"De tanto ver triumphar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver prosperar a deshonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Ruy Barbosa

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Por que a America elegeu Trump?

por Marcelo Ribeiro

Meus amigos do Brasil: Se vocês acham que Trump é um monstro nazista, racista, sexista, homofóbico e todos os xingamentos que só fazem sentido no imaginário da elite esquerdista global que pensa dominar o mundo, eu tenho uma notícia pra te dar: É duro, mas exatamente porque me importo com você, não vou esconder: Você foi enganado.

Caio Blinder, Arnaldo Jabor, Guga Chacra, Reinaldo Azevedo e o painel de análise política da Globo News inteiro, juntos, não entendem de política americana mais que uma freira aposentada entende de Kama Sutra.

Donald Trump foi eleito pelo trabalhador rural que perdeu seu emprego pro imigrante ilegal. Ele foi eleito pelos cristãos que foram achincalhados, escrachados, ridicularizados pela equipe de campanha de Hillary Clinton como se viu nos e-mails que o Wikileaks tornou públicos.

Trump foi eleito pelo americano comum que perdeu seu médico por causa do Obamacare, depois do presidente mentir seguidas vezes que isso não aconteceria.

Ele foi eleito pelos militares que viram seus irmãos de farda morrerem depois de lutar contra terroristas em Benghazi por 13 horas seguidas, enquanto o presidente Obama e a secretária Clinton estavam ocupados pensando numa farsa sobre um vídeo no YouTube que seria usado como justificativa pra todas as falhas de segurança que levaram ao ataque, pouco antes da eleição em 2012.

Ele foi eleito pelas mães que não querem que seus filhos pequenos tenham como exemplo uma mentirosa patológica, que colocou segredos de Estado em risco num servidor que ela criou em seu porão pra encobrir negócios obscuros entre a Fundação Clinton e governos estrangeiros.

Ele foi eleito pelo americano do interior que está de saco cheio dos milionários esquerdistas de Hollywood e Beverly Hills dizerem pra eles como devem pensar e agir.

Trump foi eleito pelo cidadão comum que quer o poder de volta de quem tem controlado suas vidas nos mínimos detalhes de dentro de gabinetes luxuosos em Washington DC.

Enfim, Trump foi eleito pela maioria silenciosa que aguentou até o limite a soberba e o desdém da elite política, dos universitários de rabinho de cavalo e seus capachos mentirosos na grande imprensa.

Se você está confuso com o que está acontecendo, é porque sua fonte de informações está muito mais confusa que você. Mas não se desespere! Existe salvação. Existe muita gente boa nos EUA e no Brasil comentando o que se passa de forma crítica e calcada na realidade. Esses previram que Donald Trump tinha sim grande chance de ganhar. Procure essas fontes, eduque-se e junte-se a nós. E que a América seja grande novamente.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A beleza da matemática

Um desafio global: formar professores capazes de passar a paixão pelos números aos alunos
por José Eduardo Agualusa

“O binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo. / O que há é pouca gente para dar por isso.” — Escreveu Álvaro de Campos, através de Fernando Pessoa, num pequeno poema que sei de cor desde a adolescência e que sempre me sobressaltou. Quando tentam explicar a paixão que os move, quase todos os grandes matemáticos acabam insistindo em duas palavras: verdade e beleza. Elegância é outro adjetivo muito comum, e um tanto surpreendente no idioma despojado e preciso dos matemáticos.

“O verdadeiro espírito de alegria e exaltação — no sentido de ser mais do que o Homem — que é a pedra de toque da mais alta excelência encontra-se na matemática, tanto quanto na poesia.” A afirmação é do filósofo britânico Bertrand Russel. Estudos recentes de neurociência vieram confirmar a afirmação de Russel: a resolução de um qualquer problema matemático, através de uma fórmula elegante, ativa as mesmas áreas cerebrais que a leitura de um bom poema ou a audição de um samba de Cartola ou de Paulinho da Viola.

Em “Uma história da simetria na matemática” (Zahar), Ian Stewart vai um pouco mais longe. Segundo ele, “em física, a beleza não garante automaticamente a verdade, mas ajuda. Na matemática, a beleza deve ser verdade — porque as coisas falsas são sempre feias”.

Desta forma, procurando a beleza, deveríamos chegar inevitavelmente à verdade. Ao menos na matemática. Fora da matemática nem sempre é assim, o que, sinceramente, acho uma pena. Imaginem um mundo onde as pessoas fossem tanto mais bonitas quanto mais honestas, simples e sinceras. Tudo seria mais fácil.

Fui um aluno medíocre em matemática, pelo menos até chegar à universidade. Em Agronomia e Engenharia Florestal encontrei, pela primeira vez, bons professores, pelo que melhorei ligeiramente as minhas notas. Recordo que acompanhei algumas aulas de lógica matemática com um sentimento de surpresa e maravilhamento muito semelhante àquele com que li os primeiros livros de Jorge Luis Borges (por um acaso feliz, descobri ambos na mesma altura).

