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, fundamentação jurídica para o pedido de impeachment da atual ocupante do Planalto, Dilma Roussef.

O professor esclareceu que o julgamento do impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico, exemplificando com o caso do presidente Fernando Collor, que afastado da Presidência pelo Congresso, foi absolvido pelo STF.

Diante disso, é muito importante não criar expectativas com relação ao impeachment da Dilma. Apesar da opinião corrente de que ela tinha conhecimento de tudo e tem responsabilidade nos malfeitos, é preciso que isso fique demonstrado, e, ainda assim, será muito difícil mobilizar o Congresso para defenestrá-la. O trabalho será enorme e as investigações da lava-jato terão papel preponderante no que vai acontecer adiante.


A despeito disso, eu lhes digo: o impeachment é, sim, o caminho. O processo não vai levar menos do que um ano. Isso é tempo suficiente para que fique claro para todos a culpa do PT, da Dilma e do Lula, na roubalheira e na derrocada econômico-financeira que estamos metidos, bem como para mostrar que foi a ação desastrada deles que nos levou a esta situação pré-falimentar.
A estratégia de deixar Dilma sangrar, para que ela e o PT sucumbam no processo não é boa. Já se viu isso no mensalão, e não deu certo. Em 2018, se ainda estiver vivo, qualquer que seja o cenário político, Lula vai se apresentar como o salvador da pátria, mais uma vez. Ele sempre achou que é uma segunda encarnação do Getúlio (de triste memória) e não vai nos poupar da sua figura abjeta a tentar convencer que desta vez eles não mentem, que não vão roubar, que agora vai.

Se houver uma oportunidade, ela tem que ser aproveitada. A fundamentação jurídica para o impeachment já foi demonstrada pelo maior jurista vivo. Se, dentro da legalidade, a Dilma pode ser apeada do poder, que seja. Não quero mais estes irresponsáveis, ladrões, corruptos, vigaristas, canalhas, decidindo o meu, o seu, o nosso futuro. Eles não tem, nem nunca tiveram, competência para tal. Mais quatro anos vão permitir que eles continuem os desmandos, destruam a economia e o mercado, consolidem o aparelhamento e a roubalheira, corroam ainda mais as instituições, criem maiores condições para se eternizar no poder, e acabem destruindo o Brasil, .

São as ruas que precisam convencer o povo, deputados e senadores de que o impeachment é a solução. Então, vem pra rua! 15 de março vai ser mais uma oportunidade!

QUERO A DILMA E O PT FORAAAAAAAA!!!! E ISSO TEM QUE ACONTECER JÁ !!!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Não tem mais como esperar

Esse cuidado todo, até com a citação da palavra impeachment, a espera pelo momento certo, o não queimar etapas, que tanto falam políticos, jornalistas e todos aqueles interessados no gravíssimo momento que vive o Brasil, tudo isso sugere um respeito e um zelo que gente como a Dilma, o Lula e essa esquerda asquerosa não merece. Estamos tratando com ladrões, corruptos, aproveitadores, vigaristas contumazes. E não  é um bando qualquer. Eles montaram o maior esquema de assalto aos cofres públicos jamais visto, possivelmente, na história mundial. As cifras são assustadoras. E a prática, reincidente. O petrolão é uma especialização e um turbinamento do mensalão. A corrupção e subtração de verbas foram levados a um patamar inimaginável, indecente, imoral. 

Não podemos mais continuar sendo meros espectadores dos desmandos, roubalheiras, hipocrisia, despudor, mentiras e escândalos que perpetram o governo e seus representantes. É preciso que os homens de bem se incomodem, se constranjam, diante de tanta desonestidade e ausência de caráter. Precisamos fazer alguma coisa. Se permitirmos, só vai piorar.

