quarta-feira, 9 de maio de 2018

Feudo ideológico - radicais de esquerda fizeram da universidade espaço de dogmas

No artigo “Universidade pública sob ameaça” (O GLOBO, 03/05/2018), dois professores da UFF denunciam pretensos “ataques às universidades públicas” perpetrados pelo que descrevem como “grupos de direita e extrema-direita”, cujo objetivo seria “transformar a universidade em um lugar permeado por dogmas, preconceitos e ideias pasteurizadas”.

Invertendo vítimas e agressores, e tomando partido destes, o artigo faz referência a um evento ocorrido na própria UFF, no qual uma palestrante foi impedida de deixar o prédio em que falava para um punhado de alunos, tendo sido forçada a permanecer sete horas entrincheirada numa sala, sob ofensas e ameaças de agressão. Cúmplices da intolerância, e redobrando a infâmia, diretores da universidade decidiram proibir de vez as atividades do grupo de estudantes responsável pelo evento. Não é caso isolado.

Em junho de 2017, na Federal de Goiás, uma professora convidada foi impedida de palestrar. Cercada por um bando que gritava “Fora, fascista!”, acabou expulsa do local. Em fevereiro do mesmo ano, na Federal de Minas Gerais, uma jovem fora espancada por militantes da União da Juventude Socialista. Em 2016, ao se opor às assim chamadas “ocupações”, que deixaram um saldo impressionante de danos ao patrimônio público, um professor da Federal de Pernambuco teve a sala invadida, livros roubados, e paredes pichadas com frases tais como “Stalin matou foi pouco”. Pela mesma razão, um professor da Federal do Piauí, ameaçado de linchamento, teve de sair escoltado pela polícia. Os exemplos multiplicam-se diariamente.

Todos esses casos tiveram como agressores membros de partidos e movimentos de extrema-esquerda, exitosos, eles sim, em transformar a universidade em um lugar permeado por dogmas, preconceitos e fanatismo político. Mas nada disso foi capaz de suscitar nos autores do artigo o zelo repentino ora demonstrado pela universidade pública. Afetando súbita preocupação com proselitismo, não viram nada de errado quando, em dezembro de 2017, o já condenado Luiz Inácio Lula da Silva fez um ato político na Uerj. Ou quando, mês passado, o pré-candidato à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, participando do 8º congresso da União da Juventude Comunista, dispôs do salão nobre da faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ para fazer campanha, com anuência da direção.

Se há algo aproveitável no conceito marxista de ideologia é a ideia de que um discurso ideológico é aquele pelo qual se busca mascarar interesses parciais mediante apelo universalista ao bem comum. É precisamente o que fazem os autores do artigo. Em típica novilíngua orwelliana, exaltam a “diversidade”, o “espaço público” e a “liberdade de expressão”. Tudo, na verdade, para defender com unhas e dentes o seu feudo ideológico, recentemente abalado graças ao inconformismo de parte da sociedade já cansada de bancar com os seus impostos instituições que, de espaço para o livre debate de ideias, converteram-se em centros de formação de radicais de esquerda.

Flávio Gordon é escritor

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O que dormir com homens casados me ensinou sobre infidelidade

por Karin Jones
NYTimes, 6 de abril de 2018

Não tenho certeza se é possível justificar minhas ligações com homens casados, mas o que aprendi com eles justifica a discussão. Não entre as esposas e eu, embora estivesse interessada em ouvir o lado delas. Não, essa discussão deveria acontecer entre esposas e maridos, anualmente, da mesma maneira como inspecionamos os sulcos do pneu do carro da família a fim de evitar acidentes.

Há alguns anos, quando morava em Londres, namorei homens casados ​​pela companhia, enquanto processava a dor de estar recém-divorciada. Não procurei homens casados ​​especificamente. Quando criei um perfil no Tinder e no OkCupid, dizendo que queria encontros sem compromisso, muitos homens solteiros me enviaram mensagens e estive com vários deles. Mas muitos homens casados ​​também me enviaram mensagens.

Depois de estar casada por 23 anos, eu queria sexo, mas não um relacionamento. Isso é arriscado porque nem sempre é possível controlar vínculos emocionais quando as substâncias químicas do corpo se misturam, mas, com os homens casados, imaginei que o fato de eles terem esposas, filhos e hipotecas os impediria de passar da conta em suas afeições. E eu estava certa. Eles não se apegaram excessivamente, e nem eu. Fomos apostas seguras um para o outro.

Eu fui cuidadosa com os homens que conheci. Eu queria ter certeza de que eles não tinham interesse em deixar suas esposas ou ameaçar tudo o que eles construíram juntos. Em alguns casos, os homens que conheci eram casados ​​com mulheres que haviam se tornado deficientes e não podiam mais fazer sexo, mas os maridos permaneciam devotados a elas.

Ao todo, me correspondi com talvez uma dúzia de homens durante esse período da minha vida e fiz sexo com menos da metade. Pra outros somente mandava mensagens ou conversava, e às vezes me pareciam quase tão íntimos.

Antes de conhecer cada homem, eu perguntava: "Por que você está fazendo isso?" Eu queria ter certeza de que tudo o que ele desejava era sexo.

