"De tanto ver triumphar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver prosperar a deshonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Ruy Barbosa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Só no Brasil?

Deu no NYT: - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos disse no sábado que não há evidência de que a Zika tenha causado qualquer caso de microcefalia no seu país, embora 3.177 mulheres grávidas tenham sido diagnosticadas com o vírus.

Será que este é um privilégio das brasileiras?

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Hemiplegia da imprensa oficial

Em Cuba ou em qualquer lugar onde os meios de comunicação são dominados pelo Estado, o que se vê é um descolamento gigantesco entre a realidade e o quadro oficial apresentado pela imprensa. YOANI SÁNCHEZ, blogueira cubana, que em visita ao Brasil foi molestada e agredida pelas hostes petistas dá o seu testemunho. Qualquer semelhança NÃO é MERA COINCIDÊNCIA.

Hemiplegia da imprensa oficial

Às vezes eu gostaria de morar nesse país que mostram na televisão. Essa nação de esperança divulgada pela imprensa oficial, que tem os tons rosa do sonho. Um lugar de adereços e slogans, onde as fábricas superam a sua produção e os funcionários são declarados "heróis do trabalho". Nessa Cuba que salta das antenas e atinge nossa tela, não há espaço para a doença, dor, frustração ou impaciência.

A imprensa oficial cubana tentou abordar a realidade do país nos últimos anos. Vários rostos jovens têm chegado à programação da televisão para informar sobre as omissões administrativas, o mau funcionamento de um serviço ou queixas de consumidores sobre trâmites burocráticos. Mas, ainda assim, o jornalismo estatal ainda está longe da objetividade e respeito pela verdade.


A imprensa oficial tem tentado aproximar a realidade do país nos últimos anos, mas permanece longe da objetividade e respeito pela verdade. Televisão, rádio e jornais são mantidos sob estrito monopólio do Partido Comunista e não só pela sua subordinação ideológica, mas também porque eles são financiados com os cofres do Estado - dinheiro que pertence a todos os cubanos e é usado para manter uma linha editorial tendenciosa que não representa a complexidade nacional.

Os temas abordados pelos jornalistas dessa imprensa partidária representam os interesses de uma ideologia e um grupo no poder, não da totalidade do país. Nunca se atrevem, por exemplo, a questionar em suas reportagens às autoridades, o sistema político em vigor, os órgãos de segurança do Estado ou a conduta da polícia, entre outros temas tabu.

No entanto, onde a imprensa oficial mais trai os preceitos de uma informação mais equilibrada e imparcial é na transmissão dos testemunhos, nas vozes que acomoda e os critérios divulgados. Pela obra e graça da censura jornalística, só têm acesso ao microfone quem concorda com o governo e aplaude a atuação dos dirigentes.

Eles nunca entrevistaram alguém que diverge, é contra ou considera que o país deveria passar por outros caminhos políticos e econômicos. A unanimidade segue enchendo as primeiras páginas e noticiários, embora faz muito tempo que a dissidência é ouvida em alto e bom som nos ônibus, lojas, corredores das instituições e até mesmo em salas de aula.

No início deste ano, uma série de reportagens encheu o espaço televisivo. Os protagonistas eram jovens que reivindicavam viver no "melhor de todos os países possíveis," eles sorriam com a certeza do futuro e não sonham em emigrar. Não foi incluído entre as opiniões quem está em processo de deixar Cuba, se sente frustrado com suas perspectivas de carreira ou tem que mergulhar na ilegalidade para sobreviver.

A unanimidade segue enchendo as primeiras páginas e notícias, embora há muito tempo que a dissidência é ouvida alto no ônibus ou lojas
Nem um único comerciante ou proprietário reclama sobre os impostos elevados nas cerca de 70.000 horas de transmissões de televisão por ano. Os pais que estão preocupados com o aumento da violência nas ruas cubanas tampouco encontram um espaço na mídia, e as mulheres espancadas por seus maridos não aparecem pedindo uma lei para protegê-las de abusos. A discriminação racial aparece somente na boca dos estudiosos que abordam a questão de maneira hesitante, enquanto que nenhum cidadão questiona os preços altíssimos nas lojas estatais.

Os professores que não conseguem salários para ter uma vida decente não encontram eco em suas demandas nos meios de comunicação, nem os dissidentes espancados exigem respeito por suas opiniões. O preso que denuncia as más condições nas prisões não têm uma chance em frente às câmeras, nem os pacientes que foram vítimas de violações da ética médica ou maus-tratos no sistema de saúde pública.

Toda a área de Cuba, a área mais ampla, está fora dos meios autorizados. Porque a imprensa oficial cubana não exerce o jornalismo, mas o proselitismo. Embora muitos profissionais tenham se formado em universidades e pós-graduação, eles não têm a liberdade de exercer o seu trabalho informativo. Em vez de procurar a verdade, tentam impor um critério. O que eles fazem não pode sequer ser chamado de "notícias".

“Esquisitíssimos, retrógrados ou apenas lulopetistas”, artigo de José Aníbal

Escrevo na terça para meia dúzia de leitores na Quarta-Feira de Cinzas. Mas o faço com disposição e, talvez, vã expectativa de que para algo sirva, especialmente aos parlamentares e aos que ainda têm ânimo para caraminholar sobre saídas para a encrenca em que estamos metidos.

Pelo Estadão da segunda-feira de Carnaval ficamos sabendo do emagrecimento de 8 dos 9 principais programas sociais do governo em 2015 na comparação com 2014. A principal vítima foi o Bolsa Família. Teve R$ 1 bilhão a mais em 2015, mas, descontada a inflação, perdeu 5% de valor comparado a 2014. O Bolsa Família é o único programa de transferência de renda que não é indexado pela inflação. Quer dizer, o governo pode cortar os recursos sem precisar fazer pedaladas. É possível fazer diferente?

No Brasil, os 20% mais pobres da população se apropriam de menos de 4% da renda nacional. Um programa de ajuste fiscal é perfeitamente compatível, não apenas com a manutenção da renda deste grupo, como até mesmo com a ampliação da participação destes brasileiros mais pobres na renda nacional. Com este governo, infelizmente não é assim. Sua política de ajuste é um conjunto de impulsos sucessivos que agravam a situação das deterioradas contas públicas e empobrecem ainda mais a população.

Agora, o governo se propõe a transformar o déficit primário de R$ 60 bilhões em 2015 em superávit primário de R$ 24 bilhões em 2016. A conta não bate! A despesa contratada do governo federal crescerá R$ 75 bilhões este ano, de acordo com a lei orçamentária. Mais R$ 60 bilhões para cobrir o déficit primário de 2015, mais R$ 24 bilhões de arrecadação extra para cumprir a meta do superávit primário. Vai precisar, portanto de R$ 160 bilhões a mais num ano de recessão já estimada entre 3% e 4% do PIB. Para atingir seu objetivo sem pedaladas e outras transgressões, a arrecadação deveria ter crescimento real de 7% a 8% este ano. Nem Dilma, nem Barbosa, nem ninguém acredita nesta pegadinha/pegadona.

