"De tanto ver triumphar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver prosperar a deshonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Ruy Barbosa

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Os imorais, editorial do Estadão

O julgamento da presidente Dilma Rousseff já não tem a menor importância, em si, para os petistas que a defendem no Senado. Por se tratar de um processo essencialmente político, as favas já estão para lá de contadas. Portanto, os senadores do PT estão ali com o único objetivo de encenar a “paixão de Dilma”: diante das câmeras de documentaristas simpáticos à causa lulopetista, encarregados de registrar os estertores de Dilma na Presidência, esses histriões querem converter o julgamento em um dramalhão épico, numa tentativa de ditar a história deste triste período.

Pode-se imaginar que o roteiro cinematográfico do “martírio” de Dilma preveja como clímax a presença da presidente no Senado para se defender, amanhã. Consta que a petista trará uma comitiva de três dezenas de pessoas, entre as quais vários correligionários que foram seus ministros, que certamente se comportarão, diante das câmeras, como devotados apóstolos. E há ainda uma chance de ver Lula da Silva, a prima-dona da companhia, que planeja aparecer no Senado para testemunhar o calvário de sua criatura. Como Lula jamais será coadjuvante, em especial quando contracena com a inexpressiva Dilma, pode-se deduzir que sua intenção seja roubar a cena – é ele, afinal, quem julga ter um legado e uma história a defender, ao passo que Dilma, todos sabem, é apenas um pedaço de sua costela.

Todos esses atores, portanto, estão a desempenhar o papel que não lhes cabe: o de vítimas. Como Lula e grande elenco jamais admitiram responsabilidade pelos grosseiros erros dos governos petistas, muito menos pela corrupção sistêmica que carcomeu o Congresso e a administração pública nos últimos dez anos, qualquer acusação de roubalheira ou de irresponsabilidade só pode ser interpretada como campanha anti-PT.

Se o documentário sobre o impeachment de Dilma fizer uso da técnica do flashback, poderá lembrar que, quando estourou o escândalo do mensalão, Lula tratou de negar tudo. Confrontado com evidências acachapantes do esquema de corrupção, Lula chegou a pedir desculpas ao País – para salvar a pele, como sempre, o chefão petista não titubeou em jogar vários de seus homens ao mar. Mais tarde, porém, diante do crescente desgaste de seu partido, Lula tratou de mudar o discurso mais uma vez, dizendo que o PT não era mais corrupto do que os outros partidos e que seus principais dirigentes estavam sendo alvo de processos graças a uma perseguição deliberada contra os petistas em geral. Tudo isso para salvar a pele dos corruptos de outros partidos e aniquilar o “governo popular” do PT.

É com esse script, reescrito para as circunstâncias, mas muito bem ensaiado, que os senadores petistas pretendem constranger o Congresso perante as câmeras. “Qual é a moral deste Senado para julgar a presidenta da República?”, perguntou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), conspurcando a Casa para a qual ela mesma foi eleita. O evidente desrespeito à democracia não passou despercebido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que, na condição de presidente da sessão, admoestou a senadora quando ela insistiu, numa segunda ocasião, em colocar todos os senadores no mesmo saco da imoralidade petista. “Não vou admitir esse tipo de frase num julgamento como esse. Não volte a mencionar essa expressão”, disse Lewandowski. Mas Gleisi, que afinal não estava preocupada com nenhum julgamento, e sim com a construção da “narrativa” para a história, disse que “esta Casa conspirou contra a presidenta Dilma”.

Eis então que representantes do partido que protagonizou o mensalão e o petrolão, que tem três tesoureiros enrolados na Justiça, que teve vários de seus principais dirigentes processados e presos e cujo grande líder, Lula, acaba de ser indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica julgam-se à vontade para questionar a moral dos demais parlamentares.

Tudo tem um propósito claro: se todos são imorais, então ninguém é – e se apenas os petistas são condenados, então isso só pode ser “golpe”. É muito bom que tudo isso esteja sendo registrado em filme – que servirá como precioso documento da incansável vocação dos petistas para fraudar a realidade.