O que me surpreendeu foi que esses maridos não estavam procurando fazer mais sexo. Eles estavam procurando fazer qualquer sexo.

Conheci um homem cuja esposa implicitamente consentiu que o marido tivesse uma amante porque ela não estava mais interessada em sexo. Ambos, até certo ponto, conseguiram o que precisavam sem ter que desistir do que queriam. Mas os outros maridos que conheci preferiam estar fazendo sexo com suas esposas. Por qualquer motivo, isso não estava acontecendo.

Eu sei como é deixar de fazer sexo e sei o que é querer mais do que o meu parceiro. Também é uma tarefa difícil ter relações sexuais com a mesma pessoa por mais anos do que nossos ancestrais esperavam viver. Então, na menopausa, os hormônios de uma mulher diminuem repentinamente e seu desejo pode diminuir.

Aos 49 anos, eu já estava quase lá, com medo de perder meu desejo por sexo. Os homens não têm essa mudança drástica. Portanto, temos um desequilíbrio, um problema do tamanho de um elefante, tão oneroso e vergonhoso que mal conseguimos reunir forças para falar sobre isso.

Talvez a razão pela qual algumas esposas não estão fazendo sexo com seus maridos é porque, à medida que as mulheres envelhecem, ansiamos por um tipo diferente de sexo. Eu sei que fiz, o que me levou a esse caminho de encontros ilícitos. Afinal, quase o mesmo número de mulheres está iniciando casos quanto os homens.

Se você ler o trabalho de Esther Perel, autora do livro recentemente publicado “State of Affairs”, você aprenderá que, para muitas esposas, o sexo fora do casamento é o modo de se libertarem de serem cônjuges e mães responsáveis que devem ser em casa. O sexo com o marido, para elas, muitas vezes parece obrigatório. Um caso é aventura.

Enquanto isso, os maridos com quem estive ficariam bem com sexo obrigatório. Para eles, a aventura não foi a principal razão para o adultério.

A primeira vez que vi meu homem casado favorito pegar sua caneca de cerveja, a manga de seu terno muito bem cortado recuou de seu pulso para revelar um caleidoscópio geométrico de tatuagens. Ele estava barbeado e era muito bem educado com um grito de rebelde por baixo. Na noite em que vi a tela inteira de sua obra-prima de tatuagem, bebemos prosecco, ouvimos música dos anos 80 e, sim, fizemos sexo. Nós também conversamos.

Perguntei a ele: “E se você dissesse à sua esposa: 'Olha, eu amo você e as crianças, mas preciso de sexo na minha vida. Posso apenas ter uma aventura ocasional ou um caso sem importância? ”

Ele suspirou. "Eu não quero machucá-la", disse ele. “Ela não trabalha há 10 anos, criando nossos filhos e tentando descobrir o que ela quer fazer da vida dela. Se eu fizesse a ela esse tipo de pergunta, isso a mataria."

"Então você não quer machucá-la, mas você mente para ela em vez disso. Pessoalmente, eu preferia saber."

Bem, talvez eu prefira saber. Meu próprio casamento não tinha terminado por causa de um caso, então eu não poderia facilmente me colocar na posição dela.

"Não é necessariamente mentira se você não confessar a verdade", disse ele. "É mais gentil ficar em silêncio."

"Eu só estou dizendo que eu não poderia fazer isso. Eu não quero ter medo de falar honestamente sobre minha vida sexual com o homem com quem estou casada, e isso inclui poder pelo menos levantar o assunto do sexo fora do casamento.”

“Boa sorte com isso!” Ele disse.

"Nós nos casamos supondo que seremos monogâmicos", eu disse, "mas depois ficamos inquietos. Nós não queremos nos separar, mas precisamos nos sentir mais sexualmente vivos. Por que separar a família se pudéssemos aceitar o caso ocasional?"

Ele riu. “Que tal pararmos de falar sobre isso antes que esse caso deixe de ser divertido?” 

Eu nunca convenci nenhum marido de que ele pudesse ser honesto sobre o que estava fazendo. Mas eles eram bem-humorados sobre isso, como um pai paciente respondendo a uma criança que fica perguntando: “Por que, por que, por quê?” 

Talvez eu estivesse sendo muito pragmática em questões carregadas de culpa, ressentimento e medo. Afinal, é muito mais fácil falar teoricamente sobre casamento do que navegar nele. Mas minha atitude é que, se meu cônjuge precisasse de algo que eu não pudesse dar a ele, não o impediria de obtê-lo em outro lugar, contanto que ele o fizesse de uma maneira que não pusesse em risco nossa família. 

Suponho que quereria que suas necessidades envolvessem viagens para pescar ou cervejas com amigos. Mas o sexo é básico. A intimidade física com outros seres humanos é essencial para a nossa saúde e bem-estar. Então, como podemos negar tal necessidade àquela pessoa que mais nos interessa? Se o nosso relacionamento principal nos nutre e estabiliza, mas não tem intimidade, não devemos destruir nosso casamento para ter essa intimidade em outro lugar. Deveríamos? 

