31 de dezembro chegando. Passada a euforia do Natal, o que
resta é o peso de um ciclo que se encerra no escuro. O que temos para celebrar
quando o horizonte é de pura incerteza?
Aos quase 70 anos, vejo com dor o legado que está ficando
para os nossos netos: um Estado falido, instituições em frangalhos e um tecido
social rasgado pelo ódio institucionalizado. Como chegamos a esse ponto? A
resposta é amarga: chegamos aqui pela omissão covarde de quem deveria decidir e
pela ganância desenfreada de quem quer apenas se manter no poder.
Assistimos, inertes ou cúmplices, ao espetáculo de um
Judiciário que ignora as leis que jurou proteger. Vimos condenações unânimes
serem anuladas por manobras de "CEP", enquanto se celebra o destino
cruel e desproporcional dado a pessoas comuns do 8 de janeiro, a assessores e
ao ex-presidente. Transformaram o devido processo legal em vingança política, e
o que assusta é ver brasileiros comemorando a destruição da democracia sob o
pretexto de "salvá-la".
Acharam que os fins justificavam os meios. O resultado é a
ruína que bate à porta.
Além de uma absurda e total inversão de valores, desordem
institucional crescente, tolerância com a criminalidade e o narcotráfico,
gastos estratosféricos sem transparência alguma, vivemos hoje uma completa
irresponsabilidade econômica e fiscal. A máquina pública, inchada e
ineficiente, é mantida à custa de uma carga tributária sufocante, servindo
apenas para sustentar o sistema e alimentar uma corrupção que voltou a ser
método. Vemos nossas estatais, outrora recuperadas, serem novamente entregues à
sanha política e encaminhadas à falência.
Enquanto o "andar de cima" se protege, o
brasileiro comum vive em total insegurança — seja nas ruas, onde o crime
domina, ou nos hospitais e escolas, abandonados pelo descaso estatal. A saúde
padece e a educação regride, enquanto bilhões são drenados para manter
privilégios.
Estamos ladeira abaixo, sem freio, em direção ao
desconhecido. Em sã consciência, não consigo pronunciar votos de felicidade que
soem vazios diante de tamanha degradação. Meu único desejo é que a
racionalidade e a honestidade voltem a guiar aqueles que de fato amam esta
nação.
Que 2026 chegue logo. Precisamos descobrir, urgentemente, se
ainda há fôlego para reconstruir o que foi demolido.
Paulo Estêvão

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