Solteiridão

“E a namorada?” Alguém vai me perguntar. Aí vou sorrir e responder: “Estou solteiro!”. E logo depois vem aquela cara de: “nossa, coitadinho”, quando ao meu ver era a hora certa da pessoa me abraçar e pularmos gritando: “Parabéns Campeão!” Sabe, realmente não entendo essas pessoas que colocam o fato de encontrar uma pessoa como sendo um dos objetivos primordiais da vida. Como se a ordem natural fosse: nascer, crescer, conhecer alguém e morrer. A meu ver, não é assim. As pessoas se dizem solteiras como quem diz que está com uma doença grave, alguém que precise de ajuda. Não é nada disso. Existe sim vida na “solteridão”! E das boas. E isso não quer dizer farra, putaria, poligamia ou promiscuidade. Aliás, quer dizer sim, mas só quando você tiver a fim. No mais quer dizer liberdade, paz de espírito, intensidade. E olha que escrevo isso com algum conhecimento de causa, já que tenho vários anos de namoro no currículo. De verdade, do fundo do coração, eu estou muito bem solteiro. Acho até que melhor que antes. Gosto de acordar pela manhã sem saber como vai terminar meu dia. Gosto da sensação do inesperado, da falta de rotina e de não ter que dar satisfação. Gosto de poder dizer sim quando meu amigo me liga na quinta-feira perguntando se quero viajar com ele na manhã seguinte. De chegar em casa com o Sol nascendo. De não chegar em casa as vezes. De conhecer gente nova todos os dias. De não ter que fazer nada por obrigação. De viver sem angústia, sem ciúme, sem desconfiança. De viver. Acredito que todo mundo precisa passar por essa fase na vida. Intensamente inclusive. Sabe, entendo que talvez essa não seja sua praia. Ou talvez você nunca vá saber se é. Eu mesmo não sabia que era a minha, e veja só você, hoje sou surfista profissional. O que percebo são pessoas abraçando seus relacionamentos como quem segura uma bóia em um naufrágio. Como se aquela fosse sua última chance de sobrevivência. Eu não quero uma vida assim. Nessa hora talvez você queira me perguntar: “Mas e aí? Vai ficar solteirão para sempre? Vai ser assim até quando?” E eu vou te responder com a maior naturalidade do mundo: “Vai ser assim até quando eu quiser”. Quando encontrar alguém que seja maior que tudo isso, ou talvez alguém que consiga me acompanhar. E não venha me dizer que aquele relacionamento meia boca seu é algo assim. O que eu espero é bem diferente. Quando se gosta da vida que leva, você não muda por qualquer coisa. Então para mim só faz sentido estar com alguém que me faça ainda mais feliz do que já sou, e como sei que isso é bem difícil, tenho certeza que o que chegar será bem especial. E se não vier também está tudo bem sabe? Eu realmente não acho que isso seja um objetivo de vida. Não farei como muitos que se deixam levar pela pressão dessa sociedade. Tanta gente namorando pra dizer que namora, casando pra não se sentir encalhado, abdicando da felicidade por um status social. Aí depois vem a traição, vem o divórcio, a frustração e todo o resto tão comum por aí. Não, não. Me deixa aqui quietinho com a minha vida espetacular. Pra ser totalmente sincero com você, a real é que não é sua situação conjugal que te faz feliz ou triste. Conheço casais extremamente felizes e outros que estão há anos fingindo que dão certo. Conheço gente solteira que tem a vida que pediu pra Deus e outros desesperados baixando aplicativos de paquera e acreditando que a(o) ex era o grande amor e que perdeu sua grande chance. Quanta bobagem. A verdade é que só você mesmo pode preencher o seu vazio, e colocar essa missão nas mãos de outra pessoa e pedir pra ser infeliz. Conheço, sim, vários casais incríveis, assim como tantos outros que não enxergam que estão se matando pouco a pouco. Só peço que não deixem que o medo da solidão faça com que a tristeza pareça algo suportável. Viver sozinho no início pode parecer desesperador, mas de tanto nadar contra a maré, um dia você aprende a surfar. E te digo que quando esse dia chegar, você nunca mais vai se contentar em ficar na areia. Desse dia em diante só vai servir ter alguém ao seu lado se este estiver disposto a entrar na água com você."

Por Rafael Magalhães, e assino embaixo

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Muito prazer, por Flávia Paixão

"Fico feliz que tenha gostado e que agora saiba ser exagero todo medo que foi criado. Não pude te oferecer o maior conforto de todos, mas te ofereci a melhor das intenções. Se faltou caviar, me perdoe, espero ter compensado com sorrisos e caipirinhas.

Aqui não fazemos muito caviar. Mas sorrimos como se pudéssemos comê-lo todos os dias.

Quando chegar em casa, se tossir, é mera mudança climática. Não se assuste, não é Zika.

Quando você quiser voltar, a palavra é “saudade”. Sei que não tem no mundo essa palavra, mas após vir aqui, tenho certeza que passará a fazer parte da sua vida e vocabulário.

Me desculpe pelas armas nas ruas, é que me disseram tanto que eu falharia que pedi todo reforço que pude para te proteger. Queria te ver feliz. Sei que você não tem culpa nenhuma dos meus problemas e por isso te peço desculpas pelos filhos rebeldes e pouco inteligentes que acharam que descontando em você melhoraria alguma coisa. Quase imperceptível minoria, mas ainda assim, me desculpo.

Espero que tenhas aprendido a sambar. Que em algum momento de irritação na sua viagem um dos nossos tenha lhe estendido a mão num inglês nada fluente mas cheio de boa fé.

A Gisele no começo? Sabe como é, a primeira impressão é a que fica… eu quis impressionar.

Eu espero que você tenha visto o sol se pôr no Arpoador. Espero que em algum momento aquela batucada de Copacabana tenha mexido com seus pés. Que você tenha tido 15 dias para entender que o Cristo não está ali para dizer apenas que somos religiosos, mas sim, que estamos sempre como ele: de braços abertos.

Foi à Lapa? À Barra da Tijuca? Lindo, né? É porque tu não viu Angra, Arraial, Búzios, Paraty, Petrópolis...,…

Desculpa a bagunça. É que foi muita gente, e eu nunca tinha feito algo desse tamanho. Mas acho que no final saiu tudo certo.

Espero que quando o seu avião subir você olhe para trás com ternura e saiba que nossas vaias não são contra vocês, mas em apoio aos nossos. É nosso jeitinho debochado de torcer.

Obrigado pela confiança. Volte sempre que quiser, puder ou precisar. Se por acaso você se apaixonou, não sofre não. Acontece com todo mundo.

É que eu sou malandro, batuqueiro, cachaceiro, casa da Mangueira e do Salgueiro. Faço sol o ano inteiro, vivo sorrindo e me orgulho de ser brasileiro.
Sou debochado, bonito irresponsável e maneiro. Sou feliz!! Espero que você tenha gostado.

Muito, mas muito prazer. Eu sou o Rio de Janeiro"

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Esfiha turca

Ingredientes

Líquidos:
1 xícara de água (200 ml)
1 xícara iogurte natural (200 ml)
3 colheres de sopa de creme de leite (125 g)
1 ovo
½ xícara de óleo vegetal (125 ml)
sólidos:
1 pacote de fermento instantaneo (10 g)
ou 30g fermento fresco para pão
1,5 colheres de sopa de açúcar cristal ou demerara
1,5 colher de chá de sal
4,5 à 5 copos de farinha (pode ser mais ou menos)
600 à 750 g (varia conforme a qualidade da farinha)
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1 ovo para pincelar (gema)
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recheio:
350 g carne de baixo teor de gordura
350 g cebola
350 g tomate
1 colher de sopa de sal
1 porção de salsa picada
1 porção de hortelã picada
pimenta vermelha (opcional)
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Preparação da massa:
Coloque o fermento, açúcar e 50% da farinha
Misture a água, iogurte e creme de leite
acrescente ovo, sal e óleo
misture o restante da farinha até dar ponto
Deixar a massa crescer com um plástico cobrindo o pote por 30 minutos
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pique as cebolas miudinho
pique o tomate
misture com a carne e temperos
deixe descansar por 10 minutos na geladeira
coloque em uma peneira sem pressionar para
eliminar o excesso de líquido por 10 minutos
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Tire a massa do pote
Abra a massa o rolo
Corte circulos do tamanho de laranjas com uma xícara ou pote
recheie deixando borda de 1 cm
junte as 2 pontas como um barco
coloque em fôrma para descansar durante 25 minutos
passe a gema de ovo por cima
Asse a 200ºc

Flash da Olimpíada



A noite de ontem foi excelente. Fui ao Parque Olímpico da Barra, acompanhado de 3 dos meus queridos filhos torcer pela equipe brasileira de polo aquático.