Nos últimos anos voltei a interessar-me por matemática, como resultado de uma paixão mais geral sobre linguagem e comunicação. O grande livro do universo, como lembrou Galileu, lá longe, no século XVII, está aberto diante dos nossos olhos e foi escrito no idioma da matemática. Se um dia a humanidade entrar em contato com alguma civilização extra-terrestre, a linguagem utilizada será, sem dúvida, a matemática. Carl Sagan sugere isso mesmo em “Contato”, livro que serviu de base para o filme com o mesmo nome, dirigido por Robert Zemeckis. No livro (e no filme) a protagonista, Ellie, convence-se que há uma civilização extraterrestre avançada tentando contatar a humanidade, ao capturar uma emissão vinda do espaço com uma sequência de números primos. Mais tarde, essa civilização avançada envia uma série de fórmulas matemáticas, as quais permitem a construção de uma máquina capaz de transportar Ellie até esse mundo remoto.

A suposição de Sagan faz todo o sentido. Imaginemos que um extraterrestre desembarque no Rio de Janeiro. É altamente improvável que queira tomar uma cervejinha conosco para conversar sobre as propostas de Michel Temer e Marcelo Crivella ou o resultado das eleições americanas, ainda que a inesperada vitória de Donald Trump possa preocupar até mesmo os marcianos. É improvável também que se interesse por futebol, por teologia ou por pornografia. Quero acreditar que esse visitante extraterrestre será sensível à música (pelo menos a alguma música, certamente não ao country), na medida em que esta tem forte parentesco com a matemática. A música é quase uma expressão sonora da matemática. Vários compositores vêm usando no seu trabalho conceitos matemáticos complexos, como, por exemplo, a famosa Sequência de Fibonacci, presente em muitas estruturas e fenômenos naturais.

Leia o resto do artigo Aqui

domingo, 13 de novembro de 2016

A INTOLERÂNCIA QUE NÃO SE VÊ, por Jorge Ferraz

(Publicado originalmente em Deus lo Vult)

A redação do ENEM no último final de semana versou sobre intolerância religiosa e, diante do tema, eu tenho impressões contraditórias. Por um lado parece claro que a escolha gravita em torno de um enorme lugar-comum: as perseguições sofridas pelas religiões de matiz africana, e fazer tal opção argumentativa favorece — quase exige — a crítica à dita intolerância evangélica. Seguir por esse caminho é fazer a coisa mais fácil (e mais contraditória) do mundo: jogar pedra no Cristianismo para defender a tolerância.

Por outro lado, no entanto, o tema torna possível falar — e com bastante propriedade — sobre a intolerância que vitima os religiosos no debate público brasileiro, intolerância esta que (até por uma questão demográfica) tem claramente os cristãos por alvo principal. O problema aqui é um só: esta linha argumentativa destoa bastante do senso comum e, por ser assim tão destoante, eu tenho sérias dúvidas sobre a capacidade de a compreenderem os responsáveis pelas correções destas provas...

Iniciemos a nossa argumentação com a seguinte assertiva: nem toda intolerância se manifesta em atos de agressão física. Poderíamos, sem dúvidas, citar os diversos casos de vandalismo contra igrejas que cotidianamente aparecem em nossos noticiários (p. ex. em João Pessoa, em Belo Horizonte, no Ceará e em Passo Fundo — só na primeira página do Google, todos os casos deste ano); mas isto é somente o ponto mais superficial, epidérmico do problema. A intolerância física é mais brutal, mais primitiva e, por isso mesmo, mais facilmente visível e condenável de forma mais incontroversa. A pior intolerância, aqui, é a que se reveste de ares de intelectualidade, é a que se apresenta como pensamento evoluído e padrão de comportamento socialmente exigível. A pior intolerância é a que enxerga com desconfiança e desprezo a manifestação de opiniões públicas feita por religiosos pelo fato de eles serem religiosos.

Esta "intolerância cívica" fecha aos religiosos o acesso aos espaços públicos de decisão. Transforma os que têm Fé em uma espécie de cidadãos de segunda categoria, cujas opiniões não podem ser levadas em consideração no debate público — e isso é o mais absurdo, é o mais injusto, é o mais intolerante que se pode conceber. Você é contra o aborto? O Estado é Laico, nem todo mundo é católico e as suas crenças não podem ser impostas para toda a população. É contra o "casamento" gay — ou a ideologia de gênero? Você é um fanático religioso, o Estado é Laico e as suas convicções não podem ser usadas para definir regras de conduta aplicáveis a todos os cidadãos. É a favor da isenção tributária das igrejas? O Estado é Laico e o conjunto total da população não pode sustentar a prática da crença de uma parcela dos cidadãos. É favorável à presença de símbolos religiosos em repartições públicas? Você é um intolerante, o Estado é Laico e o espaço público não se pode revestir de símbolo de religião alguma.

A cantilena, monótona, estende-se para alcançar quaisquer aspectos da vida cívica onde haja o mais mínimo desacordo entre a vontade dos anticlericais (que detêm o discurso vencedor da opinião pública) e os valores do Cristianismo. O fato de estes valores perfazerem — ainda — a sensibilidade moral da maioria da população brasileira é um detalhe que só torna as coisas mais trágicas: a rigor, ainda que fossem valores minoritários, eles não poderiam ser liminarmente excluídos do debate público sob a pecha do "ah, isso é crença religiosa". Primeiro porque eles no geral não são mera "crença religiosa" — a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem ou as Processões Divinas são crenças religiosas! Já a definição dos comportamentos que devem ser socialmente aceitos ou juridicamente coibidos são juízos prudenciais sobre temas cívicos, com ampla fundamentação na razão natural que está ao alcance de todos os homens independente do credo sob o qual militem. Segundo porque o eventual fundamento dos valores morais não pode ser usado para desqualificar a priori as posições alheias — o nome disso é preconceito e intolerância. O que deve fazer uma determinada posição política ser socialmente aceitável ou inaceitável é a sua adequabilidade para o fim a que ela se propõe — a razoável ordenação da vida em comum –, e não a sua origem metafísica. Todas essas coisas são por demais evidentes; mas a intolerância religiosaque grassa nos nossos meios intelectualizados lança um véu de ignorância mesmo sobre essas platitudes — e ninguém se preocupa com isso, e todos continuam torcendo o nariz para a "bancada da Bíblia" ou a "ideologia tefepista" sem que quase nunca precisem se dar ao incômodo trabalho de entrar no mérito das posições que elas defendem.