Não desejo apenas que o PT e essa corja que orbita em torno dele seja apeado do poder. E que tudo fique por isso mesmo. Quero vê-los na cadeia. Quero o dinheiro de volta. Quero o meu país de volta. Não quero mais acordar e ver estampado nos jornais mais uma falcatrua ou mais uma tentativa de solapar as instituições como é o nosso cotidiano atual. Quero que o país pare de se arrastar e de andar de lado. Quero olhar adiante e ver que estamos deixando para as próximas gerações um legado político, econômico, cultural e institucional do qual possamos nos orgulhar. Quero sentir que valeu a pena testemunhar os anos que vivi. Que ao morrer, meu país estará melhor do que quando eu nasci.

Respondendo a uma pergunta que me fizeram, até insistentemente, não está bom pra ninguém. Mesmo os que apoiaram o partido, maquiavelicamente, para continuar usufruindo e se locupletando das benesses e da corrupção, até pra esses, vai sobrar, e já está sobrando. Basta que olhem em volta, e verão a cara de nojo com que o resto da sociedade lhes observa. O que dizer dos que foram enganados, que tiveram seus sonhos desfeitos, que estão decepcionados, ao conhecer a verdadeira face dos que momentaneamente governam o país? Que aprendam! Que não se deixem levar pelos cantos das sereias e por quem oferece atalhos e promessas vazias.

Hoje não basta trabalhar duro, e cuidar do seu. Há também que se pensar no coletivo, e, principalmente, em INFLUIR. A classe média, motor deste país não pode mais ser omissa. A classe média, à quem a petista Marilena Chauí, com a boca cheia de espuma, dedicou palavras de tanto ódio e aversão, precisa se mobilizar e assumir o seu papel de protagonista da mudança. Sempre foi assim, e sempre será. Como o próprio nome diz, a classe média representa o caminho do meio, o equilíbrio, a equidistância. Chegou a hora de mostrar toda a nossa insatisfação e revolta com este cenário de degradação ao qual nos conduziram o PT e seus comparsas.

Tem gente tentando fazer alguma coisa. Alguns por caminhos mais drásticos, tentando manter um ar de legalidade; outros, falando, conversando, mas aguardando, pra ver no que vai dar. 

Já deu, povo brasileiro! A hora é esta e não dá mais pra esperar. Não é preciso pegar em armas, nem solapar ritos, nem instituições. É hora de mostrar que estamos indignados, que nos sentimos agredidos e não queremos mais essa gente no poder. E isso se faz, não apenas em grandes manifestações, se faz em qualquer lugar. No trabalho, na escola, na condução, em lugares públicos, ou no dia a dia com nossos amigos, parentes e conhecidos.  É imperioso DENUNCIAR o que essa gente está fazendo com o nosso Brasil. A mensagem precisa se espalhar, o protesto assim vai ganhar musculatura e o ronco chegará aos ouvidos de quem pode agir com eficácia, nas esferas devidas. Aqueles que se dizem nossos representantes, se realmente o são; e os que prometeram defender a Constituição e as instituições, se de fato cumprirão, que façam o resto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O começo do fim

por Merval Pereira

Mais uma etapa da desconstrução da hegemonia petista foi cumprida na noite de domingo com o alijamento do partido das principais funções da Câmara, como presidências de comissões ou postos na nova direção da Mesa, que será presidida, contra a vontade do Palácio do Planalto, pelo peemedebista Eduardo Cunha, que transformou a maioria megalômana que o governo teria teoricamente na Câmara em minoria de 136 votos, menos de 1/3 do plenário.

O governo, em uma só eleição, perdeu o controle que sempre tentou manter sobre o Legislativo e já não é possível garantir que CPIs perigosas para ele, como a da Petrobras, deixarão de funcionar, ou terão sua constituição controlada pelo governo. Mesmo por que já não se sabe mais quem é governo e quem é oposição na Câmara, e tudo terá que ser negociado ponto a ponto, com ministros responsáveis pela articulação política tendo saído desgastados desse embate para a presidência da Câmara.