Eu não tive um caso completo com o marido tatuado. Dormimos juntos talvez quatro vezes ao longo de alguns anos. Mais frequentemente conversamos ao telefone. Eu nunca me senti possessiva, apenas curiosa e feliz por estar em sua companhia. 

Depois da nossa segunda noite juntos, porém, eu poderia dizer que era mais do que sexo para ele; ele estava desesperado por afeição. Ele disse que queria estar perto de sua esposa, mas não conseguia, porque eles não conseguiram superar sua desconexão fundamental: falta de sexo, o que levou a uma falta de proximidade, o que tornou o sexo ainda menos provável e depois se transformou em ressentimento e culpa. 

Todos passamos por fases de querer e não querer. Eu duvido que a maioria das mulheres evite fazer sexo com seus maridos porque elas não têm desejo físico em geral; somos simplesmente animais sexuais mais complexos. É por isso que os homens podem ter uma ereção a partir de uma pílula, mas não há como induzir a excitação e o desejo nas mulheres. 

Não estou dizendo que a resposta seja a não-monogamia, que pode estar repleta de riscos e envolvimentos não intencionais. Eu acredito que a resposta é honestidade e diálogo, não importa o quão assustador. A falta de sexo no casamento é comum e não deve levar a vergonha e silêncio. Da mesma forma, um caso não precisa levar ao fim do casamento. E se um caso - ou, idealmente, simplesmente o desejo de ter um - pode ser o começo de uma conversa necessária sobre sexo e intimidade? 

O que esses maridos não podiam fazer era ter uma discussão difícil com suas esposas que os forçaria a enfrentar os problemas na raiz da sua traição. Eles tentaram me convencer de que estavam sendo gentis, mantendo seus casos em segredo. Eles pareciam estar convencidos. Mas o engano e a mentira são basicamente corrosivos, e não bondosos. 

No final, eu me perguntei se o que esses homens não podiam enfrentar era algo completamente diferente: saber por que suas esposas não queriam mais fazer sexo com eles. É muito mais fácil, afinal, criar uma conta no Tinder.

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Karin Jones escreve a coluna Savvy Love para a Erotic Review Magazine na Grã-Bretanha. Ela está trabalhando em um livro de memórias.

Racismo estatístico, por Paulo Cruz

Ao amigo Benê Barbosa – incansável!
“O homem é um ser moral, dono de uma vontade e senhor de um livre arbítrio; assim Deus o criou com a faculdade de autodeterminar-se. No uso correto de sua vontade e no exercício esclarecido de seu livre-arbítrio, é que consiste a essência da sua personalidade de ser humano, a autoridade de sua soberania e a independência moral, que lhe confere um atributo indispensável de liberdade”. (José de Souza Marques)