Dá para entender – não para concordar – por que o governo está tão obcecado por encontrar novos meios de rapinar a sociedade com mais impostos. Até o picolé/sorvete e o chocolate estão sendo punidos com aumento de impostos.  A sanha tributária avança sobre aqueles que foram mais competitivos e aumentaram as vendas no ano passado. A CPMF, sonho de verão do governo e razão principal da ida de Dilma ao Congresso, já recebeu o merecido repúdio da maioria dos parlamentares. Enquanto isso, o governo, que deveria dar o exemplo reduzindo os próprios gastos, fica no lero-lero de sempre, incapaz de cortar os excessos na máquina gorda e corrupta montada pelo lulopetismo.
Ainda no Estadão, mas no domingo de Carnaval, dois textos merecem leitura atenta pelo que podem e devem contribuir ao bom debate: “O certo e o errado”, de FHC, e “Retomar o fio da meada”, de Luiz Werneck Vianna.

Vianna começa mencionando que em abril de 2014 ele, “intrigado com a falta de previsibilidade sobre a natureza da situação que já então nos afligia, arriscou-se a caracterizá-la como esquisita”. Hoje, depois da sucessão presidencial, de Levy e Barbosa, do impeachment, da Lava Jato afetando os partidos e atingindo Lula, Vianna diz que cabe o reparo: “a situação está esquisitíssima e é de alto risco para a democracia brasileira”.  Em seguida, continua: “Estamos, agora, no reino da imprevisibilidade, condenados a marchar nas trevas, uma vez que o passado não mais ilumina o futuro, uma vez que deixamos escapar, por manobras erráticas e ambições de poder, o rico repertório que criamos ao longo das lutas contra o regime militar e nos conduziu à democratização do País”. Viana faz menção a importantes episódios ocorridos desde então, de oportunidades criadas e perdidas, para concluir que “nosso destino vai depender da batalha de ideias, que, aliás, já começou”.

FHC escreve no início: “Em meio ao desmoronamento, o lulopetismo procura embaçar a vista de quem assiste à sua queda dizendo que tudo não passa de uma trama ‘da direita’ para desacreditá-lo por ser ‘de esquerda’. (…) Boa parte dos atuais lulopetistas tampouco são de esquerda, defendem ou creem apenas em noções atrasadas”. “Por isso cabe aos políticos de oposição, na luta ideológica, continuar a desmantelar as fortalezas do atraso. Além de desmontar o argumento da ‘armação jurídica’, é preciso reduzir ao ridículo a ladainha de que a crise atual decorre de fatores externos.”

Para FHC, é hora de reconquistar a confiança da sociedade, fazer agenda de reformas, descartar os anabolizantes do lulopetismo que tantos desastres produziram e retomar as aspirações da Constituição de 1988, “contra a qual o PT votou, por julgá-la conservadora: um Brasil democrático, não apenas mais desenvolvido, mas, sobretudo, socialmente mais justo”.

Ao final, FHC diz: “Há forças capazes de corrigir os desatinos cometidos. Para isso é preciso que lideranças não comprometidas com o lulopetismo, apoiadas pelos grupos sociais que nunca se deixaram ou não se deixam mais seduzir por seu falso encanto, assumam sua responsabilidade histórica, dentro da Constituição, para fazer o certo em benefício do povo e do País”.

Que todos tenham uma boa Quarta-feira de Cinzas e um bom ano depois das curtições do Carnaval!

Reinaldo, o vaidoso inútil

Apesar do passado confessadamente esquerdista, não concordo com essa campanha contra o Reinaldo Azevedo, colocando-o entre os fingidos, os traidores da direita, o canalha a ser combatido, por causa de suas posições contra o deputado Jair Bolsonaro.

Penso que Reinaldo passou a criticar a esquerda e seus próceres por ter enxergado um pouco mais do que antes, a ação nefasta, daninha, corrupta, criminosa, aproveitadora, doutrinadora e atrasada dos representantes da ideologia marxista, e por ter visto que essa gente, além de incompetente, tem um plano de manter o poder pelo poder, e espolia a nação, em proveito próprio, sem pudor, nas barbas de seus adversários, e nenhuma voz de peso existe para combatê-los. Descobriu, portanto, um nicho. Escreveu as palavras certas, construiu o discurso apropriado, e conquistou um público ávido por escutar (ler) uma mensagem contrária aos bandoleiros que tomaram o país de assalto, desde 2002.

Esta grande massa de seguidores, fãs, aliados, ou seja lá o que for, é, hoje, principalmente uma fonte de dinheiro, mas também, um dos maiores problemas do dublê de blogueiro e radialista. É aquela velha estória: "dê poder a um homem, e verás quem ele é". RA não tem, propriamente, poder. Ele nada decide. Porém, influencia uma grande quantidade de pessoas, com suas postagens no blog que mantém no site de Veja, nos artigos que publica no Estadão ou no programa de rádio da Jovem Pan. Por esses meios, divulga, muitas vezes, sem qualquer cuidado com o modo como faz isso, opiniões, conceitos e julgamentos sobre fatos e pessoas bastante questionáveis, apressados ou imprecisos. O sucesso parece ter lhe subido à cabeça. Já o vi, mais de uma vez, desprezar a opinião contrária, menosprezar os adversários, esculhambar as pessoas e a audiência, uma vez que "isso tenho de sobra". O "tio Rei", como gosta de ser chamado, é apenas uma sombra mal delineada do que foi. E decepciona a todos, não por combater o deputado, mas, por querer ser o senhor da razão, por se achar melhor do que os outros, por ter a presunção de que é a única voz que merece ser ouvida. Este é o seu verdadeiro pecado. Ele próprio diz que não é "da direita". Não se pode cobrar isso dele.

"A vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve.", já ensinava Augusto Cury. É assim que hoje vejo o Reinaldo Azevedo: um burro falante em desenvolvimento (mais um a infestar o cenário político/jornalístico nacional). Não sei se ele tem salvação. Talvez tenha a sorte de receber mais uma lição da vida e seja obrigado a abaixar sua bolinha, que é muito menor do que ele pensa que é. A conferir.


"Somos todos Lula"

Nunca pensei que iria publicar nessas páginas um texto do jornalista Élio Gaspari. Mas, como
sou de valorizar o que é para ser valorizado, aqui vai.
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O comissariado petista inspirou-se num sonho de Farah Diba, a ex-imperatriz do Irã

No domingo de carnaval os repórteres Vera Rosa e Ricardo Galhardo revelaram que, durante uma reunião com Lula, dirigentes do PT sugeriram a criação de uma rede de apoio a Nosso Guia com o slogan “Somos todos Lula”. Seria algo como o famoso “Je suis Charlie”, criado depois do ataque terrorista à redação do “Charlie Hebdo”. Seria, mas jamais será.

Puxando-se pela memória, a ideia ecoa uma proposta feita em 1978 pela imperatriz Farah Diba, do Irã. Seu país estava conflagrado, com milhões de pessoas na ruas pedindo o fim da monarquia mequetrefe de seu marido, o xá Reza Pahlevi. Farah vivera em Paris e lembrou que em 1968, quando os estudantes franceses pediam a renúncia do presidente Charles de Gaulle, o velho general convocou seus partidários para uma marcha pela avenida Champs Elysées. Um ministro interrompeu-a:

— Talvez consigamos fazer uma marcha como a de De Gaulle, mas só em Paris.