O ministro em teoria responsável maior pelas relações institucionais, o petista Pepe Vargas, que já não tinha o apoio do próprio PT, mostrou que não se sai bem também com os demais aliados. Ainda provocou Cunha ao dizer que o presidente da Câmara "pode muito, mas não pode tudo", o que é uma verdade, mas o muito que ele pode é mais do que Pepe parece perceber.

Não se saiu melhor o Chefe do Gabinete Civil Aloísio Mercadante em sua primeira prova de fogo como o mais importante ministro do segundo governo Dilma, e potencial candidato à sua sucessão. O PT mal começa o governo já parece sem capacidade para comandar uma base aliada que desde a eleição presidencial dava sinais de que não caminharia unida nesse segundo mandato, conseguido às custas de desgastes institucionais que cobrarão seu custo ao longo dele.

A presidente Dilma, por sua vez, ampliou a distância que a separa do ex-presidente Lula, que tentou um acordo com o PMDB temendo a derrota, que afinal veio no primeiro turno, maior do que previam os articuladores governistas. O que separa Lula de Dilma não são princípios e valores, mas o pragmatismo, que o ex-presidente tem de sobra e a atual, não.
A disputa com o PMDB, que volta a ocupar as presidências da Câmara e do Senado, leva o Palácio do Planalto a uma situação de confronto que não serve aos seus interesses imediatos e, ao contrário, serve aos do PMDB, que se prepara para apresentar candidatura própria em 2018 ou, no limite, pode ter a presidência da República no seu colo caso as trapaças da sorte encaminhem o processo de desgaste petista para um desfecho político provocado pelo julgamento do petrolão.

A presidente Dilma tem horror a Eduardo Cunha, dizem, por sua característica marcadamente fisiológica, e teria razão se fosse esse o motivo. Mas, na presidência da República, e dirigindo um governo montado na base do fisiologismo, Dilma não tem mais o direito de alegar questões éticas para tomar decisões políticas.

Desde quando era a chefe do Gabinete Civil de Lula, pelo menos, ela sabe como o jogo do poder é jogado e já teve a experiência dolorosa no seu primeiro governo de ter que chamar de volta ao ministério partidos que haviam sido expulsos por questões éticas. Ganhou as duas eleições a bordo de uma aliança política construída à base de mensalões e petrolões, e já não tem mais condições de convencer ninguém de que é contra esses métodos.

Eduardo Cunha de um lado, potencialmente de oposição, e Renan Calheiros de outro, potencialmente de situação, podem trocar de lado com a maior tranquilidade, e representam a maneira de fazer política do PMDB. No embate entre correntes dissidentes nas duas eleições, o DEM assumiu sua vontade de derrotar o PT e foi com Cunha já no primeiro turno.

O PSDB iria com ele no segundo turno, mas seguiu a máxima expressa pelo senador José Serra de que para derrotar o PT não vale qualquer coisa. Arlindo Chinaglia achou que era apoio à sua candidatura, mas na realidade Serra estava acompanhando a orientação do presidente do partido, o senador Aécio Neves, que levou os tucanos a apoiar Julio Delgado para dificultar a volta do PSB ao seio governista. PSDB e PSB fizeram a coisa certa, apresentaram alternativas às candidaturas favoritas, e ajudaram a derrotar o governo, que agora tem uma base de apoio imprevisível para anos políticos imprevisíveis.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Chegou a hora, por Fernando Henrique Cardoso

Quando eventualmente este artigo vier a ser lido, a Câmara dos Deputados estará escolhendo seu novo presidente. Ganhe ou perca o governo, as fraturas na base aliada estarão expostas. Da mesma maneira, o esguicho da Operação Lava Jato respingará não só nos empresários e ex-dirigentes da Petrobras nomeados pelos governos do PT, mas nos eventuais beneficiários da corrupção que controlam o poder. A falta de água e seus desdobramentos energéticos continuarão a ocupar as manchetes. Não se precisa saber muito de economia para entender que a dívida interna (três trilhões de reais!), os desequilíbrios dos balanços da Petrobras e das empresas elétricas, a diminuição da arrecadação federal, o início de desemprego, especialmente nas manufaturas, o aumento das taxas de juros, as tarifas subindo, as metas de inflação sendo ultrapassadas dão base para prognósticos negativos do crescimento da economia.