Dizer que a desigualdade social no Brasil tem contornos históricos é uma redundância, pois todas as desigualdades sociais têm causas históricas. Porém, no Brasil há um dado importante que não pode ser escamoteado: a abolição da escravidão. Tal evento, pela peculiaridade de seus desdobramentos, marcou indelevelmente o futuro do país e, sobretudo, dos ex-escravos. O impasse absurdo no qual se envolveram os abolicionistas, a Coroa, os republicanos e os ex-senhores de escravos arrastou a solução definitiva do pós-abolição até o golpe republicano, em 15 de novembro de 1889, relegando uma quantidade gigantesca de brasileiros à mais absoluta miséria.
Os projetos de educação e democracia rural de André Rebouças, bem como as tentativas de viabilizar a indenização aos ex-escravos – algumas delas coordenadas pela própria princesa Isabel – encontraram pela frente toda sorte de empecilhos por parte dos republicanos, que queriam o fim da monarquia, e a resistência atroz dos senhores, pois eles é que desejavam indenização por terem perdido a mão de obra gratuita (e dinheiro, pois o escravo era mercadoria). E não havia passado um mês da assinatura de Lei Áurea quando o presidente do Conselho de Ministros, João Alfredo Correia de Oliveira, para acalmá-los, apresentou na Câmara um projeto de indenização no valor de 300 mil contos, que Rebouças chamou de “projeto desgraçado”. A campanha republicana seguia a passos largos e a própria monarquia parecia já não ter forças para resistir; dom Pedro II estava doente e cansado, e também via a República como uma consequência natural das nações modernas – tendo, inclusive, se declarado republicano. A princesa Isabel, apesar do feito heroico da abolição, tinha fama de carola e politicamente frágil.
No entanto, Rebouças, Joaquim Nabuco e José do Patrocínio tentaram assegurar a continuidade de seus intentos – e da monarquia. Enviaram projetos à Câmara, discursaram em favor dos libertos, mas sucumbiram à implacável campanha republicana. O restante do ano de 1888 foi de intensos debates, disputas e violência. Mas os republicanos estavam determinados. O jornalista Silva Jardim, republicano ferrenho, em 13 de maio de 1889, primeiro aniversário da abolição, publicou na Gazeta de Notícias um artigo mordaz, culpando a monarquia pelo abandono dos ex-escravos:
“O governo, que presidiu à declaração da liberdade dos antigos escravos, teve as incomensuráveis vantagens de uma situação única para, levantando moral, social e materialmente a raça emancipada, imprimir ao conjunto de nossa civilização um progresso imensamente vasto e rápido. A incontestada ditadura política e moral que ele exerceu, apoiada solidamente na opinião abolicionista, a cujo triunfo se subordinaram, com resignação patriótica, os proprietários de escravos, dava-lhes a força soberana para todas as tentativas de grandes, urgentes e preciosas reformas. Foi essa situação que o governo imperial perdeu para sempre, pela sua falta de convicções abolicionistas e pela sua falta de fé no futuro da pátria e nos destinos da humanidade. O antigo escravo ficou tão miserável, tão infeliz e tão desprotegido como dantes. Ninguém pensou em dar-lhe o que se oferece ao colono estrangeiro; ninguém tratou de lhe constituir a base indispensável da existência material, dando-lhe terras devolutas e instrumentos de trabalho, facultando-lhes os meios de fundar uma habitação, diretamente por si ou com o auxílio dedicado do seu antigo patrão; ninguém facilitou a organização da família, e ninguém promoveu em favor dele o estabelecimento de um sistema de simples e fácil instrução elementar.”
Discursos como esses se espalhavam pelas principais províncias, ampliados pela sede de vingança dos ex-senhores de escravos. Rebouças testemunhou (e registrou em seu Diário) a resistência do imperador em indenizá-los: “a 22 de agosto de 1888, ainda esperavam os celerados indenização e Chins… Foi quando dom Pedro II disse-lhes ‘Não! Não… Mil vezes não!’, que eles foram para a república de mamelucos – Bandeirantes e traficantes de escravos brancos e amarelos; porque a Inglaterra não permite que sejam negros africanos”. Isso acelerou o ocaso da monarquia e o fatídico golpe militar-republicano, em 15 de novembro de 1889, e a expulsão da família imperial do Brasil – Rebouças, desolado com os descaminhos do projeto ao qual devotara sua vida, os acompanhou para nunca mais voltar. E os republicanos, vitoriosos, reescreveram a história.
Porém, não podemos simplesmente aceitar o seu relato sem, ao menos, confrontá-lo com o testemunho dos principais abolicionistas. Joaquim Nabuco, em 1893, em carta a André Rebouças, diz:
“Hoje estou convencido de que não havia uma parcela de amor ao escravo, de desinteresse e de abnegação em três quartas partes dos que se diziam abolicionistas. Foi uma especulação mais! A prova é que fizeram esta República e depois dela só advogaram a causa dos bolsistas, dos ladrões da finança, piorando infinitamente a condição dos pobres. […] O cinismo é tal que ninguém admite que haja um homem de bem. Fazes tu bem em estar longe de tudo, ainda que tenhamos, pela nossa parte, que aceitar a responsabilidade que nos toca na bancarrota moral da abolição, no abandono das raças de cor à destruição da época. Estávamos metidos com financeiros, e não com puritanos, com fâmulos de banqueiros falidos, mercenários de agiotas etc.; tínhamos de tudo, menos sinceridade e amor pelo oprimido. A transformação do abolicionismo em republicanismo bolsista é tão vergonhosa pelo menos como a do escravagismo. Basta de torpezas”.
