Pular para o conteúdo principal

O que aprendi com a "solidão"

 Há 17 anos comecei essa jornada de independência. Não foi propriamente uma escolha. Apenas o tempo foi passando e hoje percebo com muita clareza que viver só é a descoberta de um novo continente: o território da própria liberdade. Existe uma beleza profunda em transformar a solidão (o peso de estar só) em solitude (o prazer da própria companhia).

Quando você vive só, o mundo se molda ao seu ritmo, e não o contrário. Não há negociação sobre o que jantar, qual música ouvir ou a que horas apagar as luzes.
A casa é seu santuário. Cada objeto está onde você decidiu, e a decoração reflete sua alma, sem concessões.
Você é dono das suas horas. Se quiser passar o domingo em silêncio lendo ou virar a noite em um projeto pessoal, não precisa dar explicações.
A dependência de terceiros muitas vezes serve como uma "distração" de quem realmente somos. Sem o ruído das expectativas alheias, você é forçado a olhar pra si mesmo.
Você aprende a distinguir o que realmente gosta do que apenas fazia para agradar ou se encaixar.
Resolver problemas domésticos, financeiros e emocionais por conta própria gera uma autoconfiança inabalável. Você descobre que é seu próprio porto seguro.
Existe uma paz indescritível em saber que, ao chegar em casa, o ambiente estará exatamente como você o deixou.
O silêncio deixa de ser um vazio para se tornar um espaço de criação e descanso.
Você não precisa absorver o mau humor, o estresse ou os dramas de outra pessoa. Sua energia é poupada para o que realmente importa para você.
Curiosamente, não depender de ninguém torna seus vínculos com o mundo exterior mais autênticos.
Você se encontra com amigos ou parceiros porque quer, e não porque precisa preencher um vazio ou dividir contas. Isso elimina dinâmicas de codependência.
Como você já se sente bem sozinho, o seu "filtro" para quem entra na sua vida fica muito mais refinado.
Viver só não é sobre isolamento, mas sobre a soberania do ser. É entender que a melhor companhia que você terá ao longo da vida é a sua própria, e que depender apenas de si mesmo é o maior superpoder que alguém pode desenvolver.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Voltando devagar

Dois anos depois, senti vontade de voltar a escrever. Já havia perdido um bocado do entusiasmo, me sentindo incapaz de produzir algo interessante, que valha a pena ser lido, sentimento que pouco mudou. O que mudou foi o jeito como estou começando a ver as coisas. Outro dia, li algo que me chamou a atenção, tipo: "A arte não é para o artista mais do que a água é para o encanador”. E continuava, "Não, a arte é para quem a absorve, mesmo que o artista nem sempre tenha plena consciência do quanto isso é verdade. Pois sim, na verdade, a maioria dos artistas que ainda decidimos considerar entre “os grandes” estavam fazendo isso para fins em grande parte masturbatórios, em oposição à pura motivação de “querer criar algo para os outros." Aparentemente, trata-se de uma fala de um personagem de filme. Ainda estou por checar. Definitivamente, o que faço aqui não é arte, não tenho essa pretensão, no entanto, essa é sem dúvida uma questão estranha sobre a arte como um conceito, que a...

Perda irreparável

Na terça-feira passada, 17, fui surpreendido com uma das piores notícias da minha vida - um dos amigos que mais gosto, um por quem tenho enorme admiração, um irmão que a vida me deu, havia deixado este mundo. A notícia não dava margem a dúvidas. Era um cartão, um convite para o velório e cremação no dia seguinte. Não tinha opção, a não ser tentar digerir aquela trágica informação. Confesso que nunca imaginei que esta cena pudesse acontecer. Nunca me vi  nesta situação, ainda mais em se tratando do Sylvio. A chei que  ele estaria aqui pra sempre. Que todos partiriam, inclusive eu, e ele aqui ficaria até  quando ele próprio resolvesse que chegar a hora de descansar. Ele era assim,  não convencional e suspeitei que, como sempre fez, resolveria também  essa questão. Hoje em dia, com a divisão ideológica vigente e as mudanças nos códigos  de conduta, poucos diriam dele: que cara maneiro! M esmo os que se surpreendiam ou não gostavam de algumas de suas facetas, c...

História do Filho da Puta

John Frederick Herring (1795 - 1865) foi um conhecido pintor de cenas esportivas e equinas, na Inglaterra. Em 1836, o autor do famoso quadro "Pharaoh's Charriot Horses", avaliado em mais de $500.000, acrescentou "SR" (Senior) à assinatura que apunha em seus quadros por causa da crescente fama de seu filho, então adolescente, que se notabilizou nessa mesma área. Apesar de nunca ter alcançado um valor tão elevado, um outro de seus quadros tem uma história bastante pitoresca. Em 1815, com apenas 20 anos, Herring, o pai, como era tradição, imortalizou em um quadro a óleo o cavalo ganhador do St Leger Stakes, em Doncaster, na Inglaterra. Até aí, nada de mais. A grande surpresa é o nome do animal: Filho da Puta! É isso mesmo. Filho da puta. Há pelo menos três versões sobre a origem desse estranho nome. A que parece mais plausível (e também a mais curiosa), dá conta que o embaixador português na Inglaterra, à época, era apaixonado por turfe e também por uma viúva com q...