A Hungria mostrou que ainda temos um longo caminho até alcançar o nível dos melhores: mesmo contando com atletas "importados" e a repatriação do nosso Felipe Perrone, levamos uma autêntica aula técnica e tática, e o 10 x 6 saiu barato pra nós.

O adversário de amanhã será a poderosa Croácia, atual campeã olímpica, e só um milagre nos fará seguir em frente.

Resta saber que legado vai ficar para o polo aquático depois desse projeto. Pelo menos, vai ter Liga?

Lula e Trump, por José Padilha

Lula e Trump
Por que conservadores americanos e socialistas brasileiros, extremos opostos, estão incorporando, cada vez mais, o cinismo às ideologias?

Aqui nos EUA o processo até que foi engraçado, embora o desfecho possa ser trágico. Depois de uma primária republicana ridícula, em que os candidatos conservadores se mostraram extremamente fracos e foram gradativamente eliminados da disputa pelo populismo histriônico de Trump, os conservadores ficaram em quintanilhas. Ou se afastavam de Trump e entregavam a Presidência aos democratas, ou coroavam Trump na convenção do Partido Republicano. Fora algumas exceções, notadamente Ted Cruz, os conservadores fecharam com Trump.

Estão comendo o pão que o diabo amassou. Trump associou-os ao racismo (contra os mexicanos), à ideia de que é lícito que estrangeiros interfiram nas campanhas eleitorais americanas (Putin e os hackers da Rússia), ao ódio indiscriminado contra os muçulmanos, à renegociação intempestiva e unilateral de tratados comerciais e militares (inclusive o da Otan), dentre outras barbaridades.

A despeito de tudo isso, muitos conservadores ainda relutam em dar o braço a torcer. Todavia, é crescente o desconforto entre eles. Devem estar se perguntando: e se o Trump continuar a falar besteiras? E se ele ganhar e fizer exatamente o que disse que vai fazer? O que vai acontecer com o conservadorismo americano? Será ridicularizado para todo o sempre?

Já no Brasil, depois da completa desmoralização de Lula e do Partido dos Trabalhadores durante o processo do mensalão, os socialistas também ficaram em sinuca de bico, tendo que optar entre reconhecer a desonestidade do PT e entregar o país à direita, ou continuar apoiando um projeto de poder claramente corrupto. Salvo raras exceções, escolheram a corrupção.

Agora, acuados pela Lava-Jato e incapazes de dar o braço a torcer, estão sendo forçados a adotar posições cada vez mais inverossímeis, o que no longo prazo pode levá-los ao completo descrédito: Lula não sabia do mensalão, Dilma não sabia da Eletrobras, Lula não sabia da OAS, Dilma não sabia de Pasadena, Lula não sabia do Vaccari, Dilma não sabia de Belo Monte, Lula não sabia do João Santana, Dilma não sabia do Paulo Bernardo, Lula não sabia do Palocci, Dilma não sabia do Edinho, Lula não sabia do Bumlai, Dilma não sabia do Odebrecht, Dilma e Lula, enfim, não sabiam do petrolão… Só rindo para não chorar.

Por que será que os conservadores americanos e os socialistas brasileiros, extremos opostos do espectro ideológico, estão sendo forçados a incorporar, cada vez mais, o cinismo às suas ideologias? Será mera coincidência? Acho que não. Apesar das diferenças ideológicas, os socialistas brasileiros e os conservadores americanos parecem ter algo em comum.

Se você não acredita, olhe para a economia.

Depois de um aumento desenfreado nos gastos públicos, somado a uma política de subsídio a grandes grupos empresariais via BNDES e a programas sociais meramente redistributivos, o Brasil viu milhões de pessoas saírem da miséria. Todavia, assim que a capacidade de endividamento do país acabou, assim que as “pedaladas” e fraudes contábeis se tornaram insustentáveis e muitos investimentos fracassaram por total inaptidão administrativa, a realidade bateu à porta. O PIB caiu 10% em dois anos. A arrecadação minguou. Hoje o Brasil tem 12 milhões de desempregados, a Petrobras deve até a alma, os estados estão falidos, e a União precisa cortar cerca de R$ 150 bilhões do Orçamento para recuperar o equilíbrio fiscal… Pessoas racionais concluiriam: para melhorar de vida não basta gastar a esmo e redistribuir renda. É preciso fazer investimentos que dão retorno. Sem capacitar a população e aumentar a produtividade, a pobreza volta quando o limite do cheque especial acaba. Os socialistas aprenderam a lição? Claro que não. A cada proposta de corte nos gastos públicos e a cada menção da palavra “privatização”, gritam slogans contra a volta da política neoliberal…

Por sua vez, depois do crescimento robusto da era Clinton e do crescimento risível da era Bush, além da trágica ocupação do Iraque, os conservadores americanos também viram suas doutrinas, militares e econômicas serem refutadas uma a uma. A desregulamentação do sistema financeiro vai ajudar a economia… O Obamacare vai quebrar o sistema de Saúde… O aumento dos gastos públicos vai desvalorizar o dólar e gerar inflação… Não há aquecimento global… Só bola fora. Mudaram de ideia? Claro que não. Continuam insistindo na tese de que austeridade fiscal e redução de impostos, sobretudo para os mais ricos, geram crescimento econômico. Para mostrar que estavam certos, aplicaram o receituário ao estado de Kansas, e Kansas quebrou…

A verdade é que tanto a doutrina dos conservadores americanos quanto a doutrina dos socialistas brasileiros só servem para gerar narrativas cativantes e slogans baratos, mas não servem para balizar políticas públicas sensatas.