Ou seja, os republicanos culparam a monarquia, mas acabaram por abandonar os negros em pior situação do que já se encontravam. Na capital, a discriminação e a marginalização em massa levaram os negros a se confinarem nos morros, onde muitos, infelizmente, ainda estão. Rebouças, em carta de 1892 ao amigo Visconde de Taunay, diz: “Não direi palavra sobre as misérias do Brasil… cobrir a cabeça de cinzas, como faziam os primitivos hebreus, e dizer contrito a Jeová: Fiat JustitiaFiat Justitia!”. Patrocínio volta a ser republicano, para depois arrepender-se, criticar o governo de Floriano Peixoto e ser deportado para a região do Rio Amazonas, de onde voltou pouco tempo depois, isolado. Joaquim Nabuco se retirou por um tempo da vida pública, passando a viver entre a Inglaterra, França e EUA.
De lá para cá, sobretudo quando os historiadores e sociólogos marxistas começaram sua tarefa de reinterpretar a história do Brasil a seu modo, a desigualdade social vem sendo atribuída a esse processo mal resolvido da abolição, pois é visível que temos, em sua imensa maioria, os descendentes dos libertos em 1888 – ou seja, os negros – entre os mais pobres. E ninguém, em sã consciência, negaria isso.
No entanto, é preciso colocar tal fato em perspectiva. Mais do que isso: é preciso ver as coisas como são. Mesmo que seja correto afirmar que a desigualdade brasileira decorre de uma ferida histórica ainda aberta, e que uma das consequências lógicas da escravização de africanos tenha produzido, ao longo dos séculos e após a emancipação, uma maior quantidade de negros pobres, não é nem um pouco aceitável que, automaticamente, a criminalidade seja atribuída às mesmas causas. E mais: associam-na ao racismo!
Recentemente, foi publicado pelo Nexo Jornal – e festejado por jornalistas como Míriam Leitão – o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que contém, como sói acontecer com esse tipo de estatísticas produzidas por ONGs, análises sobre os crimes no Brasil com dados separados por tonalidade de pele (brancos, pretos e pardos) e/ou origem étnica (amarelos e indígenas) – conhecidos como raças. Diz o documento:
“Ao analisar os números da violência no Brasil percebe-se que esta não pode mais ser tratada como um fenômeno marginal, principalmente quando as políticas públicas são cunhadas exclusivamente para equacionar o poder político com uma tentativa vil de organização da própria violência. Tal organização nos remete a um quadro há muito conhecido em nosso país: essas políticas violentam prioritariamente jovens, negros e segmentos das periferias, aqui representados por nossos policiais da base que, no caso da Polícia Militar, são os soldados, os cabos, os sargentos e os subtenentes e, no caso da Polícia Civil, os agentes. São estes que estão morrendo”. (grifo meu)
Apesar de, curiosamente, incluir estatísticas de mortes de policiais – dentre os quais, 56% das vítimas são negros –, diz que 76,2% dos jovens que morrem pelas mãos das polícias são negros.
Esse tipo de dado se repete por todos os estudos sobre violência, pobreza e criminalidade no Brasil. O Mapa da Violência – talvez a mais famosa e importante publicação sobre o assunto –, em sua última edição (2016), traz um tópico específico – A cor das vítimas – e os seguintes dados sobre homicídios (restringirei entre brancos e negros, em números totais):
Negros29.813
Brancos9.766
No entanto, quando abrimos a classificação “negros” em “pretos e pardos”, os números são significativos:
Pretos3.459
Pardos26.354
Ou seja, morrem mais brancos do que pretos no Brasil. Os pardos, que podem ser representados por qualquer tonalidade entre o branco de cabelos crespos e o moreno jambo, somam quase o triplo dos brancos e quase oito vezes os pretos.
E tem mais, em estados do Sul morrem mais brancos do que negros:
Rio Grande do Sul
Negros500
Brancos1.521
Santa Catarina
Negros98
Brancos385
E, em São Paulo, também morrem mais brancos:
Negros1.697
Brancos1.763
Aliás, em São Paulo os números dos assassinatos diminuíram sensivelmente em dez anos: de 9.430 para 3.460.
Já em estados do Norte e Nordeste, que são, é bom frisar, majoritariamente mestiços (pardos), os números são alarmantes:
Pará
Negros2.115
Brancos136
Bahia
Negros3.999
Brancos289
Pernambuco
Negros2.178
Brancos281
Rio Grande do Norte
Negros1.054
Brancos166
Alagoas
Negros1.702
Brancos60
Rio de Janeiro, apesar de os números totais terem diminuído em dez anos – como em São Paulo –, apresenta características peculiares:
Negros2.512
Brancos966
Ou seja, não há genocídio de jovens negros, não há racismo nos números. O que há é uma situação circunstancial na qual os criminosos comuns vêm das regiões mais periféricas, onde está a esmagadora maioria da população miscigenada; que são, enfim, os brasileiros. Racializar isso é o mesmo que dizer que no Japão a maioria dos criminosos é japonesa. É, no mínimo, exagero ideológico; mas, no fim das contas, é racismo, mesmo.
Sem contar que as características de quem mata e quem morre são as mesmas: negro, jovem, da periferia. Mas, como uma parcela baixíssima de crimes são solucionados no Brasil, as informações sobre os criminosos foge à estatística. No entanto, há dados que inferem essa ligação, como afirma  o próprio Nexo Jornal e um relatório recente do IPEA, que diz: “os jovens aparecem nos dois lados da equação de crime, como vítimas e como perpetradores”. Mas esses dados não interessam aos ideólogos, não é mesmo?
E mais: os políticos e os empresários corruptos, presos pela Polícia Federal nos últimos anos, estão aí para nos mostrar que bandidagem não é determinada pela classe social (ou pela cor), mas pela falta de caráter e pela ganância.