A intolerância que deixa rastros de dor e de sangue é no geral fácil de ser combatida, porque no geral não aparece ninguém para a defender. Ninguém defende que judeus sejam enviados para campos de concentração ou muçulmanos para Guantánamo; ninguém defende que igrejas sejam pichadas ou mães de santo sejam expulsas de suas casas por traficantes evangélicos (por inacreditável que seja essa notícia). No entanto, a maior parte das pessoas medianamente esclarecidas defende que os evangélicos não possam defender os seus valores no espaço público ou que as leis civis não atendam aos anseios dos católicos — e isso é preocupante, uma vez que tanto evangélicos quanto católicos são cidadãos iguais a quaisquer outros, cujos direitos políticos não podem ser cerceados em função de sua opção religiosa. Esta intolerância invisível pode ser menos chocante, mas não é menos injusta nem menos daninha — e decerto não é menos digna de ser combatida. O preconceito contra o Cristianismo, festejado nos meios de comunicação em massa e virtualmente onipresente entre os formadores de opinião, é talvez o último preconceito que se aceita na moderna sociedade dita esclarecida. Não deixa contudo de ser uma forma insidiosa e inaceitável de intolerância religiosa, que todos os homens de boa vontade devem se esforçar por abolir.

sábado, 12 de novembro de 2016

Lá como cá, a intolerância mostra a sua cara

Primeiro foi o mi-mi-mi, depois os protestos e agora, alunos se juntam a alguns professores para cancelar aulas e provas nos EUA, alegando estar traumatizados com a eleição de Donald Trump para a presidência.

No país onde se iniciou e se desenvolveu a praga conhecida pela alcunha de "politicamente correto", não é de estranhar que um absurdo desses aconteça.



Não culpo os alunos por estarem realmente, muito chateados com a vitória do Trump. Conheço pessoas mentalmente estáveis, não de todo mimadas, que estão igualmente chateadas. Mas todos eles saíram para trabalhar na quarta-feira. A vida continuou.

É possível que a notícia tenha atingido os alunos de jeito ainda mais forte do que atingiu os membros da mídia esquerdista (nos EUA, chamada liberal) - afinal, estudantes universitários, em quase todo lugar, têm ainda menos contato com a realidade, e coisas como o movimento Trump, do que a mídia. Os campus universitários são um espaço seguro para afastar os alunos até das formas mais brandas de discordância. Não se criam espaços para vozes dissonantes, nem se dá a conhecer o que ocorre fora dos muros das faculdades. Muitos deles simplesmente não tinham sequer idéia de que um grande número de americanos despreza sua agenda progressista e estavam ansiosos para atacar o politicamente correto. Como soe acontecer em uma democracia, o voto foi a arma utilizada para abater teses rejeitadas pela massa silenciosa que "entronizou" Trump. Ao que parece, não reconhecem que o resultado é o de um sistema que funciona há 240 anos e não tem qualquer razão para mudar.

Em excelente artigo no Washington Post, Charles Camosy, da Universidade Fordham, identifica o problema como a falta de diversidade ideológica no ensino superior:

"Os universitários de hoje são formados por uma cultura de campus que os deixa incapazes de compreender pessoas com visões pouco familiares ou heterodoxas sobre armas, aborto, religião, casamento, gênero e privilégio. E essa mesma cultura leva essas pessoas educadas a rotular as outras com quem discordam como pessoas más ou a reduzir suas opiniões expressas sobre essas questões como realmente sendo sobre outra coisa, como no caso de Obama. A maioria dos graduandos, por causa desta cultura, simplesmente nunca foram forçados a se envolver ou considerar seriamente professores ou textos que poderiam fornecer uma visão alternativa genuína e convincente.

Há décadas, as universidades norte-americanas têm, com razão, tentado se tornar mais diversificadas quando se trata de raça e gênero. Mas esta eleição destaca o fato de que nossas instituições de ensino superior devem usar métodos semelhantes para cultivar diversidade filosófica, teológica e política."

A gritaria continua, insuflada pela mídia descontente, obrigando o mundo a assistir o deprimente espetáculo do ódio e da intolerância, com protestos violentos em diversas cidades, e do fascismo cultural, que só os parvos, néscios e aqueles com QI de ameba, acreditam ser de direita.

Por aqui, em movimento coordenado com as invasões de escolas e faculdades, terroristas da CUT, MTST, MST e outros ativistas de esquerda paralisaram atividades, bloquearam rodovias e avenidas, e atearam fogo em pneus à guiza de protesto contra a PEC dos gastos, em um ensaio para a almejada greve geral.