Era lá que estavam os iranianos endinheirados que haviam fugido do país e lá passava a maior parte do tempo a princesa Ashraf, irmã gêmea de Reza. Semanas depois de propor a marcha, Farah e o marido saíram às pressas de Teerã. Ela não teve tempo para limpar direito sua escrivaninha.

“Somos todos Lula”, quem, cara pálida? Nosso Guia queixa-se de que ninguém o defende. Nem ele, pois até agora não deu uma só explicação para seus confortos. Some-se a isso que jamais defendeu o comissário José Dirceu. Talvez não achasse argumentos para fazê-lo.

A vida deu a Lula um sentimento de onipotência que em certos momentos soa irracional, mas é sempre compreensível. Ele e sua mulher, Marisa, saíram daquele Brasil que tem tudo para dar errado. O retirante pernambucano cresceu na pobreza de uma família desestruturada. Sua primeira mulher, grávida, morreu num hospital público. Marisa, seu segundo matrimônio, fora casada com um taxista assassinado, cujo carro passou a ser dirigido pelo pai, também assassinado.

Como dirigente sindical, Lula comandou duas greves históricas que projetaram-no nacionalmente. Ambas resultaram em perdas financeiras para os grevistas, mas isso tornou-se uma irrelevância. Candidatou-se ao governo de São Paulo em 1982 e ficou em terceiro lugar, com 1,1 milhão de votos contra 5,2 milhões de Franco Montoro. Disputou quatro vezes a Presidência da República e perdeu duas eleições no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso.

Metamorfose ambulante, superou todas as adversidades. Elegeu-se, reelegeu-se, colocou um poste na sua cadeira e ajudou a permanência de Dilma Rousseff no Planalto, dando ao PT um predomínio inédito na história do país. Conta a lenda que um áulico atribuiu-lhe a cura de um câncer de um colaborador.

Lula acredita na própria invulnerabilidade. Para quem se reelegeu depois do escândalo do mensalão, tem boas razões para isso. A ideia de multidões vestindo camisetas com a inscrição “Somos todos Lula” reflete o modo de fazer política de um comissariado intelectual e politicamente exausto. Noves fora a piada de que esse poderia ser o uniforme da bancada de Curitiba, marquetagens desse tipo exauriram-se.

É impossível especular como ele sairá das encrencas em que se meteu, mas uma coisa é certa: seus maiores aliados, como sempre, são os seus adversários.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Uma alma desonesta

por Demétrio Magnoli

Há muitas coisas incomuns nas atividades de Lula e nos negócios de seus filhos

A melhor coisa do Brasil é Lula, segundo Lula. “Se tem uma coisa de que eu me orgulho neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu”, confessou o ex-presidente a uma plateia de blogueiros aduladores. Na conversa, ninguém produziu uma tentativa de distinção entre honestidade pessoal e honestidade política. Mas são conceitos diferentes. No plano pessoal, o julgamento da honestidade de Lula não cabe a ele — e permanece em suspenso. No plano político, provavelmente “não tem uma viva alma” mais desonesta que ele “neste país”.

Um boneco de FH com trajes de presidiário surgiu muitos anos atrás, carregado por sindicalistas da área de influência de Lula. O precedente não torna menos reprováveis os “pixulecos” que representam Lula em condições similares. Aquilo que, nos tempos de oposição, o PT classificava como parte da luta política legítima deve ser entendido como um elemento da degeneração sectária de nossa vida democrática. Lula é inocente até que, eventualmente, sua culpa seja provada no curso do devido processo legal. Mas, como disse Dilma Rousseff, o ex-presidente não está acima da lei e pode ser investigado, tanto quanto qualquer cidadão.

Não é, aparentemente, o que pensa o próprio Lula. Dias atrás, seu fiel escudeiro Gilberto Carvalho denunciou uma suposta “politização” das investigações que miram Lula e seus familiares. De acordo com ele, tudo não passaria de uma sórdida campanha destinada a impedir a “volta de Lula” no ano da graça de 2018. As declarações, altamente “politizadas”, implicam uma grave acusação contra o Ministério Público, que comanda as investigações, a Polícia Federal, que as conduz, e o Poder Judiciário, que as controla. Carvalho, a voz de Lula, está sugerindo que as três instituições operam segundo um ardiloso plano político-partidário. É uma alegação paralela à de Eduardo Cunha — e um sintoma de temor típico dos que têm algo a esconder.

Há muitas coisas incomuns nas atividades de Lula e nos negócios de seus filhos. Quando um ex-presidente que continua a exercer influência decisiva no governo profere palestras patrocinadas por empreiteiras condenadas no escândalo do petrolão e remuneradas em valores extraordinários, emerge uma natural desconfiança. Quando os negócios de um de seus filhos recebem impulso notável de uma empresa de telefonia beneficiada por alteração no marco regulatório decidida pelo governo de Lula, algo parece fora de lugar. Quando os negócios de outro filho se misturam aos de um lobista preso por corrupção, a coincidência solicita investigação. Lula é, pessoalmente, desonesto? A pergunta tornou-se razoável, mas uma resposta negativa carece de fundamento e, antes de um processo, deve ser marcada com a etiqueta da calúnia.

A imputação de desonestidade política, por outro lado, depende da opinião pública e, em certos casos, do Congresso, não dos tribunais. O tema pertence ao universo da ética e varia, no tempo e no espaço, ao sabor dos valores sociais hegemônicos. Nas repúblicas democráticas contemporâneas, a sujeição do Estado a interesses políticos particulares e o desvio de recursos públicos para fins partidários caracterizam a desonestidade política. Nesse sentido, Lula é uma alma desonesta.

As provas estão à vista de todos, a começar da “entrevista” concedida aos bajuladores. A existência de blogueiros chapa-branca não é um problema, mas seu financiamento com recursos de empresas estatais (a Petrobras, a Caixa, o Banco do Brasil, os Correios) infringe o princípio da impessoalidade da administração pública. A nomeação de diretores da Petrobras segundo critérios partidários, conduta defendida por Dilma, que está na raiz do petrolão, é uma forma de privatização do Estado. O uso da Petrobras como patrocinadora do Fórum Social Mundial, um encontro de ativistas de esquerda simpáticos ao PT, faz parte da mesma classe de práticas. Jaques Wagner nunca criticou tais iniciativas, mas reconheceu que o PT “se lambuzou” no poder. Lula chefiou a farra dos “lambuzados”, assegurando para si mesmo um lugar de honra no panteão de nossa “elite de 500 anos”.

“A curiosidade é condição necessária, até mesmo a primeira das condições, para todo trabalho intelectual ou científico”, escreveu Amós Oz, acrescentando que “em minha opinião a curiosidade é também uma virtude moral”. Uma face ainda mais relevante, se bem que menos evidente, da desonestidade política de Lula é seu esforço para, em nome de seus interesses políticos, abolir a curiosidade do debate público brasileiro. Lula instaurou um paradigma nefasto na linguagem política que consiste em retrucar a qualquer crítica por meio de uma acusação de preconceito dirigida ao crítico.