Tudo isso é preocupante, mas, não é o que mais me preocupa. Temo, especialmente, duas coisas: o havermos perdido o rumo da história e o fato da liderança nacional não perceber que a crise que se avizinha não é corriqueira: a desconfiança não é só da economia, é do sistema político como um todo. Quando esses processos ocorrem não vão para as manchetes de jornal. Ao entrar na madeira, o cupim é invisível; quando percebido, a madeira já apodreceu.

Por que temo havermos perdido o rumo? Porque a elite governante não se apercebeu das consequências das mudanças na ordem global. Continua a viver no período anterior, no qual a política de substituição das importações era vital para a industrialização. Exageraram, por exemplo, ao forçar o “conteúdo nacional” na indústria petrolífera, excederam-se na fabricação de “campeões nacionais” à custa do Tesouro. Os resultados estão à vista: quebram-se empresas beneficiárias do BNDES, planejam-se em locais inadequados refinarias “Premium” que acabam jogadas na vala dos projetos inconclusos. Pior, quando executados, têm o custo e a corrupção multiplicados. Projetos decididos graças à “vontade política” do mandão no passado recente.

Pela mesma cegueira, para forçar a Petrobras a se apropriar do pré-sal, mudaram a lei do petróleo que dava condições à estatal de concorrer no mercado, endividaram-na e a distanciaram da competição. Medida que isentava a empresa da concorrência nas compras, se transformou em mera proteção para decisões arbitrárias que facilitaram desvios de dinheiro público.

Mais sério ainda no longo prazo: o governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando sua política energética, apostando no gás de xisto com novas tecnologias, buscando autonomia e barateando o custo do petróleo. O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol pela política suicida de controle dos preços da gasolina que o tornou pouco competitivo e, ainda por cima (desta vez graças à ação direta de outra mandona), reduziu a tarifa de energia elétrica em momento de expansão do consumo, além de ter tomado medidas fiscais que jogaram no vermelho as hidrelétricas.

Agora todos lamentam a crise energética, a falta de competitividade da indústria manufatureira e a alta dos juros, consequência inevitável do desmando das contas públicas e do descaso com as metas de inflação. Os donos do poder esqueceram-se de que havia alternativas, que sem renovação tecnológica os setores produtivos isolados não sobrevivem na globalização e que, se há desmandos e corrupção praticados por empresas, eles não decorrem de erros do funcionalismo da Petrobras, nem exclusivamente da ganância de empresários, mas de políticas que são de sua responsabilidade, até porque foi o governo quem nomeou os diretores ora acusados de corrupção, assim como foram os partidos ligados a ele os beneficiados.

Preocupo-me com as dificuldades que o povo enfrentará e com a perda de oportunidades históricas. Se mantido o rumo atual, o Brasil perderá um momento histórico e as gerações futuras pagarão o preço dos erros dos que hoje comandam o país. Depois de doze anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz, tenta praticar tudo que negou no passado: ajuste fiscal, metas de inflação, abertura de setores públicos aos privados e até ao “capital estrangeiro”, como no caso dos planos de saúde. Quanto ao “apagão” que nos ronda, dirão que faltou planejamento e investimento como disseram em meu tempo? Em vez disso, procuro soluções.

