Há 17 anos comecei essa jornada de independência. Não foi propriamente uma escolha. Apenas o tempo foi passando e hoje percebo com muita clareza que viver só é a descoberta de um novo continente: o território da própria liberdade. Existe uma beleza profunda em transformar a solidão (o peso de estar só) em solitude (o prazer da própria companhia). Quando você vive só, o mundo se molda ao seu ritmo, e não o contrário. Não há negociação sobre o que jantar, qual música ouvir ou a que horas apagar as luzes. A casa é seu santuário. Cada objeto está onde você decidiu, e a decoração reflete sua alma, sem concessões. Você é dono das suas horas. Se quiser passar o domingo em silêncio lendo ou virar a noite em um projeto pessoal, não precisa dar explicações. A dependência de terceiros muitas vezes serve como uma "distração" de quem realmente somos. Sem o ruído das expectativas alheias, você é forçado a olhar pra si mesmo. Você aprende a distinguir o que realmente gosta do que apenas...
31 de dezembro chegando. Passada a euforia do Natal, o que resta é o peso de um ciclo que se encerra no escuro. O que temos para celebrar quando o horizonte é de pura incerteza? Aos quase 70 anos, vejo com dor o legado que está ficando para os nossos netos: um Estado falido, instituições em frangalhos e um tecido social rasgado pelo ódio institucionalizado. Como chegamos a esse ponto? A resposta é amarga: chegamos aqui pela omissão covarde de quem deveria decidir e pela ganância desenfreada de quem quer apenas se manter no poder. Assistimos, inertes ou cúmplices, ao espetáculo de um Judiciário que ignora as leis que jurou proteger. Vimos condenações unânimes serem anuladas por manobras de "CEP", enquanto se celebra o destino cruel e desproporcional dado a pessoas comuns do 8 de janeiro, a assessores e ao ex-presidente. Transformaram o devido processo legal em vingança política, e o que assusta é ver brasileiros comemorando a destruição da democracia sob o pretexto de ...