O argumento do interlocutor não interessa. Ele critica para reagir à ascensão ao poder de um pobre que conheceu a fome, de um operário metalúrgico filho de mãe analfabeta. Ou para contestar a competência da primeira mulher a chegar à Presidência. Ou, alternativamente, com a finalidade de sabotar as políticas de combate à pobreza, de inclusão dos negros ou de proteção aos índios. O crítico é intrinsecamente mau. Se não o for, está a serviço da elite, de ambições estrangeiras ou de ambas. A linguagem política lulista, um relevo inescapável na paisagem brasileira, espalhou-se tão rapidamente quanto a dengue, as obras superfaturadas e o vício do crack. O assassino de nossa curiosidade é uma alma desonesta.

Lula colhe os frutos da árvore que plantou e, metodicamente, irrigou. Os fabricantes de “pixulecos” aprenderam a lição de sectarismo que ele ensinou. Aceitaram a divisão do país segundo as linhas do ódio político. Chamam-no de “ladrão” e “bandido” para circundar o caminho difícil do argumento. No país do impropério, do grito e da palavra de ordem, identificaram a escada do sucesso. O principal legado do lulismo é essa espécie peculiar de devastação ambiental.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Drone


Este "drone" é o Syma X5SC, com câmera HD, giroscópio de 6 eixos, tempo de vôo de 6 a 8 minutos, alcance de aproximadamente 50 metros, que você compra em Londres por menos de R$ 300. Filma e tira fotos. Sensacional.

Mulheres que amamos


Virginie Efira, nasceu na Bélgica, atriz, 38 anos, fez o papel de Alice Lantins em "20 ans d'écart".

Um Brasil em desmanche

por J. R. Guzzo

2015 foi o ano em que o Brasil Velho teve finalmente um duelo para valer com o século XXI. Todos estão cansados de saber que país é este. É o Brasil que desde a sua independência, 200 anos atrás, está aí para proteger, servir e enriquecer a minoria dos que dão ordens nos governos, os seus amigos e os que pagam para estar de bem com os que mandam.  É o Brasil da corrupção como método de governo e objetivo da vida pública ─ um condomínio gerido por gangues políticas cujo único propósito é controlar a máquina do Estado. Não há ideias nesse Brasil; só há interesses. O primeiro mandamento do político “competente”, ou “do ramo”, é aplicar as melhores técnicas para enganar um eleitorado em grande parte ignorante, pobre, indiferente a seus direitos e desinteressado de questões públicas. Aqui, os donos das decisões tratam como um absurdo o princípio pelo qual a lei deve ser igual para todos. Estão convencidos de que o fato de ganhar eleições, em geral através da prática de estelionato aberto em suas campanhas milionárias, lhes dá o direito de fazer o que bem entendem com o aparelho da administração pública. O Brasil Velho, em suma, é o Brasil em guerra permanente com o progresso, a mudança e o bem-estar da maioria.


Em 2015, o Brasil Velho perdeu. Não vai desaparecer assim de uma hora para outra, é claro, porque nada que resiste há dois séculos desaparece de uma hora para outra. Mas as coisas não serão mais como têm sido até hoje na vida pública brasileira; o futuro do Brasil Velho acabou. Ele é representado hoje, de corpo, alma e mente, pelo ex-presidente Lula, pelo Partido dos Trabalhadores e por essa trágica Dilma Rousseff com seu governo em decomposição ─ junto com os amigos, os magnatas que se tornaram companheiros e as quadrilhas que vivem de assaltar o Erário. Lula e todos os intendentes que estão em seu redor não perceberam o temporal que vinha se formando havia anos e desabou sobre eles em 2015 ─ escândalo após escândalo, fracasso após fracasso, flagrante após flagrante de mentira, fraude e incompetência para governar. Acharam que seu problema estava nos outros: na “mídia” que publica notícias de corrupção, nos “pessimistas” que registram o naufrágio econômico do país, na “oposição”, na Justiça que investiga a roubalheira, nos que simplesmente discordam. Com sua casa caindo, jamais pensaram que pudessem ter errado em alguma coisa.

Imaginaram-se ameaçados por um “golpe”. Convenceram a si próprios de que as maiores manifestações de rua que o Brasil já viveu eram um capricho das “elites”, coisa de “terraço gourmet”, e outras assombrosas bobagens do mesmo tipo. Comandaram, diretamente ou através da sua usina de propaganda nos meios de comunicação, uma campanha a favor da corrupção como jamais se viu por aqui e provavelmente em nenhum outro lugar do planeta. Trataram como vítimas empreiteiros de obras que são réus confessos no pagamento de propinas, e festejaram como heróis (“guerreiros do povo brasileiro”) criminosos condenados por corrupção. Continuaram acreditando, com fé religiosa, no Brasil dos privilégios, onde a polícia não prende e a Justiça não condena. Meteram-se numa operação desesperada para salvar o couro de um presidente da Câmara dos Deputados que 80% dos brasileiros querem ver deposto e cassado; tudo o que conseguiram, no fim das contas, foi o exato oposto do que pretendiam ─ um processo de impeachment no lombo da presidente da República. Mais que um crime, o Brasil Velho cometeu um erro. Não entendeu até agora qual foi o confronto real de 2015: o que pôs uma porção decisiva da sociedade brasileira contra as forças aqui descritas ─ o coletivo que se chama “oligarquia” e que foi absorvido, habitado e comandado por Lula e pelo PT em seus treze anos no governo. Esse lado não podia continuar ganhando sempre.

É o que mostram os fatos. Muitos dos seus chefes, que até outro dia estavam aí dando ordens, nomeando gente para empregos públicos e armando negócios de bilhões com dinheiro público, vivem hoje apavorados com a possibilidade real de ir para a cadeia a bordo de um camburão da Polícia Federal. Há um senador preso, sem data para sair ─ e ele é simplesmente o líder do governo no Senado. Estão no xadrez ou acabaram de sair o presidente da empreiteira de obras públicas número 1 do Brasil, o presidente da empreiteira número 2 e um banqueiro descrito até outro dia como estrela em ascensão irresistível na alta finança brasileira ─ especialmente aquela que vive em concubinato com o governo. Estão na mesma situação ex-deputados, ex-diretores da Petrobras, um ex-ministro de Estado, um vi­ce-almirante da armada, o último tesoureiro do PT, executivos “top de linha” e por aí vamos. Não existe nessa turma toda um único preto ou pobre ─ é só elite, e dentro dela há uma alarmante coleção de cidadãos que faz anos convivem em intimidade com o ex-presidente Lula, sua família e sua vizinhança. Só na Operação Lava Jato, a maior ofensiva contra a corrupção jamais feita neste país, mais de 100 suspeitos já foram presos, mais de trinta foram condenados, alguns várias vezes, num total de penas que somam quase 700 anos de prisão, e mais de vinte continuam na cadeia. Outros esperam suas sentenças usando o equipamento-símbolo destes dias de desmanche do Brasil Velho ─ a tornozeleira eletrônica que os impede de fugir.