De um lado temos os amigos do povo, os políticos altruístas e sábios que vão usar o Estado para promover justiça social e salvar os pobres da opressão dos ricos. Do outro, temos os grandes empresários e os empreendedores destemidos, que, livres das regulações e da tirania do Estado, vão desenvolver tecnologia, criar riquezas e beneficiar a todos. A primeira história vende bem na América Latina, sobretudo para artistas, sindicalistas e pseudointelectuais; a segunda vende bem no interior dos Estados Unidos, sobretudo para brancos de classe média e milionários. As duas narrativas são super simplificações da História econômica e não resistem a um minuto de reflexão séria. Acontece que tanto os socialistas de Lula quanto os conservadores de Trump são incapazes de pensar criticamente a respeito de suas próprias crenças. Têm em comum uma profunda desonestidade intelectual. É natural, portanto, que tendam ao cinismo.

domingo, 7 de agosto de 2016

"O samba do partido doido", editorial do Estadão

Há carradas de razões para que se consume o impeachment da presidente Dilma Rousseff, desde as arroladas no processo ora em curso no Senado até as que fizeram do quase finado governo da petista o mais irresponsável e corrupto da história nacional. Mas o voto em separado elaborado pelo PT para se contrapor, na Comissão Especial do Impeachment no Senado, ao parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) é prova cabal de outro grave delito cometido recorrentemente pelos petistas: o de lesa-inteligência. Em poucas oportunidades, os borra-papéis do partido conseguiram juntar num mesmo texto tão estapafúrdias referências – que vão de Dante Alighieri a Hitler – para reafirmar a tese de que Dilma é vítima de golpe.

Enquanto Anastasia procurou embasar seu parecer em fatos, dizendo que a gestão de Dilma instaurou “um vale-tudo orçamentário e fiscal que trouxe sérias consequências negativas para o País”, os petistas denunciaram que a presidente é vítima de uma conspiração das forças do mal. Para isso, apelaram à mais medíocre literatice, a começar pelo título: Crônica de um golpe anunciado.

Logo nos primeiros parágrafos, denuncia-se que, “na calada da noite, em meio aos odores desagradáveis emanados do fisiologismo político e da hipocrisia moral”, se urdiu, em seguida à reeleição de Dilma, “o golpe que ameaça submergir o Brasil numa longa noite de autoritarismo, conservadorismo, retrocesso social e desconstrução de direitos”.

O texto segue nessa toada embaraçosa, dizendo que, “enquanto os justos dormiam o sono do dever cívico cumprido, os derrotados, com ânimo inconformado e insone, iniciavam sua trama cínica e antidemocrática, apoiados em mentiras, distorções e, sobretudo, num secular desprezo pelo voto popular”. Os “justos”, claro, são Dilma e os petistas – aqueles cuja campanha eleitoral foi irrigada com dinheiro de origem mais do que duvidosa e que mentiram descaradamente nos palanques.

A trama, diz o texto, foi “de tal forma sinistra que poderia ter sido contada por Virgílio a Dante Alighieri e ter como introito a lúgubre frase Deixai toda esperança, vós que entrais! Com efeito, começava ali a nova descida da democracia brasileira aos históricos infernos do golpismo”. Era o caso de mencionar que o oitavo círculo do inferno de Dante é aquele onde os corruptos, hipócritas e falsários são punidos com banho em piche fervente, mas o texto omite essa passagem.

O festival de asneiras prossegue no trecho em que os petistas acusam a oposição de disseminar o ódio contra o partido. Eles não se limitam a citar Mandela: “O ódio é algo que se ensina”. Para a tigrada, a estratégia para incitar a violência contra o PT se assemelha à dos nazistas contra os judeus, “como ensinava Goebbels”. E a luta contra a corrupção é vista como “forma de legitimação de forças ou regimes autoritários”: “Hitler, por exemplo, legitimou em grande parte a sua ascensão no cenário político alemão com o recurso demagogo da ‘limpeza das ruas’ alemãs de judeus, ciganos, comunistas e corruptos”.

Na ladainha, assinada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Kátia Abreu (PMDB-TO), não faltaram nem mesmo acusações de que Dilma sofreu o tal “golpe” por ser mulher – e essa alegada misoginia desrespeitou até “o corpo da presidenta do Brasil”. Homessa!

Para coroar, esse verdadeiro samba do partido doido, que faz referências também a Hannah Arendt, Sófocles, Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, termina com uma manjada citação de Marx, evocado para dizer que “é a história que se repete, desta vez como farsa”. A turma aposta que “o julgamento definitivo desse hediondo crime de irresponsabilidade caberá, em instância irrecorrível, à História”. Os “historiadores do futuro”, conclui o voto, vão se debruçar sobre esses episódios e concluir que o impeachment, se ocorrer, terá sido um golpe.

Quando se depararem com esse texto exótico, no entanto, os historiadores do futuro só poderão concluir que jamais um grupo político tão medíocre, arrogante e pretensioso esteve no poder no Brasil.

domingo, 29 de maio de 2016

Blogueiros chapa branca - editorial do Estadão

Depois de três dias de discussões sobre a crise do País, os participantes do 5.º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais – que contou com a participação da presidente afastada Dilma Rousseff numa de suas sessões – lançaram uma carta aberta à sociedade cujo teor parece ter sido inspirado em escrachadas patuscadas da televisão ou em chanchadas do cinema.

Escrita com o objetivo de denunciar o “golpe parlamentar” que afastou Dilma do poder e denunciar a ilegitimidade do governo do presidente interino Michel Temer, a carta, escrita em português precário – meio parecido com o que a presidente afastada fala, o que mostra que fez escola –, raciocínio tortuoso, viés ideológico e aversão à verdade, é mais do que um besteirol. Retrata de modo inequívoco o nível de indigência intelectual e moral dos integrantes da máquina de difamação que, sustentada por dinheiro público durante os 13 anos e meio do lulopetismo, se especializou em contar mentiras, plantar boatos, caluniar adversários políticos do PT e agredir moralmente repórteres e colunistas dos grandes jornais, sempre sob o pretexto de defender a “democratização da comunicação”.