O presidente Temer precisa reagir e entender que não foi pra ser frouxo que nós o colocamos no poder. Os movimentos que deram apoio e suporte ao processo de impeachment desejavam o fim da roubalheira e, ainda, da bagunça que o PT e seus lacaios levou para o governo, transformando o Brasil em uma república de terceira, esculhambada, onde tudo pode. O direito de manifestação não é absoluto, e encontra limites dentro da própria Constituição, uma vez que deve respeitar outros direitos constitucionalmente garantidos, como o de ir e vir. Isso foi respeitado pelos que queriam a saída da Dilma, e não se quebrou um copo naqueles memoráveis dias. E é, justamente por isso que o que aconteceu ontem em alguns lugares, Brasil afora, foram atos de vandalismo e terror. A população foi impedida de se deslocar, trabalhadores foram impedidos de trabalhar e o medo se espalhou, provocando fechamento de lojas, bancos e instituições.

O governo não pode ficar acuado e nem deixar isso crescer. Está na hora de tomar providências, mesmo que duras e drásticas e cortar este mal pela raíz. Discursos cada vez mais inflamados já vem sendo proferidos por canalhas como Lula, Dilma, João Pedro Stédile, Guilherme Boulos e seus asseclas. Ninguém quer os tanques na rua, mas, se for preciso, que eles saiam da garagem.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Discurso de Obama após a vitória de Trump (original)

Ontem, na Casa Branca, Obama falou a respeito do resultado das eleições americanas.

O Brasil e os brasileiros têm muito que aprender com o gesto do democrata. 

Como ainda não tive tempo, vou traduzir mais tarde. Quem fala inglês pode ler o original abaixo:

O presidente: Good afternoon, everybody. Yesterday, before votes were tallied, I shot a video that some of you may have seen in which I said to the American people: Regardless of which side you were on in the election, regardless of whether your candidate won or lost, the sun would come up in the morning.

And that is one bit of prognosticating that actually came true. The sun is up. And I know everybody had a long night. I did, as well. I had a chance to talk to President-elect Trump last night -- about 3:30 in the morning, I think it was -- to congratulate him on winning the election. And I had a chance to invite him to come to the White House tomorrow to talk about making sure that there is a successful transition between our presidencies.

Now, it is no secret that the President-elect and I have some pretty significant differences. But remember, eight years ago, President Bush and I had some pretty significant differences. But President Bush's team could not have been more professional or more gracious in making sure we had a smooth transition so that we could hit the ground running. And one thing you realize quickly in this job is that the presidency, and the vice presidency, is bigger than any of us.

So I have instructed my team to follow the example that President Bush's team set eight years ago, and work as hard as we can to make sure that this is a successful transition for the President-elect -- because we are now all rooting for his success in uniting and leading the country. The peaceful transition of power is one of the hallmarks of our democracy. And over the next few months, we are going to show that to the world.

I also had a chance last night to speak with Secretary Clinton, and I just had a chance to hear her remarks. I could not be prouder of her. She has lived an extraordinary life of public service. She was a great First Lady. She was an outstanding senator for the state of New York. And she could not have been a better Secretary of State. I'm proud of her. A lot of Americans look up to her. Her candidacy and nomination was historic and sends a message to our daughters all across the country that they can achieve at the highest levels of politics. And I am absolutely confident that she and President Clinton will continue to do great work for people here in the United States and all around the world.

Now, everybody is sad when their side loses an election. But the day after, we have to remember that we're actually all on one team. This is an intramural scrimmage. We're not Democrats first. We're not Republicans first. We are Americans first. We're patriots first. We all want what's best for this country. That's what I heard in Mr. Trump's remarks last night. That's what I heard when I spoke to him directly. And I was heartened by that. That's what the country needs -- a sense of unity; a sense of inclusion; a respect for our institutions, our way of life, rule of law; and a respect for each other. I hope that he maintains that spirit throughout this transition, and I certainly hope that's how his presidency has a chance to begin.

I also told my team today to keep their heads up, because the remarkable work that they have done day in, day out -- often without a lot of fanfare, often without a lot of attention -- work in agencies, work in obscure areas of policy that make government run better and make it more responsive, and make it more efficient, and make it more service-friendly so that it's actually helping more people -- that remarkable work has left the next President with a stronger, better country than the one that existed eight years ago.

So win or lose in this election, that was always our mission. That was our mission from day one. And everyone on my team should be extraordinarily proud of everything that they have done, and so should all the Americans that I've had a chance to meet all across this country who do the hard work of building on that progress every single day. Teachers in schools, doctors in the ER clinic, small businesses putting their all into starting something up, making sure they're treating their employees well. All the important work that's done by moms and dads and families and congregations in every state. The work of perfecting this union.

So this was a long and hard-fought campaign. A lot of our fellow Americans are exultant today. A lot of Americans are less so. But that's the nature of campaigns. That's the nature of democracy. It is hard, and sometimes contentious and noisy, and it's not always inspiring.

But to the young people who got into politics for the first time, and may be disappointed by the results, I just want you to know, you have to stay encouraged. Don't get cynical. Don't ever think you can't make a difference. As Secretary Clinton said this morning, fighting for what is right is worth it.

Sometimes you lose an argument. Sometimes you lose an election. The path that this country has taken has never been a straight line. We zig and zag, and sometimes we move in ways that some people think is forward and others think is moving back. And that's okay. I've lost elections before. Joe hasn't. (Laughter.) But you know.