Quem seria capaz de imaginar que coisas assim iriam acontecer um dia? Também não dava para prever que o maior líder político do país acabaria perdendo a sua situação de imunidade perante a lei, como ocorreu com doutores e excelências que hoje fazem parte da população carcerária nacional. Lula, neste momento, é ao mesmo tempo candidato a presidente e candidato ao presídio. Não está sendo ameaçado por suas ações políticas; seu problema, caso a Justiça decida que há indícios bem fundamentados de sua participação em algum delito, é que terá de se submeter a um processo penal, como todos os demais cidadãos brasileiros. É uma novidade, igualmente, o fato de não bastar mais mandar no governo, nem utilizar sua máquina e seus cofres, para se safar da vida real. A ocupante da cadeira teoricamente mais poderosa da República está hoje reduzida a um pano de estopa como pessoa pública, arrastada daqui para lá por deputados, senadores e todo um mundo de aproveitadores que têm o poder real de decidir se ela fica no cargo ou é deposta. Dilma conseguiu decair ao nível de desmoralização de um Fernando Collor. A maior realização do seu governo será escapar de um processo de impeachment humilhante, e que já começa muito mal.

O regime velho, ao afundar pelos quatro lados em 2015, deixou à vista de todos o embuste sem limites que foi a sua marca principal durante a fase Lula-Dilma-PT. Há, com certeza, discordâncias sérias quanto a essa observação. Para muitos, a corrupção frenética dos últimos treze anos é imbatível na disputa pelo título de pior pecado da era lulista: quando se roubou mais do Tesouro Nacional? Outros tantos acham que o desastre número 1 é a sua incompetência sobrenatural para governar o país no dia a dia das coisas práticas: o que dizer de um governo que chegou ao fim do ano ameaçado de não ter dinheiro para pagar suas contas de luz? Todas essas escolhas são corretas, mas talvez nada tenha mostrado tão bem a alma do Brasil atrasado, decadente e maligno que o PT liderou de 2003 para cá quanto a escolha da trapaça, pura e direta, como lei suprema da ação política e administrativa do governo. O Brasil de hoje é o Brasil do trem-bala, da transposição das águas do São Francisco e da entrada na Opep, entre outras miragens. Aqui o cidadão chega à classe média ganhando um salário mínimo por mês. Os governos que juraram “defender a Petrobras” provaram ser os seus piores inimigos; a empresa está em ruínas, quem investiu em suas ações tem hoje um mico miserável, e só por conta do petrolão, segundo a última perícia criminal, ela foi roubada em mais de 40 bilhões de reais. O “momento mágico” da economia que Lula garantiu ter criado é o que se vê aí: 9 milhões de desempregados, inflação de 10%, juros de agiotagem, o caixa do governo na porta da vara de falências. É um manifesto contra quem não é rico.

A mãe de todas as trapaças é o “resgate de 40 milhões” de brasileiros da pobreza, ou sabe-se lá quantos. Dezenas de países apresentam resultados melhores que os do Brasil no combate à miséria ─ com a vantagem de não terem caído, como aqui, numa recessão de 3,5% em 2015, e talvez outro tanto em 2016, o que tira dos pobres tudo aquilo que os governos Lula-Dilma disseram ter dado. Que progresso social é esse que faz com que as coisas andem para trás? O fato é que não transferiram “renda” nenhuma ─ apenas distribuíram dinheiro que não tinham e tomaram emprestado a juros extorsivos. O resultado é essa dívida pública monstro que hoje caminha para os 3 trilhões de reais e rende bilhões para a elite da elite, os “rentistas” com sobra no bolso para emprestar ao governo. Foram remunerados com cerca de 500 bilhões de reais em juros pagos pelo Tesouro em 2015 ─ mais que o total de gastos com o Bolsa Família desde a sua criação. A aritmética é essa. Ela indica que Lula e Dilma fazem há treze anos seguidos o mais agressivo governo em favor da minoria já visto neste país; disfarçam isso com falatório de palanque, mas seu grande programa, na verdade, foi o “Concentra Brasil”.

Ambos tentam tudo, agora, para salvar o que podem da sua opção por 200 anos de atraso. Mas estão tocando a Marcha Fúnebre. Não haverá uma nova Dilma. E não haverá outro Lula depois desse.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O burro falante e o marco civil da internet

Conselheiro ou Burro Falante é um personagem de livros do Sítio do Picapau Amarelo, que surgiu no primeiro livro da série e foi ganhando protagonismo desde que Emília o apelidou Conselheiro, por achá-lo ótimo para dar conselhos. Até aí, tudo bem, tudo muito interessante, no entanto, na vida real, confiar em burros falantes ou em certos "conselheiros" é que é o problema.

Outro "conselheiro", não menos falante, vem a público atacar a (sábia) decisão do desembargador Xavier de Souza, da justiça paulista, que cassou a estapafúrdia medida da juíza Sandra Marques, cujo decreto pretendia o bloqueio do WhatsApp por 48 horas em todo o país.

Alegando que empresas como o WhatsApp ou Facebook, atuando em território nacional,  estariam obrigadas a respeitar a legislação brasileira, o burro falante, quer dizer, o conselheiro, ataca em dois flancos: cita dívida do Facebook de 12 milhões em multas e, comparando as empresas a restaurantes, fornecedores de energia elétrica e universidades, afirma que eventual descumprimento de normas por parte de tais organizações permitiria o seu fechamento, temporário ou total. No caso, segundo ele, a infração foi ao famigerado e controverso Marco Civil da Internet.

Ora, vamos lá, o que usa na argumentação esse burro falante, quer dizer, conselheiro? Uma rápida busca na internet mostra que inúmeras instituições, concessões, empresas e organizações em geral são multadas, diariamente, por conta de conduta indevida, seja no cumprimento de sua atividade fim ou por não atender a uma determinação judicial. Isso é absolutamente normal. Em geral, a multa é sucedida por uma contestação onde se busca a adequação da penalidade em caso de infração provada, ou extinção da mesma se restar constatada a inocência ou inadequação da multa. Não sei em que pé se encontra o julgamento das multas impostas ao Facebook, mas, se ainda não foram pagas - é sabido que muitos de tais processos se arrastam por anos - é porque ainda não se esgotaram os inúmeros atos disponíveis aos advogados para cumprir o papel de defender os seus clientes. Isso também é inteiramente normal. Portanto, se consta inscrita uma dívida de R$ 12 milhões em nome do Facebook, e isso ainda não aconteceu, é preciso ser muito canalha para ignorar que o processo encontra-se em fase de julgamento ou recurso. Aliás, esta "dívida" ainda não existe, e a multa foi originada por outra recusa do WhatsApp de fornecer à justiça mensagens de suspeitos de tráfico internacional, podendo se esfumaçar se a decisão for favorável à empresa de Mark Zukerberg.