A carta aberta começa acusando o Supremo Tribunal de Federal de ser um “poder acovardado”. Prossegue afirmando que o governo Dilma teria subestimado a força dos jornais, revistas e televisões “a serviço do conservadorismo”. Alega que Temer é elitista e machista, por não ter indicado nenhuma mulher, negro ou trabalhador para seu Ministério. Diz que ele destruirá as empresas estatais do País e entregará os recursos do pré-sal “às multinacionais do petróleo, recolocando o Brasil na órbita dos Estados Unidos”. Criticam, ainda, a demissão do presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que havia sido nomeado por Dilma dias antes da votação da abertura do impeachment pelo Senado. Aparelhada pelo PT, a empresa é uma tevê estatal disfarçada de televisão pública que foi criada em 2007 pelo governo Lula. Apesar de ter consumido mais de R$ 3,6 bilhões de recursos federais nos últimos anos, só conseguiu chegar a 1% da audiência duas vezes – quando mostrou um documentário sobre o Rio Reno e quando apresentou um filme de Mazzaropi. Nos demais dias, a EBC – que emprega a peso de ouro alguns participantes do 5.º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais – jamais saiu do traço.

A carta aberta também apoia ocupações de prédios públicos, como forma de “resistência contra o governo golpista”. Propõe ampla cobertura das manifestações contra Temer, das ações que permitam o retorno de Dilma ao Palácio do Planalto e das notícias que mostrem mulheres, jovens negros, militantes da reforma agrária e povos indígenas como “vítimas mais imediatas da escalada autoritária”.

Dois parágrafos da carta aberta merecem destaque. Um é o que afirma que o governo interino priorizará a “comunicação chapa branca, favorecendo a Globo na distribuição de verbas públicas e usando dinheiro do contribuinte para salvar organizações moribundas, como a editora Abril e o ex-Estadão” (sic), cujos proprietários, além de participar do “sistema corrupto de poder que tenta se perpetuar sob a presidência de Temer”, seriam “beneficiários de contas suspeitas em paraísos fiscais”. O outro afirma que o golpe faz parte de uma “estratégia de recolonização do continente e de desestabilização dos Brics” – plano esse que teria entre seus líderes o titular do Ministério das Relações Exteriores, José Serra, que é classificado como “conspirador parceiro da Chevron”.

Na parte final da carta, os blogueiros são taxativos. “Não daremos trégua à Globo, a Temer, aos traidores que se dizem sindicalistas, nem aos tucanos e empresários da Fiesp, que agiram a serviço do golpismo. Resistiremos nas ruas e nas redes”, prometem eles. Se alguém deve recear essas ameaças certamente são os redatores de programas de humorismo da televisão. Agora eles têm nesses blogueiros e ativistas fortes concorrentes.

domingo, 1 de maio de 2016

Carta aberta ao Jô Soares

CARO JÔ SOARES, 

Foi comovente seu discurso de ontem. A voz embargada e o choro contido foram um espetáculo à parte. Sua defesa irascível à atitude do José de Abreu e à liberdade de ir e vir do Chico Buarque foi quase convincente. 

Confesso, Jô, que eu lhe admirava. Há anos atrás, na minha época de estudante secundarista, mantinha-me acordado para assistir o seu programa. Admirava-o por considerá-lo um homem de inteligência ímpar. Esse mesmo motivo, hoje, me faz desprezá-lo, afinal, o socialismo só pode ser defendido por 2 motivos: ignorância ou mau-caratismo. Considerando a sua inegável inteligência, só nos resta a segunda opção. 

"Feliz o país que tem Chico". Será? Será, hoje, o Brasil um lugar feliz? Fale de felicidade para os enfermos do SUS, para as vítimas da violência, para os desempregados pela política econômica desastrosa. Fale de felicidade para os policias presos por cumprirem seu dever, para os professores agredidos em sala de aula, para os médicos que choram (de verdade) por não terem meios de salvar seus pacientes nos rincões do país. 

Feliz o país que tem Mário, o soldado explodido pela guerrilha de Dilma Rousseff, que não pestanejou ao entrar na frente do carro bomba para cumprir seu dever. Feliz o país que tem Amado, artista do povo que, mesmo preso pelo regime militar, disse verdade sobre o cárcere, sem demagogia. Feliz o país que tem Carlos, Brilhante, coronel que levou à cabo sua missão, defendeu a democracia e hoje é condenado (sem processo) pelos bandidos de outrora. 

Se o "cansaço" de José de Abreu o habilita para cuspir na cara de cidadãos, o que o cansaço do povo nos habilita a fazer? O povo CANSOU. Cansou de ser enganado, espoliado, manipulado. Cansou de ser pacífico, cansou da vida de gado, de pão e circo. O povo acordou, Jô, e vocês sabem disso. 

Feliz é o povo que sabe que o Brasil é NOSSO e que luta, com todas as forças para que ninguém tire de nós. Feliz o país que é, sim, intolerante com os falsos tolerantes, com os hipócritas, com os vendidos, com os manipuladores. Feliz o país que sabe que Chicos, Josés e Jôs não trazem felicidade nenhuma. Hoje, estamos nos transformando em um país feliz. Um país com um povo consciente, que não depende dos falsos intelectuais, bobos da corte, para dizer-nos como pensar. A época de vocês passou, mas não precisa chorar, Jô. Como diria a inesquecível Ingrid Bergman: Vocês sempre terão Paris.

Felipe Fiamenghi

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Mulheres que amamos


Sara Sampaio, supermodelo portuguesa, 1,75m, nascida no Porto, há 24 anos, angel da Victoria's Secret. Beleza da terrinha encantando o mundo.

Elvira Cupelo, uma amostra do que a esquerda faz

O relato abaixo está no site Ternuma e descrito em detalhes, nas páginas 238 a 243, do livro Combate nas Trevas, do esquerdista Jacob Gorender. 

Na Wikipedia encontramos:

"Nascida em Sorocaba, Elvira Cupelo era namorada de Antonio Maciel Bonfim, o Miranda, líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) ao tempo da revolução comunista de 1935.

