O psicólogo Jadir Lessa cita o seguinte: "O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma em Ser e Tempo que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. O homem se torna autêntico quando aceita a solidão como o preço da sua própria liberdade. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história.” A solidão me ensinou a ser mais dono da minha vida. Não desprezando as pessoas queridas com quem convivo, não existe ninguém com quem goste de conversar mais do que comigo próprio. Aos poucos, venho descobrindo as minhas forças, e passado a entender que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de mim mesmo. Consigo ver como uma oportunidade de revisar o modo como gerencio minha existência, de projetar o futuro e avaliar a qualidade dos vínculos que tenho com as pessoas. Talvez isso me leve a outros caminhos e outros lugares, mas, se não agora, quando?
Na terça-feira passada, 17, fui surpreendido com uma das piores notícias da minha vida - um dos amigos que mais gosto, um por quem tenho enorme admiração, um irmão que a vida me deu, havia deixado este mundo. A notícia não dava margem a dúvidas. Era um cartão, um convite para o velório e cremação no dia seguinte. Não tinha opção, a não ser tentar digerir aquela trágica informação. Confesso que nunca imaginei que esta cena pudesse acontecer. Nunca me vi nesta situação, ainda mais em se tratando do Sylvio. A chei que ele estaria aqui pra sempre. Que todos partiriam, inclusive eu, e ele aqui ficaria até quando ele próprio resolvesse que chegar a hora de descansar. Ele era assim, não convencional e suspeitei que, como sempre fez, resolveria também essa questão. Hoje em dia, com a divisão ideológica vigente e as mudanças nos códigos de conduta, poucos diriam dele: que cara maneiro! M esmo os que se surpreendiam ou não gostavam de algumas de suas facetas, c...
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