(o vice-presidente se benze) (sorrindo.)

So I've been sort of --

O vice-presidente: Remember, you beat me badly. (risos.)

O presidente: That's the way politics works sometimes. We try really hard to persuade people that we're right. And then people vote. And then if we lose, we learn from our mistakes, we do some reflection, we lick our wounds, we brush ourselves off, we get back in the arena. We go at it. We try even harder the next time.

The point, though, is, is that we all go forward, with a presumption of good faith in our fellow citizens -- because that presumption of good faith is essential to a vibrant and functioning democracy. That's how this country has moved forward for 240 years. It's how we've pushed boundaries and promoted freedom around the world. That's how we've expanded the rights of our founding to reach all of our citizens. It's how we have come this far.

And that's why I'm confident that this incredible journey that we're on as Americans will go on. And I am looking forward to doing everything that I can to make sure that the next President is successful in that. I have said before, I think of this job as being a relay runner -- you take the baton, you run your best race, and hopefully, by the time you hand it off you're a little further ahead, you've made a little progress. And I can say that we've done that, and I want to make sure that handoff is well-executed, because ultimately we're all on the same team.

All right? Thank you very much, everybody. (Applause.)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Metade do país odeia você e a capital federal está em um impasse: boa sorte, Sr. ou Senhora Presidente

por Todd J. Gillman e Tom Benning, no Dallas News

TAMPA, Flórida - Os democratas acham alarmante que um neófito político grosseiro possa em breve controlar os códigos nucleares. Eles vêem em Donald Trump um errático aspirante a homem forte, um machista sexista e um político peso leve com laços inquietantes com a Rússia.

"Vai ser um longo caminho", disse Darrell Patton, de 61 anos, em um comício de Hillary Clinton, perto de Tampa. "Como ele vai governar este país? Ele é louco."

Trump e seus apoiadores dizem que Clinton deveria estar atrás das grades. Eles vêem nela uma mentirosa, corrupta e manipuladora que se empenha em desarmá-los. Se ela for eleita, alguns gostariam que ela fosse impichada por manipular emails secretos.

"Sabe de uma coisa, eu tenho medo do que vai acontecer depois das eleições, se ela ganhar", disse Mel Last, 66, em um evento de Trump perto de Detroit na semana passada. Embora, ele tenha acrescentado: "Tenho medo do que acontecerá se ela não ganhar. Todo o inferno vai se soltar. De qualquer maneira, vai ser um problema."

Quer se trate de Trump ou Clinton, o vencedor na terça-feira à noite vai assumir a Casa Branca sob uma nuvem, depois de uma campanha enlameada que deixou cada um com a reputação muito manchada. Nenhum presidente americano moderno enfrentou tais ventos de frente, e as implicações para governar, onde mudar a agenda e quebrar o impasse crônico de Washington são potencialmente terríveis.

"Temos duas das pessoas mais impopulares concorrendo como candidatos dos principais partidos", disse o texano John Cornyn, o vice-líder do Partido Republicano no Senado, que apoia Trump. "Sabemos que quem for eleito vai ter um monte de gente contra eles e suas políticas."

Trump seria eleito com as taxas mais desfavoráveis ​​de qualquer presidente da história. Clinton está muito perto. A difamação em ambos os lados é épica.

"Não tem jeito", disse George Edwards, um pesquisador sobre a presidência da Universidade do Texas, acrescentando que muitos presidentes enfrentaram críticas, algumas delas injustas. Mas "você não tinha o mesmo tipo de veneno".

"Qualquer candidato que vencer vai ter que enfrentar metade do público que realmente despreza ele ou ela, e isso é improvável que mude", disse ele.

A história americana está repleta de eleições desagradáveis, e o presidente de número 45 não será o primeiro a tomar posse em tempos turbulentos ou com pouca confiança.

Os inimigos de Thomas Jefferson chamavam-no ateu. Jeffersonianos diziam que George Washington tinha inclinações de um monarca.

Alegações de bigamia perseguiram Andrew Jackson - o Trump do seu tempo, um populista que arguia que o sistema era manipulado contra o americano comum, em uma disputa com John Quincy Adams, membro de uma família proeminente na política.

O filho fora do casamento de Grover Cleveland inspirou o côro: "Mãe, mãe, onde está o meu pai? Fora da Casa Branca, ha-ha-ha."

Abraham Lincoln venceu com um índice de 40 por cento em uma disputa de quatro concorrentes. A Secessão e a Guerra Civil vieram logo em seguida.

Mais recentemente, a eleição de 1988 foi vista na época como "particularmente desagradável", disse Jeffrey Engel, diretor do Centro de História Presidencial da Southern Methodist University, embora comparado com este ano ele tenha sido quase gentil.

O ponto baixo, para muitos, foi o vergonhoso anúncio de Willie Horton, que usou mapeamentos raciais para atacar o democrata Michael Dukakis por causa de um programa de licença de prisão em Massachusetts. O vice-Presidente George H.W. Bush ganhou de forma convincente, mas no final, os eleitores estavam "muito fartos dos dois candidatos", disse Engel.

Como presidente, a popularidade de Bush aumentou durante a primeira Guerra do Golfo, e afundou novamente graças à inversão de uma promessa de não-criação de novos impostos e problemas econômicos. Bill Clinton acabou com a presidência de Bush após um mandato.