Suspeitando que Elza, codinome atribuído a Elvira, à época com talvez 16 anos, tivesse traído o movimento, Luis Carlos Prestes manda matá-la, o que ocorre em começos de 1936. O assunto foi objeto de livro, intitulado Elza, a garota, do jornalista Sérgio Rodrigues, publicado em 2009 pela editora Nova Fronteira. Segundo o autor do livro, em especial graças a depoimentos da ex-militante do PCB Sara Becker, que tinha a mesma idade que a moça, Elza ou Elvira era semianalfabeta e não tinha noção do que era o partido ou a sua rebelião. No dia 20 de fevereiro de 1936, ela foi estrangulada com um fio de varal por Francisco Natividade Lira (Cabeção ou Lira Cabeção). Seu corpo foi enterrado no quintal de uma casa em Guadalupe, na época zona rural do Rio de Janeiro. Em 1940, a Polícia encontrou as ossadas com base em cartas de Prestes, sua mulher Olga Benario e depoimentos de réus confessos que identificaram o local do crime."

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"Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.

Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de “Miranda” e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, como a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, “Elza” foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que “Miranda” havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”.

As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram. Honório descobriu que “Elza” estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem “Elza” estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.

Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”.

A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

“Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.”

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes:

“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

Decidida a execução, “Elza” foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (“Abóbora”), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (“Milionário”), Adelino Deycola dos Santos (“Tampinha”), Francisco Natividade Lira (“Cabeção”) e Manoel Severino Cavalcanti (“Gaguinho”).

Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota”, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de “Elza”, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.

Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.

Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de “Elza”, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara “Miranda” na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

“Rio, 17-4-40″
Meu caro Bonfim,
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio”.

domingo, 17 de abril de 2016

Chegou a hora!


Chegou a hora. Hoje o Brasil vai saber se os representantes que elegeu, de fato, o representa. Todas as pesquisas, mesmo aquelas feitas pelos suspeitíssimos Datafolha e Ibope mostram que o governo é desprestigiado por 65 a 70% dos brasileiros. Se levarmos em conta os que acham o governo apenas razoável, a soma alcança quase 90%. Ou seja, apenas 1 em cada 10 brasileiros considera que ainda existe governo no Brasil.

Diante disso, é natural que as sondagens apontem um "sim" ao impeachment na faixa de 365 deputados, o que significa algo em torno de 70% do plenário da Casa. Bem mais que os 66% necessários para autorizar a abertura do processo no Senado, e compatível com o número de descontentes com o governo.


Se isso se confirmar na tarde/noite de hoje, a Câmara estará reafirmando o que disse o então presidente da Câmara, deputado Ibsen Pinheiro, no impeachment de Collor: "esta Casa faz o que o povo quer". E isso é muito bom. É sinal de que os deputados são sensíveis à voz das ruas, e, afinal cumprem o papel para o qual foram nomeados.

Não bastassem os motivos apontados na denúncia, mais do que evidentes da necessidade de se defenestrar essa organização criminosa do poder, existem as questões ecônomicas, financeiras, fiscais, políticas e institucionais a turbinar o impeachment. Ao que tudo indica, a maioria da Casa não ignora nada disso e vai responder positivamente aos anseios da maioria da população.

Quero crer que a comemoração que, eventualmente, acontecerá hoje, será a de se criar uma nova expectativa, e uma nova esperança de reverter o quadro ruinoso no qual o governo e os petistas nos meteram. E é nisso que o novo governo deverá se concentrar: criar condições para reverter o desemprego, reduzir a inflação, parar a sangria da corrupção, acabar com o compadrio com grandes empresários, melhorar o ambiente de negócios, ampliar os serviços providos pela máquina pública e ajudar a promover o desenvolvimento.

Penso que temos todo o potencial necessário para, em pouco tempo, voltar a crescer, e a fazer do Brasil um lugar melhor para os brasileiros e para todos os que aqui viverem. É só fazer TUDO ao contrário do que o PT fez.

E vamos pra Copacabana, acompanhar a votação e, se Deus quiser, celebrar a vitória do "sim" ao final desse (des)governo.


Alvíssaras

por Mario Vitor Rodrigues, escritor

Se me fosse concedida a chance, aconselharia aos brasileiros que anotassem com muito zelo duas datas para a posteridade: 26/10/2014 e 17/04/2016. Desta forma, quando suas memórias já estivessem carcomidas pelo tempo, consultas ainda possibilitariam contemplar ajuizadamente a saga dantesca que se encerra hoje.

A primeira marca a reeleição de Dilma Rousseff, enquanto a segunda coroa o derradeiro desabafo de um país há 14 meses atônito, na prática imobilizado pelos seguidos escândalos de corrupção, sem falar nas decorrentes crises ética, política, e econômica, as mais graves em sua história.

Às vésperas do segundo julgamento na Câmara dos Deputados de um presidente democraticamente eleito em 25 anos, eis que o país não se esquiva do frisson, mas vive com intensidade absoluta a expectativa cada vez maior por um desfecho que o liberte do estupor.

Assim, deixando de lado propagandas e falsos alaridos de parte a parte, as projeções inevitavelmente acabam toureando o ambiente, provocando excitação entre aqueles esperançosos na punição de Dilma, e desânimo por parte dos governistas e militantes de esquerda. Não é para menos.

Se levarmos em conta o cenário indicado pelas projeções de dois dos maiores jornais do país - O Globo e O Estado de São Paulo - o governo petista não apenas será destituído, mas em momento algum, durante a votação de hoje, amealhará motivos que corroborem o desafiante otimismo que teimam em esbanjar.

Logo de saída, por exemplo, não poderá ser mais sintomático o placar em Roraima, estado designado a iniciar a votação: 7 a 1 em favor do SIM.

A partir de então, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mesmo intercalados, somente tornarão mais difícil a sobrevida do atual mandato presidencial, e quando Amazonas, Rondônia e Goiás já tiverem votado, tudo indica que o volume de votos favoráveis ao impeachment será quatro vezes maior em comparação ao de seus detratores.

Tal proporção diminuirá quando chegar a vez de São Paulo, mas, convenhamos, o triplo continua sendo uma vantagem confortável, e o alardeado efeito cascata, motivo de celeuma por conta do efeito que poderia causar nos deputados indecisos, finalmente poderá ser comprovado.