O burro falante, quer dizer, conselheiro, lembra também que qualquer empresa pode ser suspensa ou fechada por infringir a lei, e cita o marco civil como a base para a decisão inominável da juíza de São Bernardo do Campo - o WhatsApp teria ignorado pedido de informações em investigação criminal. Ao apontar que o bloqueio foi feito com base no Marco Civil, revela aquilo que já sabíamos: que este foi escrito para dar margem a interpretações indevidas e idiotas como essa, para permitir a intimidação e a censura. No texto aprovado do MCI está claro que o usuário está imune e tem o direito de consumir o que é melhor para si, utilizando o serviço de internet como bem entender.  Isso, aparentemente, nos daria a tranquilidade de que não seremos censurados ou impedidos de usar um recurso de internet que julgarmos de nosso agrado. No entanto, como permeia a nossa legislação, também ali foram deixadas as brechas que dão margem a esses absurdos, por exemplo, a alegação de que estariam fazendo coleta e tratamento irregular de dados pessoais, e assim, como confessa o burro falante, quer dizer, conselheiro, o decreto judicial ocorreu com base, sim, no infausto marco civil.

O que deseja, na verdade, o burro falante, quer dizer, conselheiro? Que o lixo do tal "marco civil da internet" se sobreponha à Constituição e que a liberdade de expressão, a livre iniciativa e milhões de usuários fiquem à mercê de juízes inconsequentes que vêem na censura e pressão econômica formas de obrigar que suas decisões, por mais idiotas e prejudiciais, sejam obedecidas sem se preocupar que atinjam milhões de consumidores e usuários apenas porque detém nas mãos uma caneta e uma legislação burra e autoritária, feita de encomenda para os poderosos de ocasião intimidarem adversários e concorrentes.

Felizmente, em poucas horas, a estupidez deu lugar à razão, e uma idéia extravagante, uma arbitrariedade, um capricho não prevaleceu. Mas, fica a pergunta: outras ações não virão? Outros togados não vão achar que uma lei absurda, idiota, pode ser usada em casos parecidos? Empresários, blogueiros, jornalistas, profissionais liberais e o público em geral não terão, sempre, a impressão que existe um cutelo, que depende de muito pouco para lhes cair sobre os pescoços se desagradarem ou não concordarem com os poderosos de ocasião? A conferir.

Salta aos olhos que o aparelhamento da máquina pública, em todas as suas esferas, é completo. A esquerda e suas vertentes autoritárias, estão em todo lugar, como um câncer. É por causa disso que precisamos tanto da educação de qualidade, isenta de ideologias e de doutrinadores (os não professores), voltada para promover a cidadania, o crescimento pessoal e comunitário, a formação de homens e mulheres que possuam discernimento e capacidade, para deixarem, cada vez mais, os burros falantes falando sozinhos.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Adeus, 2015! Tudo por fazer em 2016.

Afinal, chegamos! O último dia de 2015. Um ano que não vai deixar saudade. Sequer vale a pena relembrar os por quês. Eles são muitos, e remetem a perdas enormes, especialmente, da esperança, da alegria, do otimismo, da confiança e até da fé.

Não quero enveredar pela trilha do "eu avisei", "só vocês não viram" e "a culpa é de quem votou nela", mas não está fácil. Sim, há muitos culpados, e, claro, quem ainda pensava que estaria mantendo um projeto de governo voltado para os mais necessitados, de reforço das tais "conquistas sociais", não é tão culpado assim. É preciso não esquecer que, em primeiro lugar, eles foram enganados. Caíram, de novo, no canto da sereia. Pensando bem, um ano que começou sob o signo da renovação do mandato da Dilma, obtido, sabe-se lá sob que condições, não podia ser bom, nem acabar bem.

Os verdadeiros culpados são os que há 13 anos logram a nação, vendem gato por lebre, se aproveitam da boa vontade e da inocência do povo, iludem os pobres, alimentam programas que fazem o eleitorado refém, não se envergonham de assaltar os cofres públicos, sobrevivem às custas de negociatas e tráfico de influência, solapam as instituições para manter seus privilégios, destroem reputações, mentem, distorcem, fazem o diabo, apenas, em nome do poder. O poder pelo poder. Em nada são competentes. Só tem criatividade para engendrar esquemas, corromper, roubar. Não precisa fazer muita pesquisa para concluir isto. Ao longo de todos esses anos, nada se fez para mudar a cara do país: a educação consegue estar pior do era, a segurança é um desastre - milhares de mortos por ano, fronteiras que mais parecem um queijo suiço, crescimento exponencial do tráfico de drogas; a saúde é caótica, hospitais sucateados, profissionais mal pagos, falta tudo. Da economia é melhor não falar. Que país aguentaria 8 anos de Guido Mantega? A sucessão de erros macro e micro econômicos é assustadora, e, aterradora. Planejamento e execução não existem. Que obra foi concluída? Que obra não se contaminou pela corrupção, pelo superfaturamento, pelo desvio? Quantas ainda estão aí, com custos quintuplicados, decaduplicados? Como sobreviver com 39 ministérios? Como fazer toda esta burocracia produzir um mínimo que se reverta aos pagadores de impostos?

E como se gasta! Só que se gasta muito mal. Não bastasse os cartões corporativos - sorvedouro de milhões, gastos sem comprovação -, não bastasse o desperdício, como recentemente, na COP-21, onde R$ 1,5 milhão (o total deve passar dos R$ 2 milhões) foram jogados no lixo, não bastasse o aparelhamento e consequente inchaço da máquina pública, não bastassem as obras inacabados e com custos aumentados, não bastasse a falta de previsão, não bastasse a interminável lista de escândalos, ainda zombam da inteligência alheia - parlamentares governistas fazem as declarações mais estafúrdias e odiosas, nada produzem e agem como vestais enquanto vivem de tenebrosas transações; ministros do STF, contrabandeados para dentro do órgão, agridem a Constituição, enganam em seus pareceres, decidem a favor da raposa, conscientemente, em pagamento de favores e nomeações, esculhambando o equilíbrio e a harmonia entre os poderes - bagunçando a república.

Quem está pagando a conta da incúria, da roubalheira, da incompetência? Até o morador de uma comunidade ribeirinha, no interior da Amazônia, sabe. E, sabe que é um dos maiores prejudicados. Não fosse esse período perdido, e a vida dele provavelmente estaria melhor. O salto de qualidade, o crescimento econômico, o aprimoramento institucional, a melhoria dos serviços públicos, cujas bases foram lançadas com a estabilidade da moeda, quase ausência de inflação, privatizações, estímulos à educação, investimentos privados, instituições funcionando, ambiente de negócios confiável, foi substituído por um desejo de se manter no poder a qualquer preço, corrupção endêmica e incompetência generalizada.

Infelizmente, nada temos a comemorar. Muito ao contrário, só temos a lamentar.

Para 2016, só há uma coisa a fazer, prioridade das prioridades: tirar o PT do poder. Não há nada mais importante do que isso. É uma questão de sobrevivência. O estrago promovido pelo partido é gigantesco, comparável ao desastre causado pela Samarco no rio Doce, suficiente para nos ocupar na recuperação durante décadas. Há inúmeras razões para defestrá-los: desde a apuração fraudulenta das eleições de 2014, gestão temerária, incluindo a corrupção endêmica, pedaladas fiscais, destruição da Petrobras e a falência econômica. A principal, no entanto, é o escárnio com o público, e desdém pela opinião contrária, é a falta de vergonha e a desfaçatez com que eles lidam com os assuntos de Estado. Chegou a hora. Vamos pra rua, apoiar o impeachment, mostrar aos parlamentares que o governo acabou. Falta credibilidade, falta apoio popular, falta base parlamentar, falta tudo!