"Sua popularidade acabou por ser incrivelmente pequena", disse Engel. "Quando você é impopular ao entrar, as pessoas ... são muito mais rápidas para abandoná-lo."

A recontagem de 2000

Depois, houve também a eleição de 2000, quando uma votação de 5-4 pela Suprema Corte dos EUA encerrou uma amarga recontagem de um mês na Flórida. Isso selou a vitória para George W. Bush, cujo rival, Al Gore, validou o resultado ao sair de seu caminho para exortar seus apoiadores para aceitar a derrota.

O primeiro discurso de Bush foi da Assembleia do Texas, com um orador democrata com quem ele trabalhou como governador ao seu lado para projetar uma mensagem de conciliação. Ele se reuniu regularmente com adversários desde o início, trabalhando com o senador liberal Edward Kennedy na política de educação.

Esses gestos podem ter valor limitado após uma eleição tão feia como esta, mas o vencedor deve tentar, disse Karen Hughes, parte do círculo interno de Bush na campanha do ano 2000 e na Casa Branca.

"Isso não vai ser fácil", disse ela.

Talvez nenhum presidente eleito tenha sido sobrecarregado com tanta má vontade. Mas o vencedor terá ferramentas incomparáveis ​​para trabalhar.

"Só o presidente tem uma plataforma e microfone grandes o suficiente para chegar diretamente ao povo americano e tentar nos unir e trazer o nosso melhor", disse Hughes. Precisará de paciência, precisará de humildade, exigirá esforços repetidos, não apenas algumas palavras simbólicas".

O vencedor deste ano certamente irá reivindicar uma espécie de mandato. Vencedores sempre fazem.

Mas William Galston, um estudioso da Brookings Institution, observou que lidar com profundas divisões partidárias e culturais não foi fácil para o presidente Barack Obama. E ele foi eleito em uma plataforma de esperança e otimismo, com maiorias Democráticas na Câmara e no Senado, um luxo que seu sucessor provavelmente não desfrutará, e sem quase ânimos pessoais.

"O presidente eleito terá que gastar uma enorme quantidade de tempo consertando pontes destruídas através de linhas partidárias e ideológicas" e estar disposto a decepcionar os partidários ardentes, disse Galston.

Se Clinton ganhar, muito pode depender de como Trump lidará com isso.

"Ele tem a pesada responsabilidade de manter seus partidários longe da violência ou da ameaça de violência e exortá-los a ser o último capítulo na transferência pacífica do poder legítimo", disse Galston, um conselheiro de política interna do presidente Bill Clinton. "Ele terá uma escolha. Se ele perder, ele quer derramar óleo em águas turbulentas, ou gasolina em um incêndio?"

A próxima agenda do presidente estará transbordando. A resistência e visão negativa que Trump e Clinton terão que lidar fará os desafios exponencialmente maiores.

Já existe uma vaga na Suprema Corte. A política de imigração permanece incerta.

Os falcões fiscais têm se preocupado por anos sobre a crescente dívida federal, agora superando US$ 19 trilhões. O problema tem sido largamente ignorado durante o período eleitoral, dominado por conversas sobre e-mails perdidos e apalpadas.

Uma reforma da Previdência Social e de outros programas de benefícios - os principais causadores da dívida de longo prazo - exigiria a adesão de líderes em ambos os partidos e um passo combinado e bipartidário para o eleitorado.

Mas nem Clinton nem Trump têm procurado tal responsabilidade, disse Robert Bixby, diretor executivo da Concord Coalition, um órgão fiscal não partidário.

"Vai ser um ano muito difícil para as pessoas que se preocupam em fazer as coisas", disse ele.

O único lado bom potencial: As expectativas são tão baixas que "o próximo presidente realmente tem uma boa oportunidade", disse ele.

Assistência médica

Clinton e Trump oferecem prescrições diferentes sobre o Ato de Cuidados Acessíveis, a lei sobre assistência médica maciça que é uma realização com a assinatura de Obama. Trump, como outros republicanos, promete revogá-lo. Mas os democratas do Senado já têm músculos suficientes para bloquear isso, e eles podem obter reforços na terça-feira.

Clinton quer proteger os elementos centrais da lei, mas com os prêmios em alta e algumas seguradoras saindo, os republicanos não terão mais incentivos para negociar com ela o que fizeram com Obama.

"O governo Obama moveu céu e terra para conseguir que esta coisa fosse implementada, apesar da guerra de trincheira dos republicanos", disse Timothy Jost, especialista em direito de saúde da Universidade de Washington e Lee. "Se o Congresso e o presidente pudessem dar as mãos e cantar" Kumbaya "e tentar consertar isso, eles poderiam fazer um monte de coisas muito rápido."

Alguns republicanos no Congresso já estão pedindo a impeachment de Clinton. O presidente do Comitê de Segurança Interna da Câmara, Michael McCaul, entre outros, falou na aprovação disso, caso ela seja indiciada pelo que fez com e-mails reservados enquanto era secretária de Estado - uma possibilidade que seus assessores rejeitam como ridícula.

Cornyn disse que é prematuro falar de impeachment, mas disse que Clinton "garante um impasse" se ela tentar acalmar os extremos em seu partido. Melhor, disse ele, "trabalhar com os republicanos para encontrar um terreno comum", como fez o marido dela.

"Ele trabalhou com um Congresso Republicano na reforma do bem-estar, e essa foi a última vez que tivemos um orçamento equilibrado", disse Cornyn. "O governo dividido pode produzir oportunidades."