Ainda segundo as projeções, caberá a algum parlamentar de Minas o voto que ultrapassará a barreira das três centenas, e então muito provavelmente a balbúrdia já terá tomado conta da Casa, como o episódio Collor de Mello nos ensinou.

Ironia das ironias, o voto que promete determinar o fim da era petista deve mesmo sair de Pernambuco ou da Bahia. Em resumo, caberá ao Nordeste, há décadas cantado em verso e prosa como celeiro de votos petistas, o fardo de impedir a presidente. Melhor dizendo, a honra.

A impopularidade e a fragilidade política do governo Dilma impressionam, porém nada resume melhor a sua esqualidez moral, quero dizer, a esqualidez moral do PT, do que as grotescas propostas feitas a parlamentares em troca de apoio contra o impeachment.

Esqueçamos emendas parlamentares, falo aqui de milhões provenientes de restos a pagar dos orçamentos de 2014 e 2015. Falo aqui, por exemplo, de uma oferta de 6 milhões de reais a um parlamentar. Exato, meia dúzia. Por um voto.

Dilma está descontrolada, assim como Lula e o Partido dos Trabalhadores. Jamais imaginaram sua azeitada máquina de fazer dinheiro, um tal de Brasil, de uma hora para outra disposta a cobrar anos de lavagem cerebral, disparates fiscais, e falcatruas financeiras destinadas a falsear a democracia para eternizá-los no poder.

Tem razão quem aposta em um Brasil pouco diferente sem o PT no poder. De fato, pelo menos em um primeiro momento, não deixaremos de ser uma nação refém de seus próprios algozes. E basta ver a quantidade de pessoas que ainda levam Marina Silva a sério para constatar este fato.

Mas first things first, como gostam de dizer os gringos. Se o simples afastamento do PT não será capaz de fazer o país mudar, sua continuidade tornaria esta tarefa impossível.

Que o impedimento de Dilma, e por conseguinte a libertação desta torpe ditadura de esquerda, sirva de aprendizado para todos nós. Não podemos mais nos permitir certas escolhas.

E que seja um marco, o início de uma nova era, que tenhamos adquirido o hábito de prestar mais atenção ao nosso próprio destino, dispensando todo apoio possível aos vários Moros e Deltans Brasil a fora.

O futuro não será fácil, o debate político está apenas começando, felizmente muita sujeira ainda resta para ser descoberta, e o estrago na economia levará tempo para ser recuperado.

Tudo bem, mas hoje é dia de festa.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

A República num quarto de hotel e o muro que a divide. Por José Nêumanne Pinto

Em palácio transformado em brechó fuleiro, Dilma compra votos contra impeachment, como Lula em quarto de hotel

Ao se deparar com a reação popular à crise ética, provocada pelo assalto aos cofres públicos, feito por seus correligionários e aliados, a presidente Dilma Rousseff passou a utilizar a sede do poder republicano como se este fosse estádio de assembleia sindical. Para ter êxito nessa transformação, pediu ajuda a seu padrinho, o mais bem-sucedido dirigente de sindicato da História do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E, ao som de palavras de ordem, berradas de forma agressiva e alucinada, o Palácio do Planalto foi por ela, mais recentemente, transformado em refúgio de guerrilheiros da esquerda armada, àquela época chamado de aparelho.

Diante da perspectiva cada vez mais ameaçadora do impeachment anunciado, ela agora passou a encenar uma versão contemporânea do pátio do templo de Jerusalém, do qual, conforme o Evangelho, Jesus Cristo expulsou a chicotadas os vendilhões. Assim Dilma agora age, diuturnamente e noturnamente, advérbios de tempo dos quais tem abusado por seu exacerbado amor à ênfase, que considera inestimável figura de retórica para dissuadir fascistas, golpistas, coxinhas, zelitistas e que tais.

Este, afinal, é o efeito maligno para o cidadão e as instituições provocado pela compra à luz do sol de apoio no processo de seu afastamento da chefia do desgoverno. Tal comércio, praticado num brechó fuleiro, é ilícito e daninho às instituições republicanas. Pois burla a lei neste episódio grotesco, humilhando a Nação, conspurcando a História do País e também o capítulo reservado a seu Partido dos Trabalhadores (PT), que levou o primeiro operário braçal e a primeira mulher à Presidência. É, por isso, condenável por todos os ângulos pelos quais seja visto.

Primeiramente, a moeda sonante com que ali os dilmistas compram a honra e a consciência dos deputados federais que decidirão se o Senado pode, ou não, abrir processo contra a “presidenta” resulta do recolhimento de impostos arrecadados do cidadão comum. Com a agravante de que este vive a conjuntura perversa da mais dolorosa crise econômica de todos os tempos, com 10 milhões de trabalhadores amargando o desemprego e, portanto, a falta de renda para sustentar a família, depois que o erário foi dilapidado pelos novos donos da República. E se lhes acrescentam mais 200 diariamente. Isso resulta em estatísticas apavorantes: as 100 mil lojas falidas em 2015, as 4,4 mil indústrias paulistas paradas no mesmo período, a renda declinante a rondar o lar de todos os cidadãos, sejam eles patrões ou empregados, contribuintes ou isentos. E tudo isso foi causado por sua política econômica estroina, populista e irresponsável.

Há, em segundo lugar, uma agravante institucional de sérias consequências para a higidez do Estado Democrático de Direito, sob cuja égide a sociedade brasileira pretende conviver. Esta quer é mantê-lo com plena liberdade e mais decência. Segundo se narra do Planalto Central do País, a cúpula palaciana não está comprando apenas o voto de bancadas ou parlamentares a preços ascendentes, por causa da evidência cada vez maior do esfacelamento do desgoverno vigente. Pois o bazar de pulgas morais instalado nos gabinetes do palácio e num quarto de hotel ao lado também está pagando caro pela ausência do votante.