Nada se consertará sem uma profunda revisão do sistema político e mais especificamente do sistema partidário e eleitoral. Com uma base fragmentada e alimentando os que o sustentam com partes do orçamento, o governo atual não tem condições para liderar tal mudança. E ninguém em sã consciência acredita no sistema prevalecente. Daí minha insistência: ou há uma regeneração “por dentro”, governo e partidos reagem e alteram o que se sabe que deve ser alterado nas leis eleitorais e partidárias, ou a mudança virá “de fora”. No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais.

Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados. Que o STF não deslustre sua tradição recente. E, principalmente, que os políticos, dos governistas aos oposicionistas, não lavem as mãos. Não deixemos a Justiça só. Somos todos, responsáveis perante o Brasil, ainda que desigualmente. Que cada setor político cumpra sua parte e, em conjunto, mudemos as regras do jogo partidário-eleitoral. Sob pena de sermos engolfados por uma crise, que se mostrará maior do que nós.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Nunca antes neste país, por Merval Pereira

 O "maior superávit que for possível produzir", na promessa do ministro-chefe do Gabinete Civil Aloísio Mercadante, transformou-se em um déficit primário de R$ 17 bilhões, o maior em 20 anos. A nova equipe econômica, que teve o ônus de anunciar o recorde negativo, terá portanto que partir desse déficit histórico para chegar ao prometido superávit primário de R$ 66 bi este ano, a fim de recuperar a credibilidade do Tesouro Nacional.

Para se ter uma ideia do ritmo em que andaram os desmandos no governo, em janeiro, o superávit oficial prometido era de R$ 116,1 bilhões. No meio do ano, em agosto, já se via que esse número seria inatingível para as condições da economia e o superávit foi revisto para R$ 80,8 bilhões. Um mês depois, nova redução para RS 49,1 de bilhões.

Finalmente, no final do ano, para não ser acusada de crime de responsabilidade, a presidente Dilma mandou um projeto para o Congresso mudando a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para permitir ao governo descumprir a meta fiscal do ano, e inclusive ter um resultado negativo (déficit), como aconteceu.

Enquanto isso, o ex-ministro Guido Mantega, que passou meses garantindo que não haveria déficit, dedicava-se a barrar no Conselho de Administração da Petrobras a possibilidade de o balanço divulgado revelar o montante do prejuízo da estatal com a corrupção desenfreada que nela se instalou.

O impressionante é que o Palácio do Planalto teria comemorado a não divulgação do prejuízo da corrupção, numa demonstração clara de que já não há mais uma estratégia para proteger a Petrobras, mas sim o governo, mesmo às custas do prejuízo da estatal, cujas ações caíram 11% na quarta e mais um pouco ontem. Uma decisão política, portanto, como as que vêm orientando os passos da estatal desde que o ex-presidente Lula decidiu que a Petrobras poderia ser um instrumento político no sentido mais baixo do termo, tanto financiando a base partidária como gerando imagens e mensagens que, mesmo não correspondendo à verdade, serviam para propaganda governista.

A autossuficiência do petróleo foi apenas o começo de uma série de demagogias que culminaram na alteração do marco regulatório para a exploração do pré-sal, o tal bilhete premiado que o país teria recebido de Deus. A Petrobras passou a ser responsável por no mínimo 30% da exploração de todas as áreas do pré-sal, como se isso garantisse que "o pré-sal é nosso". Mas não há dinheiro para mais essa megalomania, e ontem a presidente Graça Foster anunciou que reduzirá ao"mínimo necessário" a exploração de petróleo.

Também ontem, como consequência da divulgação do balanço que, mesmo sem os prejuízos contabilizados já mostrou uma queda do lucro da Petrobras e um endividamento recorde, fornecedores denunciaram que não estão recebendo em dia e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ameaçou cortar o regime especial de recolhimento de impostos no estado que privilegia a Petrobras caso ela continue sem pagar os royalties a que o Rio tem direito.

Com a redução do preço do petróleo o Estado do Rio já vem recebendo menos pelos royalties, e a estatal em vez de pagar o que deve, faz depósitos em juízo. Outro governador, Camilo Santana do Ceará, está em pé de guerra com a decisão da Petrobras de desistir da refinaria que seria construída no seu estado.