Mesmo que os democratas ganhem o controle do Senado na terça-feira, a margem será estreita. E espera-se que os republicanos mantenham a Câmara, mas com uma maioria encolhida e ainda mais conservadora. Ambas os partidos logo começarão a conspirar para as eleições de 2018.

Isso tornará difícil para o candidato vencedor.

"Não vai haver nenhum compromisso", disse Edwards. "Não é como ela pode dizer: 'Vamos consertar a assistêrncia médica; me dê suas idéias e vamos fazer um acordo. "Eles não querem fazer um acordo."

Trump enfrentaria complicações adicionais. Sua posição anti-livre comércio o coloca em desacordo com a ortodoxia republicana. Ele declarou que o Seguro Social excede limites, o que não é o que o presidente da Câmara Paul Ryan, um falcão da dívida, quer ouvir.

Assassino moral

Para os eleitores, é tudo um pouco desanimador.

Alan Weinstein, 63 anos, um policial aposentado de Spring Hill, na Flórida, que apóia Hillary Clinton, disse que é uma "decisão fácil" ser cauteloso com Trump.

"O mundo, sua economia, paz, estabilidade política - tudo é muito frágil", disse ele.

Se Clinton ganhar, ele está contando com sua capacidade de encher os tribunais e o executivo com nomeados, mesmo se o Congresso bloquear o resto de sua agenda e paralisá-la com investigações.

"O poder da presidência é muito maior do que os próprios presidentes", disse ele. "É assim que eles lideram e como eles provocam mudanças".

Em um comício de Trump no centro de Miami, a investidora imobiliária Francis Pal, de 27 anos, está sombria em suas perspectivas.

"Vai ser um caos se Hillary ganhar", disse ela. "As pessoas ficarão desapontadas. Elas não terão mais fé neste país. "

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Fantastico 06/11/16 MST cobrava taxas por água e luz em acampamento



O MST é um grupo criminoso, isso todo mundo sabe. O que ninguém entende é que nada é feito contra eles. O país vive à mercê do que eles decidirem fazer. Ameaças de João Pedro Stédile e outros chefetes de romper com o estado de direito não faltaram. Até quando isso vai durar?

domingo, 6 de novembro de 2016

Os desserviços do STF e do Judiciário


Estavam certos os legisladores ao limitar o mandato dos ministros do Supremo aos 70 anos de idade. Pelo que se vê, o tempo de casa e a idade não estão sendo benéficos para algumas de "Suas Excrecências". Ao contrário, estão fazendo construir teses esdrúxulas, a se render a conceitos que confrontam o senso comum, e infringir as mínimas regras de decoro que integrantes da mais alta corte do país deveriam ter.

Não tem sido prova de certa senilidade, decisão tendenciosa, comportamento incomum ou combinação dos três, que alguns ministros vêm apresentando ao distinto público, sessão após sessão, levando ao descrédito do Supremo a ponto de, depois de uma melhora de prestígio sob o comando de Joaquim Barbosa, pairar uma enorme suspeita sobre alguns deles de acobertarem crimes, safarem amigos, agirem antirepublicanamente, serem veniais e parciais, e estarem a serviço de seus patronos? Quem não acha isso no Brasil? Só os muitos ingênuos acreditam no Supremo - não chega a 30% da população.

A tese de Marco Aurélio Melo sobre a possibilidade de um réu ser candidato a presidente, congelando-se o processo na primeira instância até o fim do mandato é um desses despautérios, um disparate absoluto, que só poderia sair de uma cabeça que já não está capacitada a dar as respostas que a sociedade espera da Corte Suprema. É a demonstração cabal que além de agir em favor de apaniguados e patrocinadores, certos ministros estão em devaneio. Mesmo que tecnicamente correta, a medida é um despropósito. A justificativa seria a de que está na letra da lei que um presidente não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao mandato. Conforme a narrativa do ministro, mesmo sendo réu, Lula, por exemplo, poderia se candidatar, e até assumir. Os processos ficariam congelados durante quatro anos, ou até oito, se o povo fosse demente a ponto de reelegê-lo. A presidência seria, assim, um refúgio para o canalha, que mesmo tendo cometido os crimes que cometeu, por uma filigrana jurídica estaria apto a se esconder todo esse tempo das barras dos tribunais. A interpretação de Marco Aurélio é um absurdo moral.

Marco Aurélio não está sozinho, quando se trata de mostrar que a Corte é composta de gente que vive em outro planeta. Na semana passada, o ex-presidente Ricardo Lewandovski, em um encontro de juízes na Bahia, que teve show de Ivete e Diogo Nogueira, no melhor estilo sindicalista, defendendo aumentos para uma platéia que já tem o bolso bem forrado, saiu-se com esta: “Para que possamos prestar um serviço digno, é preciso que tenhamos condições de trabalho dignas e vencimentos condizentes com o valor do serviço que prestamos para a sociedade brasileira”.