Ao contrário do que se diz – que será necessário a Dilma e seus vassalos conseguirem a adesão de 171 deputados federais na votação final em plenário -, é obrigação de seus adversários (para atender à vontade de, pelo menos, 61% dos patrícios) obterem para a causa do impeachment 342 votos. Quer dizer: para fugir da decisão final de interrupção de seu mandato obtido nas urnas Dilma e o PT precisam que 171 votem contra, declarem abstenção ao votarem ou, em último caso, se ausentem do plenário na hora do voto. Isso quer dizer que quem aceita essa barganha imunda pode imolar sua carreira em troca de dinheiro vivo ou algum emprego público de qualquer escalão. Isso já ocorreu no caso anterior, protagonizado por Fernando Collor de Mello, em 1992: a grande maioria dos que tentaram mantê-lo no poder não mais se elegeu. Mas quem se abstiver ou faltar produzirá o mesmo resultado e cometerá o mais grave dos crimes cívicos: o de faltar à decisão mais importante de seu mandato e da História recente do Brasil. Pois assim jogará no lixo da História a oportunidade de honrar sua representação. Deixará seu representado órfão de representação na democracia que Dilma e seus seguidores juram defender a todo custo.

Os defensores ardorosos da escolha do eleitor, ainda que este tenha sido traído pelo eleito, como é o caso, dizem-se de esquerda e defensores da vontade popular. Mas a experiência mostra que eles devotam imenso desprezo à velha democracia burguesa, inventada pelos barões que a impuseram a João Sem Terra. E aprimorada pelos pais fundadores da Revolução Americana e pelos jacobinos e girondinos na França setecentista. Isso explica o desdém que demonstram ter pelo apego à lei e à ordem. Assim revelam, sobretudo, seu desprezo pela necessidade do convívio pacífico entre discordantes.

Na última vez que ocorreu escândalo de corrupção quase similar a este, no chamado mensalão, perdeu-se a oportunidade de depor Lula para evitar que ele se tornasse um mártir da causa do povo. E este se reelegeu apelando para a divisão dos brasileiros entre “nós” e “eles”, direita e esquerda, povo e zelite, perseguidos e perseguidores, explorados e exploradores, subalternos e tiranos. Agora, mortadelas e coxinhas… Esta divisão impatriótica e maligna expõe a risco a unidade nacional, investindo na calhorda e covarde demagogia da dicotomia entre quem sustenta a máquina pública e quem por ela é sustentado.

O aprofundamento dela é que tornou necessário erguer o muro da cizânia na festa da celebração da independência no último 7 de setembro. E faz agora inevitável o mesmo equipamento para impedir que o ódio mútuo entre quem defende o impeachment para por fim à crise e quem o renega em nome da obediência à vontade manifesta do eleitor há um ano e meio produza uma tragédia indesejável para os todos. Uma República que convive com a compra de apoio particular com o escasso dinheiro de todos e com a construção por presidiários de uma parede que divide duas metades inconciliáveis não é digna da denominação latina que carrega. Pois pode ser tudo, menos uma “coisa pública”.


(*) José Nêumanne Pinto é jornalista, poeta e escritor.

sábado, 9 de abril de 2016

Estadão: Debandada

O PT tenta apresentar-se como perseguido político. A enxurrada de escândalos, denúncias, investigações e condenações envolvendo próceres petistas seria resultado de uma sórdida campanha levada a cabo pelos inconformados com a revolução social promovida por Luiz Inácio Lula da Silva desde sua posse na Presidência da República em 2003. Tal versão, no entanto, não tem qualquer suporte nos fatos. A realidade é bem mais caseira – simplesmente o partido começa a sentir as consequências de seus atos imorais e ilegais, que vão sendo revelados à medida que avançam as investigações da Operação Lava Jato. Num Estado Democrático de Direito, andar fora da lei tem seu preço – jurídico e político.

O discurso de vítima do PT fica completamente desmascarado diante da vergonha dos próprios petistas com a legenda utilizada largamente por seus dirigentes em benefício pessoal. Se fosse verdade a existência de uma campanha de perseguição, a natural reação de seus membros seria de orgulho e defesa da causa petista. Não é isso, porém, o que se vê. Os políticos petistas estão em debandada. Conforme noticiou o Estado, de meados do ano passado até o dia 2 de abril – fim do prazo legal para mudança partidária –, um terço dos prefeitos eleitos pelo PT no Estado de São Paulo deixou o partido. Nas eleições municipais passadas, o PT elegeu 72 prefeitos. Desse total, 24 já abandonaram a legenda.

Essa debandada não se deve a nenhum tipo de perseguição política. Sai quem se envergonha de um partido que renegou a ética na política, no discurso e na prática. Como ficou evidente aos olhos dos brasileiros – especialmente com as investigações da Operação Lava Jato, mostrando que o mensalão era coisa pequena diante do petrolão –, o partido de Lula não apenas se lambuzou com antigas práticas de corrupção, mas promoveu verdadeira revolução na arte de apropriar-se do público em prol do interesse particular – partidário e pessoal. Obviamente, além das complicações judiciais, esse modus operandi tem um alto preço político.

A doença petista não atingiu apenas prefeitos. O partido também perdeu 28% dos vereadores que tinha no Estado de São Paulo. Entre os 186 vereadores que saíram da legenda, havia nomes de destaque, que as lideranças partidárias esperavam ver como candidatos do PT na disputa por importantes prefeituras. Significativo desfalque deu-se em Carapicuíba, cidade com mais de 270 mil eleitores e governada há oito anos pelo PT. O atual presidente da Câmara de Vereadores, Abraão Junior, trocou o PT pelo PSDB, legenda pela qual pretende disputar as eleições de outubro para prefeito.

Boa parte dos prefeitos que abandonaram o PT governa pequenas ou médias cidades no Estado. Há, porém, exceções. Por exemplo, o prefeito Jorge Lapas, de Osasco – quinto maior colégio eleitoral de São Paulo, com 548 mil eleitores –, trocou a legenda petista pelo PDT. Na carta escrita para explicar sua desfiliação do partido, Lapas menciona o “momento delicado pelo qual o PT está passando no cenário nacional”, além da “desunião e fragilidade resultantes da disputa interna” no partido. É uma maneira até elegante de se referir aos problemas que, com suas práticas, o partido criou para si mesmo.

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