Trouxeram as coisas a um ponto onde há tudo por fazer. É reconstrução, mesmo! Sai pra lá, 2015! Quero esquecer que vivi todos esses 365 dias. E que Deus nos ajude nessa luta! 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Apesar de vocês

TEXTO DE EDUARDO AFONSO:

Meu caro Chico,

Me perdoe, por favor se a minha admiração não é mais irrestrita. Hoje você apoia quem manda roubar, roubou e tem roubado, não tem discussão. Não se importa em ver a Pátria Mãe, tão distraída ser subtraída em tenebrosas transações.

O que será que lhe dá, pra defender quem não tem decência, nem nunca terá, quem não tem vergonha, nem nunca terá, quem não tem limite?

Cantei cada uma das suas canções como se fosse a última. Li cada livro seu como se fosse o único. E, olhos nos olhos, dói ver o que você faz ao defender quem corrompe, engana e mente demais.

Não é por estar na sua presença, mas você vai mal. Vai mal demais. Eu te vejo sumir por aí, arruinando a biografia - que se arrasta no chão -, cúmplice de malandro com aparato de malandro oficial, malandro investigado na Polícia Federal.

É, Chico, você tá diferente, já não te conheço mais. Quem te viu, quem te vê. - trocando em miúdos, pode guardar as sobras de tudo que não conseguirem roubar. Apesar de você - e do PT - amanhã há de ser outro dia


sábado, 19 de dezembro de 2015

Na corte de Bolívar

Por Ruy Fabiano

“Existe um projeto de bolivarização da Corte. Assim como se opera em outros ramos do estado, também se pretende fazer isso no tribunal e, infelizmente, ontem tivemos mostras disso”.

A frase não é de um oposicionista (personagem, aliás, em extinção), contrariado com as manobras anti-impeachment do STF, perpetradas quinta-feira passada, mas de um ilustre integrante daquela Corte, de que já foi presidente, o ministro Gilmar Mendes.

De fato, o Supremo, ao se atribuir a prerrogativa, que não tem, de estabelecer o rito do processo de impeachment, que a Constituição atribui às duas casas do Congresso, bagunçou – e aviltou - ainda mais o quadro político-institucional do país.

Legislou, reinterpretou a Constituição e, ao final, ainda nas palavras de Mendes, ao “fazer artificialismos jurídicos para tentar salvar (a presidente)”, colocou “um balão de oxigênio em quem já tem morte cerebral”. Ou seja, deu sobrevida a um cadáver político e reduziu ainda mais a taxa de esperança do país.

O julgamento do recurso impetrado pelo PCdoB, que pedia (e obteve) a impugnação da sessão da Câmara, que deu início ao rito processual do impeachment, teve ares de pantomima.

Quando se soube que a relatoria caberia ao ministro Edson Fachin - um dos prováveis seis ministros a que a presidente Dilma aludiu recentemente como seus -, pensou-se que faria exatamente o contrário do que fez. Ele e Dias Toffoli são vistos como os mais identificados com o PT – e Fachin chegou a subir em um palanque, em 2010, para pedir votos a Dilma.

Pois bem: foram eles que, para surpresa geral, se opuseram com mais veemência às pretensões do PCdoB. Eles e Gilmar Mendes, só que aí não houve surpresa, já que Mendes não é da turma. Essa isenção inesperada deixou mais à vontade os menos suspeitos para a ação intervencionista/governista, que, embora não impeça, dificulta o desenrolar do processo.

Não é a primeira vez que o governo apela à sabotagem. Tentou-a antes no TCU, quando do julgamento das pedaladas, obtendo sucessivos adiamentos e fazendo do advogado geral da União, Luiz Inácio Adams, um lobista, no corpo a corpo com aqueles ministros. Não funcionou e a presidente foi condenada por unanimidade, dando lastro jurídico ao impeachment.

Na mesma quinta-feira em que o STF dava uma rasteira na Constituição, o TSE fazia sua parte: mandava arquivar representação contra a campanha eleitoral de Dilma Rousseff por uso indevido dos Correios na eleição do ano passado.

Uma decisão estarrecedora, já que desconsiderou confissão do próprio réu – no caso, os Correios. As acusações do PSDB contra os Correios basearam-se em vídeos; portanto, em evidências.

Num deles, registra-se uma reunião com dirigentes dos Correios em Minas Gerais, em que o deputado estadual petista Durval Ângelo, na presença do presidente daquela estatal, Wagner Pinheiro, afirma que Dilma só chegou a 40% das intenções de votos no estado porque "tem dedo forte dos petistas dos Correios".

E pede a Wagner Pinheiro que informe à direção nacional do partido sobre "a grande contribuição que os Correios estão fazendo" nas campanhas – mencionando também a de Fernando Pimentel, hoje governador de Minas e investigado pela Polícia Federal.

O TSE considerou, vejam só, que o vídeo não deixa claro qual é a "grande contribuição" que os Correios estariam fazendo. De fato, um enigma. Por aí, assunto encerrado. Resta ver como o TSE avaliará os aportes de dinheiro roubado do Petrolão, que, segundo delações premiadas (isto é, confissões) de empreiteiros, nutriram a campanha de Dilma. Espera-se que haja clareza nesse quesito.

No caso do STF, não havendo a quem apelar, já que se trata da Corte Suprema, resta aguardar que os dois fatores que escapam ao controle palaciano – economia e Lava Jato - façam sua parte.

A economia acaba de sofrer mais um revés, com novo rebaixamento do país por uma agência de avaliação de risco, acrescida da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. E a Lava Jato efetuou mais uma operação, de nome Catilinárias, esta semana, cercando gente graúda do PMDB e do governo.

Como não há oposição parlamentar – à exceção de meia dúzia de voluntariosos -, o cenário político transformou-se numa corrida de gato atrás do rato. Os gatos são os camburões da Polícia Federal, e os ratos os que chamam impeachment de golpe.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ricardo Noblat: o vale-tudo de Lula é transgressão e golpe


Com água (suja, diga-se) chegando ao pescoço, Lula entrou em campo para o que for. Fez mudanças no governo, aumentando a tutela sobre Dilma. Agora, opera para evitar a ida do amiguinho Bumlai à CPI do BNDES. É o mais forte indicativo de que Bumlai pode comprometê-lo pelos favores expropriatórios que ele concedeu ao “compadre”, com dinheiro público. Uma espécie de batom na cueca (de Lula). Também é notória sua atuação para colocar Henrique Meirelles no lugar de Joaquim Levy. Com amplos poderes, Meirelles representará a total sujeição de Dilma ao vale-tudo de Lula com a intenção de manter a sangria que impõe aos brasileiros.