Ora, todos desejamos ter melhores condições de trabalho e ser valorizados por nossa contribuição. A questão é o momento. Não bastasse a magistratura e os servidores do Judiciário, em sua imensa maioria, já contar com salários mais do que dignos, este é o pior momento para fazer reivindicações. E o que menos se esperava é que alguém que integra a cúpula de um poder, e até há poucos dias o presidia, se desse ao desplante, nessa hora, de clamar por aumento de salários para os que já estão entre os mais elevados da República. Frente à maior crise da nossa história, vindo de quem veio, tal pedido soa como escárnio e falta de respeito pelo cidadão, pagador de impostos. Além do mais, sem negar a sua importância, é muito claro que a percepção do povo a respeito do serviço prestado pela Justiça está entre as piores. E não é apenas uma questão de (má) fama. As demandas da sociedade não são resolvidas, nem de longe, dentro de um prazo razoável, isso quando não são acompanhadas de decisões teratológicas, que além de não satisfazer nenhuma das partes, traz-lhes prejuízos e frustrações. 


É por isso que chama a atenção o trabalho célere e profícuo que vem fazendo o juiz Sergio Moro, em Curitiba. É um ponto fora da curva.

É inescapável a sensação de aviltamento da dignidade e da cidadania quando se discute uma ação judicial por 10, 15 anos no Judiciário, quando a mesma poderia ter sido resolvida, no máximo, em 2 ou 3 anos, como acontece na maioria dos países desenvolvidos. Não são poucos os casos onde uma das partes do processo morre antes de ver seu direito garantido ou satisfeito. E o mais estarrecedor é que nenhum órgão de classe ousa se manifestar ou propor mudanças para agilizar o andamento processual no país. Ao contrário, aplaudem quando Lewandovski age de forma imoral, incitando-os, feito líder corporativista. É mais uma ofensa ao Estado Democrático de Direito por quem tem a obrigação de defendê-lo. 

E ainda querem mais dinheiro pra continuar fazendo isso...  Aposto que não tem brasileiro que queira aumentar-lhes, nem o salário, nem os privilégios. O mandato deveria ser menor - 8 anos estaria de bom tamanho, mas, a barreira dos 70, pelo menos, permite que saibamos quando vamos ter o prazer de nos livrar de alguns deles.

sábado, 5 de novembro de 2016

A farra das isenções fiscais

Um dos Estados mais prejudicados pela crise provocada pelo PT, e por seus próprios erros administrativos, o Rio agora busca uma solução pela linha dos aumentos de impostos e cortes de despesas, com ênfase na redução dos ganhos de servidores e na questão previdenciária. Outras medidas, de menor impacto, mas, importantes do ponto de vista da organização administrativa, extinguindo e/ou juntando secretarias (muitas criadas apenas para abrigar apaniguados), o corte de gratificações, além de acabar com programas de governo inoperantes, tentam formar uma base para diminuir a sangria que está levando o Estado à falência.

Segundo o vice-governador Francisco Dornelles o pacote de austeridade é inevitável: "Esse remédio amargo é o único caminho de conseguirmos a cura e restabelecer os compromissos do estado".

Há, no entanto, uma linha alternativa, não menos relevante para o equilíbrio das contas que consiste em rever a verdadeira farra que tem sido a concessão de benefícios fiscais. Nos últimos anos, conforme diversos estudos, inclusive do TCE, o Rio de Janeiro abriu mão de cerca de 180 bilhões de reais em arrecadação, e, ao que parece, não deixou nada no lugar para fazer frente ao que não foi recolhido aos cofres públicos.

A lista das 20 empresas mais beneficiadas com isenções é surreal, incluindo algumas das maiores do Rio como Celma, Thyssenkrupp, Ampla, Embratel, White Martins, P&G, CSN, CEDAE, Petrobras Distribuidora e outras, que, supõe-se, de tão grandes e fortes, não deveriam estar ali relacionadas. Chama a atenção, sobretudo, o valor que a CP-RJ Implantes Especializados Comércio e Importação Ltda abocanhou do governo do Estado: nada menos do que R$ 3,8 bilhões, menor apenas do que o concedido à Petrobras, que levou R$ 4,4 bilhões. A CP-RJ, que juntamente com a Imact-Rio Implantes e com a Duet Implantes, formam o grupo Imact-Rio, que atua na distribuição e comercialização de produtos médico-hospitalares é ou será alvo de investigação do MP-RJ, a fim de saber pra onde foi tanto dinheiro. Que contrapartidas e requisitos teria ela cumprido para merecer tal volume de recursos?

Está muito claro que os resultados produzidos pelo crescimento desordenado deste importante instrumento de fomento mais do que justifica a sua imediata suspensão e revisão.

O gráfico abaixo mostra o comportamento da renúncia fiscal do Estado no período 2008-2013.


Conforme o Ministério Público Estadual, em ação civil pública impetrada na semana passada, que obteve determinação judicial de proibir a concessão de novos incentivos fiscais, "a maioria das isenções tributárias concedidas pelos governos Cabral e Pezão não foi autorizada pelo Confaz, além de não estarem previstas de forma clara na legislação orçamentária ou acompanhadas de medidas compensatórias, como aumento de receita proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição".

A situação financeira calamitosa do Estado do Rio de Janeiro se reflete na prestação de serviços, no pagamento de fornecedores e servidores, e na capacidade de investimento, causando inúmeros prejuízos à população e ao próprio Governo. Com certeza, o volume astronômico de valores a que se renunciou está fazendo falta ao caixa. A isenção, prorrogação ou suspensão fiscal deveria ser uma medida que não provocaria danos ao erário. Resta, portanto, não apenas estancar a perda de arrecadação, mas, rever o que foi feito para tentar obter de volta o que não deveria ter se perdido.