Em 2015 tive um entrevero com uma famosa animadora de micaretas brasileira, por conta de um tuíte seu cujo racismo flagrante, por detrás das boas intenções, fiz questão de denunciar. Dizia seu texto, compartilhando uma matéria contra a redução da maioridade penal de um blog de extrema-esquerda: “diminuir a maioridade virou bandeira de cidadãos e políticos preconceituosos que querem exterminar os pobres e pretos”. Ou seja, a celebridade de trios elétricos, ao repetir a fórmula dos pseudodefensores de minorias – que eu costumo chamar, carinhosamente, de senhores de engenhos ideológicos –, acabou por associar a criminalidade à raça e à condição social. Ou seja, cometeu racismo e discriminação social. Ninguém se torna criminoso por ser negro ou pobre. Essa relação não é verdadeira, e vários estudos o comprovam.
O elitismo dessa gente, associado a uma falsa compaixão pelos mais pobres, que são os mais vitimizados pelas ideologias desses intelectuais ungidos – para usar a expressão de Thomas Sowell –, é algo sem precedentes.
Nos rincões de pobreza desse país, quantos pais e mães não levantam cedo para trabalhar, pagam uma fortuna em impostos que só os fazem empobrecer ainda mais – assaltados pelo Estado assistencialista –, mas nunca pensaram em subtrair a propriedade alheia? Gente que só precisaria se ver livre das amarras de populistas canalhas, corruptos e ideólogos para prosperar. Quantos jovens da periferia não se esforçam para suplantar a vida difícil que os pais tiveram para que eles pudessem ter melhores oportunidades? É um desrespeito atroz chamar essas pessoas de exceção simplesmente porque não sustentam narrativas ideológicas. Exceção é ser pobre e criminoso.
Há ainda a questão salarial, também racializada para fins ideológicos. É o mesmo princípio: se os mais pobres são os negros – por conta de nosso histórico escravista –, e se os negros têm menos curso superior e menos tempo de profissão, é evidente que terão salários menores – por esses e mais uma série de fatores que não aceitam simplificações. A esse respeito não é necessário me alongar, uma vez que já escrevi sobre isso na introdução a um vídeo do grande Thomas Sowell, legendado pelo Tradutores de Direita, que responde ao questionamento de uma feminista – o texto está na apresentação do vídeo:
As cotas são um placebo do qual não tratarei aqui, agora.
Já o racismo é uma estupidez que acomete indivíduos e não grupos. Cumpre combatê-lo dentro de suas manifestações específicas, não com leis e tentativas de conscientização para aquilo que não está na consciência.
As saídas mais honrosas e duradouras para diminuir a desigualdade social são a liberdade individual e econômica – que estimulam o empreendedorismo – e a educação básica de qualidade, que prepara o indivíduo para a universidade, mas também para o próprio empreendedorismo. Não há mágica e nem atalhos, só o trabalho árduo e a prosperidade que advém dele (quando não somos assaltados pelo governo), aliados ao preparo intelectual de base e à prudência, podem mudar o destino dos negros e pobres do Brasil. Só o rigor da lei para punir os criminosos, aliados a uma estrutura que estimule à ordem e à família, podem livrar o jovem da periferia da sedução do dinheiro fácil. A urgência que os ideólogos demonstram por querer resolver essas questões, dizendo que não podemos esperar mais algumas décadas, só lhes dá a vantagem de se associarem a uma causa – e lucrarem com ela. Não é altruísmo, é luta política; não é amor ao oprimido, é desejo de poder.
Termino com três valiosos ensinamentos a esse respeito; um de Booker T. Washington (1856-1915) – que nasceu escravo e se tornou um dos maiores educadores da história americana; outro, do reverendo Martin Luther King Jr. (1928-1968), o grande líder do movimento pelos diretos civis dos negros americanos, na década de 1960; e o terceiro, do nosso André Rebouças (1838-1898):
“Uma raça deve elevar-se ou decair, ter sucesso ou fracassar, e, em última análise, o sentimentalismo conta muito pouco. Durante os próximos 50 anos ou mais, minha raça deve continuar passando pelo severo calvário americano. Devemos ser testados em nossa tolerância, nossa paciência, nossa perseverança, nosso poder de suportar o mal, resistir às tentações, economizar, adquirir e usar habilidade; em nossa capacidade de competir, de ter sucesso no comércio, de desconsiderar o superficial pelo real, a aparência pela substância, por ser grande e ainda pequena, erudita e ainda simples, alta e ainda serva de todos”. (Booker T. Washington, 1901).
“Além de todas as vantagens, um grande número de mudanças psicológicas positivas inevitavelmente resultará de uma segurança econômica mais ampla. A dignidade do indivíduo florescerá quando as decisões que dizem respeito à sua vida estiverem em suas próprias mãos, quando tiver a segurança da estabilidade e a certeza de sua renda, e quando souber que tem os meios para buscar melhorias para si”. (Martin Luther King Jr., 1967).
“Dentro dos círculos dos seus direitos, cada cidadão é, deve ser, tem perfeitamente o direito de ser, pela nossa constituição e pelas nossas leis, um Estado; uma companhia, uma associação, soma os círculos dos direitos dos cidadãos que a compõem; o seu círculo de direito é o círculo máximo, que circunscreve o círculo de todos os seus associados; esse círculo é naturalmente maior e mais forte; e é por isso que causa assombro, que causa medo, e que causa terror aos oligarcas, que querem um povo fraco e subdividido: um povo de carneiros, tosquiável ao seu livre arbítrio, incapaz da menor resistência! Não permita o Onipotente que tão miserável espetáculo jamais seja visto no Brasil. Possa bem, pelo contrário, a nossa cara pátria cumprir a grandiosa missão  que lhe destinou o Criador, pela iniciativa individual e pelo espírito de associação, filhos sublimes da liberdade”. (André Rebouças, 1883).