Para carimbar a possibilidade do impeachment como golpe, Lula conseguiu uma declaração de outro apadrinhado seu, nada menos que o presidente do STF. Inacreditável que um ministro do Supremo, exercendo a presidência da Corte, entre na arena das disputas políticas como uma espécie de cabo eleitoral. Na contramão do que pensam e vivem todos os brasileiros, Lewandowski se superou dizendo que “há uma crise, a meu ver artificial”. No castelo que vive o presidente do STF, o Brasil deve ser apenas um acidente geográfico. Que isenção terá o ministro em qualquer julgamento que venha a ocorrer sobre os malfeitos deste governo e o de Lula? Apesar do seu presidente, o colegiado do Supremo, por unanimidade e em sintonia com o desejo da sociedade, votou contra o dispositivo para “doações ocultas” que tinha sido aprovado no Congresso.

Aqui chegamos ao ponto. Os brasileiros estão sofrendo com uma realidade cada dia mais adversa: desemprego, inadimplência, falências, diminuição de renda, desesperança. Quem devia governar não o faz. Mas o tutor não tem pudor algum. Ao invés de buscar algum entendimento para sair da crise, acentua suas práticas transgressoras para manter um poder que só tem uma serventia: continuar com as predações, agora em ritmo de fim de feira, que praticam desde 2003. É a logística reversa e perversa do lulopetismo: se aos olhos da nação não temos mais mérito, vamos, cinicamente, partir para o vale-tudo contando com a imobilidade desse povão do Brasil. Por quanto tempo mais vão poder contar com a insegurança, o medo e a exasperação da sociedade?

Ao conjunto de indicações cotidianas sobre o agravamento da crise vemos que as expectativas para 2016 são assustadoras: pode ser igual ou pior do que o ano que termina. No desastre acabado da crise em que Dilma mergulhou o setor elétrico, o astucioso ministro de Minas e Energia nos acena com mais uma expropriação na conta de luz. Diz ele que as indenizações de 20 bilhões de reais às empresas de transmissão, causadas pela MP da ruína (579, set.2012), serão pagas pelo aumento das contas de luz a partir de 2019 ou 2020! Este governo é isto: destrói o presente e vai devastando o futuro.

A cobrança às oposições por alternativas é frequente. O senador José Serra respondeu esta semana de forma singela e objetiva: “O Brasil precisa de um governo novo”. Serra disse também que Dilma não tem condições de promover uma união nacional, recuperar a credibilidade e iniciar um ciclo virtuoso. Como disse um cientista político, mais que a dominância fiscal, vivemos a dominância política. Com Dilma não dá. A cada dia, tudo vai se agravar e mais se comprometerá o futuro. A ideia de golpe nada mais é que uma esperta dissimulação do ardente e insano desejo de Dilma, Lula e do PT de continuar nos golpeando.


sábado, 14 de novembro de 2015

A guerra é o caminho, inexorável.

Os acontecimentos da sexta-feira 13, em Paris, são mais uma mostra de que a humanidade caminha para uma reciclagem. As forças da intolerância, do ódio, do racismo, do totalitarismo, da xenofobia, estão prevalecendo, em toda parte. O preconceito e a discriminação estão nos conduzindo a um inevitável e, por muitos desejado, confronto. E assim como de outras vezes, milhões vão sucumbir por causa das idéias e vontades de poucos. Já que a natureza não tem tido forças para controlar a explosão demográfica, será a mão do próprio homem que vai fazer isso. O poderio bélico à disposição dos poderosos é suficiente para destruir o planeta e, em algum momento, esse botão vai ser apertado. Isso não vai livrar a raça humana dos boçais, dos déspotas, dos canalhas ou dos vigaristas. Todavia, a necessidade de refundação, possivelmente, vai fazer erguer uma nova sociedade, talvez mais consciente, mais solidária, menos voltada para o próprio umbigo e mais disposta a respeitar a velha máxima que ensina que "o meu acaba onde o seu começa". Ou não. O homem é muito idiota e vai acabar fazendo toda a merda de novo.




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Meu primogênito

Há exatos 33 anos, à zero hora deste mesmo dia 10 de novembro, no ano da Copa de 1982 - aquela que o Brasil teve o seu melhor time depois de 1970 - pela primeira vez, experimentei a incrível sensação de ser pai. Foi uma das maiores alegrias que senti na minha já longa jornada. Assim como tudo que é novidade, no princípio fiquei meio confuso, incrédulo, inseguro. Mas, logo fui tomado por uma euforia e uma sensação de realização, quase indescritíveis. A expectativa era enorme, e a espera valeu a pena.

Minhas responsabilidades estão aumentando, foi um dos primeiros pensamentos; em compensação, o convívio, as revelações, a companhia e o que virá serão o outro lado maravilhoso desse desfecho da gravidez. E assim foi.

Ele chegou lindo, forte, pesando quase 3,7 kg, vermelho, e com a testa achatada. Hehehe... Resultado de ter ficado encaixado durante meses e acabar saindo por uma abertura feita pelo homem. Nada que não se modificasse em poucos dias e o fizesse ainda mais encantador.

Ele cresceu rápido e foi um dos maiores e mais lindos bebês que já vi, chegando a pesar cerca de 12 kg no seu primeiro ano de vida. Louro, com uma pela alva, um sorriso largo e frequente, lá foi o meu primogênito ser gente.

Aos 4 anos, na Copa de 1986, recebeu dois novos integrantes da família, que assim quase dobrava de tamanho. Imagino que tenha sido um choque e tanto, mas, ele aguentou firme, como um rapazinho, e sempre foi carinhoso com a dupla que chegou para aumentar o agito. Dali mais 8 anos, na Copa de 1994 - aquela do campeonato vencido nos pênaltis - viu chegar o quarto elemento. E depois de mais 8, mais uma vez em um ano de Copa (2002), assistiu à chegada de uma pequena sereia, já de uma outra matriz, completando o time de quatro mosqueteiros e uma donzela.

Nadador, lutador de judô e jiu-jitsu, jogador de futebol dos melhores, basquetobolista e muito inteligente, tinha jeito para a maioria dos esportes. Depois do colegial, vieram alguns anos em Seropédica, onde obteve um belo diploma, do qual muito me orgulho e a marca de mais de 1000 gols anotados nos campinhos da velha Universidade Rural.

O retorno à capital o conduziu para uma nova profissão, onde parece ter se adaptado e encontrado realização, o que me faz muito feliz.

Esses anos forjaram um homem honesto, honrado, cumpridor do seus deveres, respeitador, íntegro, desprendido, divertido e fiel aos seus compromissos e à sua palavra.

Não poderia encerrar este breve relato, que não faz jus à biografia, muito mais rica e interessante que essas palavras, sem dizer algumas coisas a este filho tão querido: 

- filho, viver não é coisa simples. Não é para amadores. Todo dia nos deparamos com surpresas, a maioria delas, não tão agradáveis. Todavia, há beleza na vida. Precisamos encontrar o equilíbrio e a serenidade. E trilhar o caminho do meio. Como dizia São Francisco: "ter força para mudar o que podemos, nos resignar com o que não podemos mudar. E ter a sabedoria para distinguir uma coisa da outra".

Filho, te amo, muito. Você foi um presente que Deus me deu. Espero que possamos estar muitas vezes juntos, e aproveitar esses momentos da melhor forma possível. Como dizia a sua bisavó, que esteve por aqui durante 97 anos, a vida passa muito rápido. Vamos aproveitar para fazer ela um pouco melhor. Um beijo.