Foi uma decisão pessoal do ex-presidente Lula, para agradar aos irmão Gomes, contra a diretriz da empresa na época, que considerava a decisão antieconômica. Juntamente com a do Ceará, para 300 mil barris/dia, foi autorizada a Refinaria Premium do Maranhão, com previsão de refino de 600 mil barris/dia, a maior do país, para agradar à família Sarney.

Ambas foram agora descartadas, justamente por não serem viáveis economicamente. Essa carteirada de Lula provocou um prejuízo de R$ 2,7 bilhões à Petrobras, sendo que o governador do Ceará reclama que já foram gastos R$ 600 milhões. No Maranhão, foram jogados no lixo R$ 2,1 bilhões em terraplanagem que não servirá para nada.

Para coroar o dia, a presidente da Petrobras, Graça Foster - que deve ser a campeã de máscaras de Carnaval este ano, rivalizando com a do Cerveró, que tenta inutilmente barrar na Justiça o uso de seu olho caído na folia - disse que o prejuízo da estatal pode ser muito maior do que se presume, pois ainda serão analisados os prejuízos em novos projetos e datas.

Durma-se com um barulho desses...

"Nuncaantesnestepaiz" se fez tanto para enganar o público, ou, é de propaganda que eles sobrevivem.

O discurso da desaparecida Dilma na "maior reunião ministerial do planeta" - aquela onde a filha de Ali Blá-Blá se reuniu com quase 40 ladrões - é, sob qualquer prisma, uma peça de ficção. Estão ali enganações, devaneios, prestidigitações intelectuais, charlatanismo, falta de vergonha e mentira, muita mentira, mesmo!

A presidente não se contenta em agredir a lógica e tentar desfazer, com a cara mais lavada, os fatos. Ela se presta a papéis ridículos, fazendo de conta que a roubalheira e a corrupção na Petrobras não são problemas afetos a ela, pessoalmente e que os problemas que o governo enfrenta não foram criados pelo próprio governo. Ou seja, em completa alienação, quer nos fazer crer que o mundo é o que ela quer que seja.

No processo, ela tortura números, falseia estatísticas, e coloca "vontades" no povo, como se tivesse obtido uma folgada maioria nas últimas eleições.

Fréderic Bastiat, o economista liberal e jornalista francês dizia que são necessárias somente algumas poucas palavras para estabelecer uma meia-verdade, mas precisamos de extensas e áridas dissertações para demonstrar uma verdade inteira. O ghost writer de Dilma (ela não tem capacidade de escrever um bilhete com um pouco mais de duas linhas) deve ter pegado esta sátira do fidagal inimigo do socialismo, F. Bastiat, para construir um emaranhado de bobagens que só vale a leitura para poder rebater, um por um, os sofismas e falácias.

Não vou me dar ao trabalho de analisar em detalhes o discurso. Seria penoso, entediante e não paga o preço. Quero apenas destacar que a principal mensagem que a "presidAnta" envia a seus comandados é a de partirem para a guerra da propaganda, com todas as suas forças. Não bastasse o cipoal de mentiras que o marqueteiro João Santana fez parecerem verdades na campanha eleitoral, a autista não pede que se trabalhe, que se façam todos os esforços para debelar a crise que eles próprios criaram. Ela quer que as pessoas pensem que a crise não existe. Ela quer continuar enganando, mantendo as pessoas na ilha da Fantasia, no mundo do faz-de-conta que o PT inventou.

É por essas e por todo o histórico que acredito que ela não termina o segundo mandato. É importante que as pessoas se mantenham vigilantes. A cretina e seus comparsas farão o diabo para se manter no poder. Nós é que temos que fazer garantir o cumprimento da Constituição e das Leis neste país. Mesmo que isso venha a ter um preço maior do que gostaríamos.