domingo, 15 de abril de 2018

Editorial do NYT sobre a prisão de Lula

Quando uma enorme rede anti-corrupção pega o político mais popular de um país, a justiça é feita, mas a democracia é testada. Essa é a situação do Brasil, onde Luiz Inácio Lula da Silva - conhecido por seus seguidores fervorosos simplesmente como Lula - se entregou à polícia no sábado à noite para começar a cumprir uma sentença de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Assim começa um percurso tumultuado e imprevisível para as eleições em outubro.
É uma medida da queda de Lula que uma placa no prédio da polícia federal onde ele está sendo mantido ostente seu nome como o presidente que o inaugurou em 2007. Naquela época, ele era mundialmente aclamado pelo combate à pobreza e à desigualdade, e foi proclamado pelo presidente Barack Obama como "o político mais popular da Terra". Centenas de seguidores obstinados de Lula estão acampados em frente ao prédio, a vanguarda de uma poderosa coorte que alegremente votaria em Lula de volta à presidência. apesar de sua condenação.
A prisão de Lula é apenas um resultado, embora o mais dramático, das investigações federais que começaram em 2014 sobre suborno pela estatal Petrobras e a gigante da construção Odebrecht. A “Operação Lava Jato” e investigações relacionadas geraram centenas de acusações e condenações, muitas nos níveis mais altos do governo e da elite corporativa do Brasil, além de multas corporativas multibilionárias.
A varrida deu um grande golpe contra a corrupção no maior e mais populoso país da América do Sul, mas também desestabilizou o sistema político do país, ajudou a empurrar a economia para a recessão e deixou milhares de desempregados. Como o Brasil enfrenta a crise será observado com cuidado por nações que sofrem de corrupção profundamente arraigada.
Pesquisas mostram que Lula ainda possui muito mais apoio do que qualquer outro político brasileiro. Sua prisão, no entanto, torna improvável - embora não impossível - que ele possa concorrer à presidência em outubro. Sua equipe de defesa espera que o Supremo Tribunal decida que prendê-lo antes que ele tenha esgotado seus recursos foi inconstitucional, mas outras investigações contra ele estão em andamento.
Isso deixa o campo e o futuro abertos. Sem o Sr. da Silva, a esquerda começou a se fragmentar. Sua sucessora como presidente, Dilma Rousseff, sofreu impeachment por quebrar as regras orçamentárias; seu sucessor, Michel Temer, o atual presidente, foi acusado de corrupção e seu índice de popularidade está próximo de zero. Por si próprio, o Congresso provavelmente não apoiará nenhuma campanha anticorrupção. Cerca de um terço dos legisladores enfrenta demandas judiciais, mas são efetivamente protegidos por uma Constituição sob a qual altas autoridades e políticos podem ser julgados apenas nos tribunais superiores, que se movem lentamente e raramente condenam. Apesar de todos os sucessos da Operação Lava Jato, nada foi feito para consertar o sistema judicial. O perigo de uma guinada ao populismo e à radicalização política é óbvio.
Por mais dolorosa e desanimadora que seja a queda de um líder carismático e dinâmico, e por mais esgotados que os brasileiros devam estar da devastação política dos últimos anos, não é hora de desistir. A história mostra que a luta contra a corrupção leva anos, mas também que os sucessos incrementais mudam as normas. Juízes como Sérgio Moro, que liderou corajosamente a acusação na Operação Lava Jato, demonstraram que o Brasil tem as instituições e os meios para enfrentar até mesmo os mais poderosos - e os mais populares - malfeitores.
Ainda faltam seis meses para as eleições nacionais. Eles devem ser gastos em busca de um líder que possa garantir que os ganhos contra a corrupção não sejam retrocessos para a democracia.

https://www.nytimes.com/2018/04/12/opinion/lula-brazil-corruption-scandal.html

domingo, 25 de março de 2018

O STF genuflexo

Num espetáculo indigno de uma Corte cuja função é ser obstáculo aos excessos do

poder, a maioria de seus ministros aceitou prestar vassalagem ao chefão petista

O Supremo Tribunal Federal apequenou-se perante Lula da Silva. Num espetáculo indigno de uma Corte cuja função é ser obstáculo aos excessos do poder, a maioria de seus ministros aceitou prestar vassalagem ao chefão petista. O Supremo, em sua atual composição, reafirmou assim sua vocação de cidadela dos poderosos com contas a acertar com a Justiça.
O cidadão comum, aquele que se submete ao pacto democrático na presunção de que a Justiça criada por esse arranjo será igual para todos, há de se perguntar, depois das vergonhosas sessões de quarta e quinta-feira passadas, se ainda subsiste alguma instituição do Estado que não esteja subordinada ao patronato político – do qual Lula, a despeito da sua apregoada identidade com a gente comum, é um dos maiores expoentes.
O demiurgo de Garanhuns não tem mais foro privilegiado, e no entanto foi tratado no Supremo como se tivesse. Mereceu a deferência de ter seu caso apreciado antes de muitos outros, não por coincidência às vésperas da provável rejeição de seu derradeiro recurso no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região contra a condenação a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.
Ou seja, o Supremo desmoralizou, numa só tacada, todo o bom trabalho de nove juízes – Sérgio Moro, que condenou Lula da Silva na 13.ª Vara Federal de Curitiba; os três desembargadores da 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, que confirmaram a condenação e aumentaram a sentença; e os cinco ministros da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que negaram o habeas corpus preventivo pedido pela defesa de Lula.
Para atingir esse fim, inventou-se uma liminar que, na prática, tem efeito de salvo-conduto, pois impede a prisão de Lula até que o pedido de habeas corpus feito pela defesa seja efetivamente julgado pelo Supremo. Esse julgamento do mérito foi marcado para o dia 4 de abril, mas nada impede que algum ministro invente criativo expediente para adiar o desfecho do caso indefinidamente, como tem acontecido com frequência no Supremo. (Veja-se o que o ministro Fux está fazendo com o desavergonhado auxílio-moradia.) Nesse período, Lula da Silva ficaria livre.
Chegou-se a esse remendo porque o Supremo foi incapaz de iniciar a apreciação do habeas corpus, entretido que estava em um debate sobre se era o caso ou não de aceitar discutir o pedido da defesa – debate este que incluiu até uma menção do advogado de Lula a Luís XVI, exemplo, segundo ele, de vítima da “volúpia do encarceramento”. Quando ficou claro que a sessão seria encerrada sem a votação do habeas corpus, a despeito da urgência do caso – um dos ministros alegou cansaço, outro disse que tinha viagem marcada –, a defesa pediu a liminar, que acabou aceita. Estava dado o salvo-conduto para Lula, válido pelo menos enquanto durar o longo feriado do Supremo em respeito à Páscoa. Isso é que é espírito cristão.
Não à toa, a decisão foi festejada por gente do quilate do senador Renan Calheiros, contra quem correm 17 inquéritos no Supremo. “Nenhuma condenação sem prova sobreviverá ao controle da constitucionalidade e ao princípio da presunção da inocência. Viva a democracia! Viva o respeito à Constituição!”, escreveu o multiencalacrado senador no Twitter, sob a hashtag “Lula Livre”.
Nada mais simbólico. Outra vez, o Supremo Tribunal Federal, que em quatro anos de Operação Lava Jato não julgou nenhum dos implicados com foro privilegiado, enquanto os tribunais ordinários já contabilizam 123 sentenciados, demonstra sua incapacidade de fazer os poderosos pagarem por seus crimes. Não espanta o empenho de muita gente para adquirir o direito de ser julgado ali, ainda que seja por vias tortas, como Lula. Outros condenados pela Lava Jato, presumindo que o ex-presidente escapará mesmo da prisão, já se preparam para explorar essa brecha. Seria o festim da impunidade.
A genuflexão do Supremo diante de Lula fecha com chave de ouro uma semana vergonhosa na história dessa Corte, que incluiu uma infame manobra para manter o auxílio-moradia para todos os juízes. Quando a Corte constitucional atenta contra a própria Constituição, para proteger quem tem poder, o futuro é inevitavelmente sombrio. Os brasileiros honestos já temem pelo que virá.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Um dia pra ser lembrado.


Há 30 e tantos anos, quando surgiu na cena pública, ainda como líder sindical, já era possível identificar o personagem ardiloso, dissimulado, carreirista, calhorda, aproveitador, malandro e vigarista que se juntavam em Luis Inácio da Silva. Muitos não viram, muitos propositadamente ignoraram, muitos insuflaram e ajudaram a levantar a bola daquele que parecia ter ambição e potencial para vôos mais altos, como acabou, de um jeito ou de outro, acontecendo. 

Houve, também, quem não se deixasse levar pelo canto da sereia, pelo discurso fácil, pelas muitas narrativas que se construiu a partir de então, contra tudo que era pretérito, e as promessas de um futuro construído com base em experiências que jamais funcionaram, em qualquer lugar do mundo.

Quem me conhece sabe que nesse quase 40 anos, só aumentou a minha desconfiança com o partido e aversão às suas figuras proeminentes. O tempo me deu razão. Eles não passam de vigaristas, canalhas, mentirosos, ladrões, corruptos, alpinistas sociais e tudo de mais rasteiro que existe no humano. Eles não valem nada, não se envergonham ou se arrependem da canalhice, de seus crimes, de sua falta de pudor e de decoro.

Por isso, pra mim, hoje é um dia histórico. Um dia onde vi se materializar a punição merecida a esses vendilhões da República, traidores da fé pública, cassadores da esperança e do futuro.

Já tinha passado a hora de mostrar ao PT e à corja que o apoia, que as instituições são maiores do que eles, que não são intocáveis, tampouco que estão acima da Lei. Hoje é um dia de vitória para o Brasil. De reafirmação dos valores democráticos, de resgate da Justiça, e renascimento da esperança. O verde-amarelo, a ordem e o progresso vão prevalecer.

Como diz o poeta, "eu vou tomar um porre de felicidade". Já estou na terceira long neck. Não tenho hora pra parar.

Minha felicidade é ainda maior porque agora ele sequer tem dedos pra contar a pena que o tribunal impôs.

Salve 24 de janeiro de 2018! 

Feudo ideológico - radicais de esquerda fizeram da universidade espaço de dogmas

No artigo “Universidade pública sob ameaça” (O GLOBO, 03/05/2018), dois professores da UFF denunciam pretensos “ataques às universidades p...